CARTA ABERTA À MAÇONARIA BRASILEIRA
No Dia do Maçom, uma reflexão necessária sobre liberdade, dignidade e coerência iniciática!
Recife, 20 de agosto de 2025 — Dia do Maçom.
Neste dia em que celebramos o ideal maçônico de elevação moral e espiritual, a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Seis de Março de 1817, fundada em 6 de outubro de 1821, vem a público comunicar sua desfiliação formal, soberana e irrevogável do Grande Oriente do Brasil – GOB, juntamente com os Irmãos que compõem seu Quadro de Obreiros.
Longe de representar uma ruptura com a Maçonaria Universal, mas de reconexão com seus fundamentos mais nobres, que infelizmente vêm sendo desfigurados no seio de uma estrutura contaminada pela perseguição, pelo autoritarismo e pela opacidade institucional. Nossa decisão traduz um gesto de fidelidade aos seus princípios mais sagrados: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Não poderíamos permanecer silentes, coniventes ou subservientes a uma estrutura que perdeu a conexão com os fundamentos iniciáticos que a legitimam.
Nossa coerência histórica
O Venerável Mestre de nossa Loja, à época, foi o escolhido pelo Grão-Mestre Geral do GOB como Interventor do GOPE, no auge das irregularidades denunciadas naquele Oriente.
Em sua gestão interina, por quase dois anos, restabeleceu-se a paz, a harmonia e a concórdia entre os maçons pernambucanos jurisdicionados no GOPE.
Hoje, essa mesma liderança também é perseguida pelas estruturas que antes restaurou.
A afronta final: todos suspensos
Para surpresa de todos, no Boletim Oficial Extra nº 50.930, de 19 de agosto de 2025, o GOB suspendeu os direitos maçônicos de todos os Obreiros da Loja Seis de Março de 1817, sem o devido processo legal, sem direito à defesa, sem contraditório.
A alegação: a Loja teria “insurgido” contra a intervenção e “tentado desfederalizar-se irregularmente”. Ignoram, no entanto, que nossa decisão foi pública, coletiva, registrada em Ata e fundamentada em documentos e fatos incontestáveis.
A punição não é jurídica. É política. É o preço por pensar diferente.
Por que deixamos o GOB?
Porque a permanência se tornou insustentável moralmente diante de fatos que envergonham qualquer entidade que se pretenda justa, fraterna e transparente:
1. Perseguição institucional orquestrada
Nossa Loja e seu representante na Soberana Assembleia Federal Legislativa (SAFL) vêm sendo alvo de perseguições políticas e administrativas após assumirem posições firmes contra desmandos e omissões estruturais. Foram usados expedientes como Notícia de Fato caluniosa, intervenção arbitrária e o completo bloqueio institucional por parte da administração do Grande Oriente de Pernambuco (GOPE).
2. Silêncio e omissão diante do assédio sexual
A gota d’água que expôs a falência moral da estrutura foi a tentativa de encobrimento de um caso gravíssimo de assédio sexual ocorrido no Palácio Maçônico do Grande Oriente de Pernambuco (GOPE). O agressor, à época Secretário de Administração e Patrimônio, foi mantido no cargo mesmo após ciência dos fatos pela cúpula do GOPE. A vítima, por sua vez, foi demitida.
O caso foi julgado inteiramente procedente nas três instâncias da Justiça do Trabalho, com decisão unânime dos Ministros do Tribunal Superior do Trabalho, confirmando a gravidade do ocorrido e a responsabilidade institucional envolvida.
Apesar disso, nenhuma medida corretiva foi adotada pela administração do GOB, preferindo-se o silêncio conivente à reparação da injustiça. A omissão institucional é, portanto, inequívoca e imperdoável.
3. O colapso da transparência na gestão maçônica
A nossa representação na Assembleia Federal Legislativa não se calou. Em legítimo exercício de sua função parlamentar, apresentou:
- Requerimentos cobrando transparência na produtividade dos Ministros dos Tribunais Superiores Maçônicos, ignorados pela Presidência da SAFL;
- Pedido formal de Auditoria Especial nas Contas da SAFL, após verificado estouro orçamentário de mais de R$ 141 mil reais e picos de gasto em novembro e dezembro de 2024, que representaram mais de 50% das despesas do ano;
- Representação ao Ministério Público Federal Maçônico, com parecer técnico independente confirmando a existência de reembolsos injustificados, despesas questionáveis e má classificação contábil.
Todas essas ações legítimas geraram perseguição política coordenada, na tentativa de silenciar uma voz que representa Lojas livres e conscientes.
4. Desrespeito ao princípio da transparência
Nosso representante parlamentar, cumprindo sua função constitucional, requereu dados objetivos sobre a produtividade de Ministros dos Tribunais Superiores Maçônicos (STFM, STJM e Tribunal de Contas Maçônico), solicitando transparência em processos de indicação e recondução. Os requerimentos foram simplesmente ignorados pela Presidência da SAFL e dos Tribunais Superiores — demonstrando que, no GOB atual, a meritocracia deu lugar ao compadrio.
Nosso objetivo era claro: garantir que indicações e reconduções fossem feitas com base em mérito, e não em acordos obscuros. A recusa em fornecer dados básicos de desempenho apenas confirma a degeneração da representatividade e a captura das estruturas por interesses que nada têm de maçônicos.
5. Expansão silenciosa da repressão interna
Nos últimos boletins oficiais do GOB, tornou-se visível a escalada de suspensões de direitos maçônicos — verdadeiros “atos de força disfarçados de disciplina” — que buscam coibir qualquer voz dissidente ou crítica à estrutura. Esta é uma prática incompatível com qualquer instituição que se pretenda fraterna e democrática.
Essa cultura do medo, incompatível com uma Ordem de homens livres, tem sido utilizada para suprimir o pensamento crítico, neutralizar Lojas independentes e impor uma hegemonia política centralizada, marcada pelo predomínio de setores paulistanos sobre toda a federação (Grão-Mestre Geral, Presidente da SAFL, Presidente do STFM, Procurador-Geral e Subprocuradores, Vice-Presidente do Conselho Federal, Secretários Gerais etc.).
6. Hegemonia centralizadora e política imposta por setores paulistanos
A hegemonia centralizadora e política imposta por setores paulistanos, em detrimento do princípio federativo e da pluralidade que deveriam reger a estrutura do GOB.
Nossa resposta: firme, reflexiva e irreversível
Não nos afastamos da Maçonaria. Ao contrário, mantemos nosso compromisso com a tradição iniciática, com os ritos, com os valores imemoriais da Ordem e com o legado de homens livres e de bons costumes que fizeram da Loja Seis de Março de 1817 um farol de lucidez por mais de dois séculos.
Por tudo isso — e após esgotadas todas as tentativas de conciliação e diálogo respeitoso — comunicamos que:
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Devolvemos a Carta Constitutiva expedida pelo Grande Oriente do Brasil;
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Declaramos, de forma expressa, que não autorizamos o uso do nome histórico “Loja Seis de Março de 1817” por qualquer entidade ou agrupamento, sob pena de usurpação de identidade simbólica, histórica e patrimonial;
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Seguiremos nossa trajetória maçônica LIVRES, coerentes com nossos princípios e com a liberdade de consciência que nos formou.
Chamamento à reflexão da Maçonaria Brasileira
Neste 20 de agosto, Dia do Maçom, não trazemos apenas uma denúncia — trazemos um chamado:
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A Maçonaria que professamos ainda vive nos Rituais, ou se esconde nos bastidores do poder?
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A liberdade de expressão e a independência dos mandatos ainda são protegidas, ou já se tornaram ameaças aos interesses dos que se perpetuam no controle da estrutura?
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Os Tribunais Superiores da Justiça Maçônica ainda são templos de equidade, ou se transformaram em cartórios de apadrinhamento político?
O Grande Oriente do Brasil precisa decidir se continuará sendo uma Ordem de homens livres e de bons costumes, ou se se converterá em mera burocracia ritualística, cega, muda e servil aos interesses de um pequeno grupo.
Não abandonamos a Maçonaria. Abandonamos uma estrutura corrompida que usurpou seu nome.
Não desejamos divisão. Desejamos apenas verdade. E que a Justiça retorne ao centro do templo.
Por fim, o que permanece em nós
Liberdade, Igualdade e Fraternidade — não como ornamento de aventais, mas como conduta inabalável de homens livres e de bons costumes.
Fraternalmente,
10 Comentários
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns aos irmãos.
ResponderExcluirParabéns aos iir ∴ de Recife. Grande decisão. O GOB virou uma associação meramente política e totalmente desvirtuada dos princípios maçônicos. TFA ∴
ResponderExcluirNova era... Cada vez mais transparência.
ResponderExcluirPerjúrio?
ResponderExcluir"O que vindes aqui fazer?" - aonde estamos falhando? - é necessário velarmos por nossos princípios ou estamos alimentando o mundo político acima da verdade que viemos buscar?
ResponderExcluirMas mais triste... tão mais triste que o acontecimento relatado, é ler que uma revista tão tradicional, exclusivamente maçônica, já copie os medos da impressa leiga brasileira:
ResponderExcluir“_O conteúdo dessa matéria e de inteira responsabilidade dos autores, e não reflete o pensamento da linha editorial de O Malhete._”
O autor do comentário acima é Walter Roque Teixeira - CIM 184372 - ARLS Palmeira da Paz nº 2121, Benfeitora da Ordem - Oriente de Blumenau - GOB-SC
ExcluirOs Obreiros desta Loja Bi centenária, merecem os Parabéns pela atitude tomada!!!
ResponderExcluirParabenizar aos verdadeiros irmaos que buscam a verdade, a FRATERNIDADE e os ideais da maconaria no seu todo.
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