A Maçonaria e a Independência do Uruguai: O Marco de 25 de Agosto de 1825


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Da Redação

A história da independência do Uruguai, proclamada em 25 de agosto de 1825, está profundamente entrelaçada com a trajetória da Maçonaria no Cone Sul. Muito além de um movimento político e militar, a emancipação uruguaia contou com a influência discreta, mas decisiva, de ideais que circulavam pelas Lojas maçônicas, já presentes em Montevidéu desde o início do século XIX.

 As origens maçônicas no Rio da Prata

A presença maçônica no atual território uruguaio antecede em quase duas décadas a proclamação da independência. Os primeiros registros datam de 1807, quando, em meio às inovações trazidas pela presença inglesa no Rio da Prata, chegaram também militares irlandeses integrados às divisões dos chamados “Dragões”. Estes homens, além de seu papel bélico, traziam consigo a tradição da fraternidade maçônica, fundando em Montevidéu a Loja Montevideo nº 192.

Foi neste ambiente que se iniciou o primeiro maçom uruguaio, Don Miguel Furriol, figura pioneira que simboliza a inserção do país nascente no universo maçônico internacional.

 O ideal maçônico e a luta pela independência

A Maçonaria, desde o final do século XVIII, vinha se consolidando como um espaço de debate político e filosófico, no qual circulavam as ideias iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. No contexto das lutas pela independência latino-americana, esses valores foram determinantes para a formação de lideranças e para a organização de movimentos emancipatórios.

No caso uruguaio, os ideais maçônicos não se limitaram a inspirar: eles ofereceram uma rede de apoio, diálogo e articulação entre diferentes correntes políticas e militares que, unidas, viabilizaram o movimento de 1825.

 25 de Agosto de 1825: Um marco histórico

Na data simbólica de 25 de agosto de 1825, reunidos no Congresso de La Florida, os patriotas proclamaram a independência da Província Oriental, declarando sua separação do Brasil e sua união às Províncias Unidas do Rio da Prata. Este ato representou um passo decisivo para a consolidação da República Oriental do Uruguai, que se afirmaria definitivamente como Estado soberano após a intervenção diplomática britânica e a assinatura da Convenção Preliminar de Paz em 1828.

A participação maçônica nesse processo não pode ser vista apenas em termos de indivíduos iniciados, mas sim como parte de um movimento mais amplo de circulação de ideias que fomentaram a construção de um projeto nacional.

 Legado

A presença maçônica no Uruguai desde 1807 e sua associação aos primórdios da independência reforçam a ideia de que a história da América Latina no século XIX não pode ser dissociada do papel da Maçonaria. Mais do que uma sociedade discreta, a Maçonaria atuou como um espaço de intercâmbio cultural, político e social, deixando marcas profundas na formação do Estado uruguaio.

Assim, a independência proclamada em 1825 não foi apenas fruto das batalhas e das articulações militares, mas também da semeadura de ideais que floresceram nos templos maçônicos de Montevidéu e que encontraram eco nos corações de homens comprometidos com a liberdade.

 


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