A MAÇONARIA E A ROUPA PRETA

(*) Ir\ Honório Sampaio Menezes
Diversas organizações uniformizam as pessoas na busca da disciplina, do controle e da integração. Basicamente, a uniformização da indumentária busca a harmonização do ambiente e das pessoas, gerando um clima psicológico favorável à integração e ao controle como no caso das Forças Armadas, dos Estudantes, das Polícias Militares, das grandes corporações de operários, etc.
Na Maçonaria, a uniformização tem os mesmos benefícios já citados, além de, naturalmente, os aspectos que se somam e que dizem respeito ao uso da cor preta. Na prática dos trabalhos nos Templos os maçons buscam, dentre outras coisas, esotericamente, captarem energias cósmicas, ou fluidos positivos ou forças astrais superiores para o fortalecimento espiritual. Da física temos o conceito de que o preto não é cor, mas sim um estado de ausência de cores. As superfícies pretas são as mais absorventes de energias de qualquer natureza, assim, a indumentária preta torna o maçom um receptor mais eficiente e mais que isso, um acumulador, uma espécie de condensador de energia. Por outro lado, a couraça formada pela roupa preta, faz com que as eventuais energias negativas que eventualmente possam entrar no Templo não sejam transmitidas aos Irmãos. Por isso o Maçom veste-se de roupas pretas para participar dos trabalhos em Loja.

Importante observar que, tanto do ponto de vista linguístico como do ponto de vista maçônico, preto e escuro não são sinônimos. E, em assim sendo, toda indumentária que não seja preta, embora escura, não é maçonicamente adequada, embora alguns autores sejam de opinião de que o rigor do traje preto deve ser exigência para as Sessões Magnas, podendo ser livre quanto à cor nas Sessões Econômicas, mas, mesmo assim, todos são unânimes de que é indispensável o uso do paletó e da gravata.

Além do terno preto a maçonaria admite o uso de Balandrau (do latim=balandrana), veste talar (comprida até o calcanhar), em feitio de batina, feita de tecido leve e preto. Embora alguns autores afirmem que o balandrau não é veste maçônica, o seu uso remonta à primeira das associações organizadas de ofício, a dos Collegia Fabrorum, criada no séc. IV a.C., em Roma. Quando as legiões romanas saíam para as suas conquistas bélicas, os collegiati acompanhavam os legionários, para reconstruírem o que fosse destruído pela ação guerreira, usando, nesses deslocamentos, uma túnica negra; da mesma maneira, os membros das confrarias operativas dos maçons medievais, quando viajavam para outras cidades, feudos, ou países, usavam um balandrau negro.

No Brasil, segundo Nicola Aslan, a presença do Balandrau remonta à última metade do séc. XIX, tendo sido introduzida na Ordem Maçônica pelos Irmãos que faziam parte, ao mesmo tempo, de irmandades católicas e de Lojas Maçônicas, e que foram, sem dúvida, o motivo da famigerada Questão Religiosa, nascida no Brasil por volta de 1872. Outro autor, Rizzardo Da Camino, escreve:“O Balandrau surgiu no Brasil com o movimento libertário da Independência, quando os maçons se reuniam sigilosamente, à noite; designando o local, que em cada noite era diverso, os maçons percorriam seu caminho, envoltos em balandraus, munidos de capuz, com a finalidade de penetrando na escuridão permanecerem ocultos, nas sombras para preservar a identidade”. O balandrau está presente na história da Maçonaria desde o princípio, pois era uma forma de igualar os participantes e proteger suas identidades através do capuz, principalmente da perseguição da inquisição.

O traje maçônico é composto por paletó, gravata, sapato preto e camisa branca, embora a única peça de vestuário obrigatória em qualquer parte do mundo seja o Avental, sem o qual o obreiro é considerado nu, na acepção de Castellani. Embora a cor da vestimenta (calça, gravata, etc) possa ser diferente para cada Rito ou mesmo dependendo de cada país, o Avental, como diz Jaime Pusch, é a insígnia obrigatória do maçom em loja, não podendo sem ele participar dos trabalhos.

No Brasil, o traje, antigamente, era previsto nos Rituais (Séc. XIX e início do Séc. XX) como indicação e não imposição, devido à diversidade de ritos, posteriormente é que a exigência do traje foi colocada na legislação das obediências, padronizando conforme o rito majoritário no Brasil (REAA).

O negro significa ausência de cor, empresta às sessões um clima sóbrio, igualando a todos, não haverá distinção para analisar qualquer personalidade, todos estão envoltos pela neutralidade. Nos Conselhos Kadosch o preto é a cor do luto e da tristeza que tomam conta do iniciado quando este acredita que a excelsitude que desejou, o seu ardor e o seu sacrifício foram em vão. O preto representa o elemento terra, nos lembra a finitude do homem.

Em uma sessão maçônica é criado um ambiente com emanações energéticas onde as energias são emitidas e absorvidas. Com a veste preta as energias são absorvidas reativando os chacras frontal, laríngeo e coronário que estão descobertos, em contrapartida, nossos chacras mais sensíveis estarão protegidos de enviar e receber vibrações negativas durante os trabalhos.

A igualdade na vestimenta demonstra um desapego a toda e qualquer vaidade humana, tão combatida pela Maçonaria, e nivela os irmãos em Loja, por uma veste, ou o parelho (calça e paletó) ou o balandrau. Assim irmanados em uma igualdade sem par os maçons absorveram as energias positivas de modo a se transformarem em uma fonte de luz divina onde quer que estejam, principalmente recebendo forças para agirem em prol de um mundo melhor.

(*) Honório Sampaio Menezes, 33º, REAA, Loja Baden-Powell 185, GLMERGS, Porto Alegre, RS, Brasil

Fonte: http://www.systri.com/blog/





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Editor Luiz Sergio Castro