Da Redação
Em 26 de novembro de
1983, a Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo cardeal Joseph
Ratzinger — que anos depois se tornaria o Papa Bento XVI — publicou o mais
recente e determinante documento oficial sobre a relação entre a Igreja
Católica e a maçonaria. A declaração reafirmou, de forma clara e taxativa, que nada
mudou no posicionamento da Igreja: a filiação a qualquer associação maçônica continua
proibida para os fiéis católicos.
O documento,
publicado no mesmo ano da promulgação do novo Código de Direito Canônico,
tornou-se necessário porque muitas interpretações equivocadas começaram a
circular, sugerindo que o silêncio do novo Código significaria uma
reaproximação ou flexibilização. Ratzinger dissipou qualquer dúvida: os
princípios maçônicos continuam sendo considerados inconciliáveis com a doutrina
católica, e, por isso, permanece vigente o parecer negativo da Igreja.
Estado de
pecado grave e exclusão da Sagrada Comunhão
A Declaração de 1983
especificou que os católicos que se inscrevem em associações maçônicas colocam-se
em estado de pecado grave. Consequentemente, enquanto perdurar essa condição, não
podem receber a Sagrada Comunhão. A decisão não se trata de uma punição
disciplinar isolada, mas da constatação de uma incompatibilidade teológica e
filosófica entre a visão cristã e a visão que a maçonaria historicamente
representa.
Advertências
posteriores e o risco de medidas canônicas
Décadas depois, esse
entendimento continuou sendo reafirmado por autoridades da Santa Sé. O regente
do Tribunal da Penitenciária Apostólica, ao comentar a situação contemporânea,
recordou que “a Igreja sempre criticou as concepções e a filosofia da
maçonaria, considerando-as incompatíveis com a fé católica”.
Em suas observações,
ele destacou casos de sacerdotes que, publicamente, declararam pertencer à
maçonaria — um gesto que, além de contradizer o ensinamento oficial da Igreja,
pode causar confusão entre os fiéis. Diante disso, o regente pediu a
intervenção imediata dos superiores desses padres, salientando que a Santa Sé
não descarta a adoção de medidas canônicas caso tais situações persistam.
Por que a
posição da Igreja permanece firme?
A tensão entre a
Igreja Católica e a maçonaria não é algo recente. Desde o século XVIII, papas
sucessivos emitiram documentos expressando preocupações com:
Relativismo
religioso, frequentemente atribuído à filosofia maçônica;
Visão naturalista e
racionalista, que não reconheceria a Revelação divina como fundamento último da
verdade;
Modelos éticos
independentes da fé cristã, considerados incompatíveis com a moral católica;
A ideia de
fraternidade universal desvinculada de Cristo, vista como insuficiente pela
teologia católica.
A Declaração de
1983, portanto, não inaugurou um novo posicionamento, mas reafirmou séculos de
orientação doutrinal.
Atualidade da
discussão
Mesmo em um contexto
cultural mais pluralista, a Igreja insiste que a relação com a maçonaria não é
uma questão secundária. A clareza doutrinal permanece devida ao bem das almas e
à identidade cristã. Assim, enquanto os princípios filosóficos e simbólicos da
maçonaria continuarem em desacordo com a fé católica, a proibição canônica
seguirá válida.


1 Comentários
A igreja católica romana tem um passado nebuloso e que não quer que seja revelado. Daí nasceu a inquisição e todas as outras formas de cerceamento da verdade e do conhecimento.
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