HUZZÉ: GRITO DE TRIUNFO OU DECLARAÇÃO SAGRADA?

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Olá, meus irmãos, amigos e ouvintes!

Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Malhete Podcast.

Hoje vamos mergulhar em um dos mistérios linguísticos mais curiosos da Maçonaria: a palavra "Huzzé".

Você já se perguntou de onde surgiu essa aclamação tão presente em nossos trabalhos? Seria apenas um antigo grito de celebração herdado dos marinheiros ingleses? Ou haveria nela um significado muito mais profundo, ligado à tradição hebraica e à própria busca pelo Grande Arquiteto do Universo?

Prepare-se para uma viagem pela história, pela filologia e pelo simbolismo maçônico.

Vamos descobrir juntos se "Huzzé" é apenas um brado de vitória... ou uma declaração espiritual escondida há séculos.

BLOCO 1 – O ENIGMA DE UMA PALAVRA

Na maioria dos rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, encontramos palavras de origem hebraica.

Boaz.

Jakin.

Tubalcaim.

Shibboleth.

Todas carregam referências bíblicas e profundas lições simbólicas.

Mas existe uma palavra que parece fugir dessa regra.

"Huzzé".

Uma aclamação repetida em momentos solenes, especialmente na abertura e encerramento dos trabalhos.

A questão levantada pelo pesquisador Rui Samarcos Lóra é simples e intrigante:

Se quase todas as palavras fundamentais do rito possuem raízes hebraicas, por que justamente "Huzzé" seria uma exceção?

BLOCO 2 – A TEORIA HISTÓRICA

A explicação mais aceita pelos historiadores é que "Huzzé" deriva do termo inglês "Huzzah".

Esse grito era muito comum entre marinheiros e soldados britânicos dos séculos XVII e XVIII.

Era utilizado para celebrar vitórias, saudar autoridades e elevar o moral das tropas.

Documentos históricos mostram que a palavra já era usada em cerimônias maçônicas escocesas em meados do século XVIII.

Com a influência dos jacobitas e dos militares britânicos na França, o termo teria sido incorporado aos rituais do Rito Escocês.

Na França, o "Huzzah" tornou-se "Houzzai" ou "Houzzé".

Em outras tradições maçônicas surgiram versões diferentes:

"Vivat! Vivat! Vivat!"

"Glória! Glória! Glória!"

Ou até mesmo:

"Liberdade! Igualdade! Fraternidade!"

Essas variações reforçam a ideia de que a essência estava na aclamação festiva, e não necessariamente na palavra em si.

Do ponto de vista histórico, essa é a teoria mais bem documentada.

BLOCO 3 – A HIPÓTESE HEBRAICA

Mas é aqui que a história fica fascinante.

Alguns estudiosos propõem que "Huzzé" não seria apenas uma adaptação fonética inglesa.

Ela poderia ter uma origem simbólica muito mais antiga.

A hipótese sugere que a palavra deriva da expressão hebraica:

"Hu Ze"

Escrita como:

הוּא זֶה

Traduzida literalmente como:

"Ele é este."

Ou:

"Este é Ele."

No hebraico bíblico, essa construção aparece em contextos de identificação.

Em outras palavras:

Uma afirmação de reconhecimento.

Uma declaração de que aquilo que se procura foi finalmente encontrado.

BLOCO 4 – A LIGAÇÃO COM OS TEXTOS BÍBLICOS

O artigo apresenta passagens bíblicas que utilizam essa estrutura.

Uma delas está no Salmo 24.

Ali encontramos a pergunta:

"Quem é este Rei da Glória?"

No hebraico:

"Mi Hu Ze?"

A resposta é:

"O Senhor dos Exércitos; Ele é o Rei da Glória."

Para os defensores da hipótese hebraica, existe aqui um paralelo impressionante com a experiência iniciática.

A busca pelo divino.

O reconhecimento da presença do Grande Arquiteto.

A descoberta da Verdade.

Nesse contexto, a aclamação "Huzzé" deixaria de ser apenas um grito de alegria.

Tornar-se-ia uma declaração espiritual:

"Ele é Este."

"Este é Ele."

Uma forma simbólica de reconhecer a presença do princípio divino.

BLOCO 5 – HISTÓRIA E SIMBOLISMO PODEM CONVIVER?

Chegamos então ao coração da questão.

A origem histórica da palavra parece apontar para o inglês "Huzzah".

Mas isso impede que a Maçonaria lhe atribua um significado mais profundo?

Provavelmente não.

Afinal, a própria Maçonaria trabalha constantemente com símbolos que transcendem suas origens históricas.

O Compasso.

O Esquadro.

A Letra G.

O Olho que Tudo Vê.

Todos possuem camadas sucessivas de interpretação.

O mesmo pode acontecer com "Huzzé".

Historicamente, um grito de celebração.

Simbolicamente, uma afirmação de reconhecimento espiritual.

As duas explicações não precisam se excluir.

Podem coexistir.

CONCLUSÃO

Talvez nunca saibamos com absoluta certeza qual foi a primeira origem da palavra.

Mas talvez essa não seja a pergunta mais importante.

O verdadeiro valor de "Huzzé" pode estar justamente na capacidade de unir história e simbolismo.

De um lado, um eco dos antigos marinheiros e soldados britânicos.

Do outro, uma possível referência à busca do homem pela presença do divino.

E talvez seja essa a beleza da tradição maçônica:

Transformar palavras comuns em instrumentos de reflexão.

Transformar sons em símbolos.

Transformar um simples grito em uma jornada de significado.

ENCERRAMENTO

E você, irmão e amigo ouvinte?

Quando pronuncia "Huzzé" em Loja, o que essa palavra representa para você?

Um grito de vitória?

Uma saudação ritualística?

Ou uma declaração silenciosa de reconhecimento da presença do Grande Arquiteto do Universo?

Deixe sua opinião nos comentários.

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