Racha na Maçonaria do Rio de Janeiro se intensifica após suspensão de tratado entre GOB e GLMERJ

 


A crise institucional envolvendo importantes potências maçônicas brasileiras ganhou um novo capítulo no último dia 21 de maio, quando o Grande Oriente do Brasil (GOB) anunciou oficialmente a suspensão do tratado de reconhecimento e amizade com a Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro (GLMERJ).

A medida aprofunda um cenário de divisão interna dentro da Maçonaria nacional e gera impactos diretos na convivência entre membros das duas instituições, especialmente no estado do Rio de Janeiro.

Segundo informações divulgadas pela direção do GOB, a decisão foi motivada por divergências administrativas e institucionais relacionadas aos critérios de regularidade e reconhecimento recíproco entre as potências maçônicas. O impasse ganhou força após a GLMERJ firmar um novo tratado independente com o Grande Oriente de São Paulo (GOSP).

O ponto central da controvérsia está no fato de que o GOSP surgiu de uma dissidência interna do próprio GOB nacional e, por essa razão, não possui reconhecimento oficial por parte de diversos segmentos da Maçonaria regular. Para setores ligados ao GOB, o acordo firmado pela GLMERJ representaria uma quebra dos princípios tradicionais de alinhamento e reconhecimento mútuo entre potências consideradas regulares.

Em trecho da decisão oficial, o GOB afirma que “a atitude da GLMERJ desrespeita o princípio de boa-fé que deveria reger as relações entre organizações maçônicas, tanto no Brasil quanto no exterior”.

Na prática, a suspensão do tratado impede que membros das duas organizações frequentem reuniões, sessões e atividades promovidas reciprocamente. A medida também pode afetar intercâmbios institucionais, eventos conjuntos e o reconhecimento simbólico entre lojas vinculadas às respectivas potências.

Dentro da tradição maçônica, os tratados de amizade e reconhecimento possuem importância fundamental, pois estabelecem legitimidade institucional, regularidade ritualística e relações diplomáticas entre as obediências. Quando esses acordos são rompidos, os efeitos ultrapassam o campo administrativo e alcançam diretamente a vivência fraternal dos membros.

O episódio reacende discussões antigas sobre autonomia das potências estaduais, centralização administrativa e critérios de regularidade dentro da Maçonaria brasileira. Nos bastidores, cresce o temor de que novas divisões possam surgir, ampliando ainda mais a fragmentação institucional no país.

Apesar do clima de tensão, muitos maçons defendem o diálogo e a busca por soluções conciliatórias, lembrando que os princípios históricos da Ordem sempre estiveram ligados à fraternidade, à tolerância e à construção da harmonia entre irmãos.

Até o momento, a GLMERJ não apresentou manifestação pública detalhada sobre a suspensão do tratado, embora integrantes da potência fluminense considerem legítima a autonomia administrativa para estabelecer relações com outras organizações maçônicas.

O caso segue repercutindo intensamente nos meios maçônicos brasileiros e poderá influenciar futuras relações entre potências estaduais e nacionais em todo o país.

Esse artigo é baseado em matéria publicada por Altair Alves no Diário do Rio


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