Quando o Venerável Mestre Esquece Que Não é Um Rei

 


Da Redação

A Maçonaria ensina humildade, mas algumas Lojas parecem esquecer isso na hora de eleger seu Venerável Mestre. Sejamos claros: nem todos os Mestres são adequados para governar uma Loja. Antiguidade não gera competência, prestígio mundano não gera sabedoria e ego não gera autoridade. Muitas vezes, alguns irmãos veem a placa de Mestre como uma promoção, quando, na verdade, é antes de tudo uma grande responsabilidade. Querer presidir sem saber ouvir, liderar sem entender o que se lidera ou brilhar sem ter trabalhado em si mesmo inevitavelmente leva ao empobrecimento do trabalho. As reuniões perdem profundidade, os membros se tornam menos numerosos e a fraternidade definha em silêncio ou indiferença.

Uma Loja nunca declina por acaso; ela declina quando seu Venerável Mestre se esquece de que não é o dono do Templo, mas o guardião de uma tradição que deve servir fielmente. Um Venerável Mestre ruim nem sempre destrói com um estrondo; ele corrói lentamente a harmonia por meio da vaidade, da improvisação ou da falta de rigor. Ele acredita estar modernizando ao simplificar o que não estudou, acredita estar liderando ao impor o que não compreendeu, acredita estar unindo quando seu orgulho silencioso acaba por dividir. O perigo mais sutil continua sendo a ilusão de competência: alguns cessam seus estudos assim que são elevados ao posto de Mestre, convencidos de que atingiram o ápice, e então buscam ascender na hierarquia sem se aprofundar nos princípios fundamentais.

O cargo de Venerável Mestre não é uma honraria, mas uma grande responsabilidade que exige estabilidade interior, capacidade de escuta e um forte senso de dever. Liderar uma Loja não se trata de autopromoção, mas de ajudar os outros a progredirem; não se trata de impor a própria visão, mas de permitir que cada membro encontre seu lugar na harmonia da Loja. Uma Loja muitas vezes se assemelha ao seu líder: se ele busca a verdade, a Loja progride; se busca reconhecimento, ela enfraquece; se busca equilíbrio, ela cresce. Escolher um Venerável Mestre por conveniência, complacência ou cálculo quase sempre leva a uma desilusão duradoura, porque uma liderança ruim pode desfazer em pouco tempo o que várias gerações construíram pacientemente.

Antes de confiar o malhete a alguém, uma pergunta essencial deve sempre ser feita: ele busca a posição ou aceita a responsabilidade? Aquele que deseja a posição quer ser visto; aquele que aceita a responsabilidade aceita ser julgado. A Maçonaria não precisa de líderes impacientes, mas de trabalhadores pacientes, conscientes de que o malhete nunca é um cetro, mas uma ferramenta a serviço do trabalho comum.

Baseado em um texto de Denilson Forato M:. I:.


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