Da redação
Na última quinta-feira, dia 23, a sede da
Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo foi palco de um encontro
marcante para a Maçonaria capixaba. Cerca de 200 Irmãos participaram da reunião
conjunta da 4ª Região (Serra), sob a presidência do Sereníssimo Grão-Mestre
Valdir Massucatti. Aberto a todos os graus, o evento destacou-se pela inclusão
de Aprendizes e Companheiros, muitos dos quais vivenciaram ali sua primeira
visita à Grande Loja — um momento simbólico e inesquecível em suas trajetórias
iniciáticas.
Mais do que um encontro administrativo ou
ritualístico, a reunião assumiu um caráter reflexivo e provocador. Em sua
palestra, intitulada “A
Maçonaria e o desafio de não viver à sombra de sua própria história”,
o Grão-Mestre trouxe à tona uma questão sensível e atual: o risco de a Ordem se
acomodar em suas glórias passadas, negligenciando a necessidade de evolução
prática e mental. Sua fala convidou os presentes a repensarem o papel da
Maçonaria no mundo contemporâneo, ressaltando que tradição e transformação não
são forças opostas, mas complementares.
Um dos momentos mais marcantes da noite foi quando
Sereníssimo fez a leitura de um trabalho de um Companheiro, que narrava a
experiência de um médico diante de um idoso em estado de delírio e intensa
agitação. Ao perceber referências à Maçonaria nas falas do paciente, o
profissional recorreu a sinais e palavras de reconhecimento maçônico. O
resultado foi surpreendente: o paciente, até então desorientado, recuperou a
lucidez e serenou.
A história, de profundo simbolismo, transcende
o campo clínico e adentra o território da identidade humana. Ela revela que,
mesmo quando a razão vacila, certos valores e vínculos permanecem intactos em
níveis mais profundos da consciência. A Maçonaria, nesse contexto, aparece não
apenas como uma instituição, mas como um elemento constitutivo do ser — uma
marca que o tempo não apaga, apenas adormece, à espera do estímulo adequado
para ressurgir.
Essa reflexão reforça a importância da vivência
autêntica dos princípios maçônicos. Não basta conhecer rituais ou repetir
tradições: é necessário internalizar valores, cultivar laços fraternos e agir
de forma coerente com os ideais da Ordem. Somente assim a Maçonaria deixa de
ser um legado histórico e se torna uma força viva e transformadora.
A noite foi encerrada em clima de harmonia e
fraternidade, com um jantar preparado com dedicação pelos Irmãos da Loja
Baraquiel Pinto de Medeiros nº 82, reafirmando que, além das reflexões
profundas, a convivência e o espírito de união continuam sendo pilares
fundamentais da vida maçônica.
Em tempos de rápidas mudanças e desafios
constantes, encontros como este demonstram que a Maçonaria permanece relevante
— não por aquilo que foi, mas por aquilo que ainda pode e deve ser.
Esse artigo e baseado em post da GLMEES no Instagram
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