Nem Todo Maçom Nasceu para o Oriente: A Verdade Sobre Ser Venerável Mestre
Em muitas Lojas maçônicas, a trajetória do maçom às vezes passa a ser vista como uma espécie de carreira administrativa. O Irmão inicia como Aprendiz, avança para Companheiro, torna-se Mestre… e, para alguns, parece quase natural imaginar que o próximo passo inevitável seja ocupar a cadeira de Venerável Mestre.
Como se fosse uma promoção automática.
A imagem lembra, por vezes, o funcionamento de uma organização comum: o funcionário experiente que, após anos de dedicação, finalmente assume a chefia do departamento. No caso da Maçonaria, a “promoção” viria acompanhada da simbólica poltrona no Oriente e do martelo que conduz os trabalhos.
Mas a realidade deveria ser bem diferente.
Nem todos os maçons estão destinados a ser Veneráveis Mestres — e isso não diminui em nada o valor de sua jornada dentro da Ordem.
O cargo não é uma recompensa
O posto de Venerável Mestre não deveria ser visto como um prêmio por antiguidade, nem como uma medalha concedida a quem permaneceu tempo suficiente aguardando sua vez.
Também não é — ou não deveria ser — o momento de glória de um Irmão que passou anos olhando para o Oriente como quem espera surgir uma vaga disponível.
Em essência, o Venerável Mestre deveria ser um homem equilibrado, prudente e sensato. Alguém capaz de reunir os Irmãos, ouvir diferentes opiniões, orientar os trabalhos e preservar a harmonia da Loja.
Na teoria, é exatamente isso.
Na prática, porém, algumas Lojas acabam produzindo interpretações bastante criativas desse ideal.
A síndrome do “futuro Venerável”
Existe um tipo bastante reconhecível dentro de certas oficinas: o Irmão que, discretamente — ou nem tanto — já se imagina no Oriente.
Mesmo antes de ser escolhido, ele começa a formular planos para o “seu” futuro mandato.
E as ideias surgem em abundância: modernização da Loja, reformas administrativas, mudanças nos costumes e, às vezes, até inovações rituais.
O discurso costuma girar em torno da necessidade de “revitalizar a Loja”.
Na prática, isso pode significar simplesmente modificar aquilo que vinha funcionando muito bem até então.
Em muitos casos, trata-se apenas de uma manifestação comum da natureza humana: um pouco de vaidade, um desejo de reconhecimento ou a tentação de deixar uma marca pessoal.
Em outros casos, porém, ocorre algo mais delicado: a confusão entre autoridade e importância pessoal.
Felizmente, a própria filosofia maçônica nos recorda constantemente que não existem líderes absolutos nem homens infalíveis.
Os critérios que realmente deveriam importar
Num mundo ideal, a escolha de um Venerável Mestre deveria ser feita com profundo discernimento.
Mais do que popularidade ou antiguidade, deveriam ser considerados aspectos fundamentais como:
- o comprometimento real com a Loja;
- a capacidade de ouvir e conciliar opiniões divergentes;
- o espírito fraterno;
- o equilíbrio emocional;
- a dedicação ao estudo e à reflexão maçônica;
- a paciência e a tolerância demonstradas ao longo da caminhada.
Entretanto, a realidade humana nem sempre corresponde ao ideal filosófico.
Em algumas situações, fatores menos nobres acabam influenciando as escolhas: amizades pessoais, alianças momentâneas, disputas silenciosas nos bastidores ou até pequenas rivalidades fraternais.
Paradoxalmente, são exatamente essas atitudes que a própria Maçonaria procura nos ensinar a superar.
Liderar é mais do que conduzir reuniões
Conduzir uma sessão ritualística não é o mesmo que liderar uma Loja.
Abrir e encerrar os trabalhos com elegância, cumprir corretamente os protocolos e manter a ordem no templo são apenas parte da função.
Ser Venerável Mestre exige algo mais profundo.
Talvez a melhor metáfora seja a de um jardineiro.
O Venerável precisa regar o jardim da fraternidade, estimular o crescimento de novas ideias, podar excessos quando necessário e proteger a harmonia da Loja.
Às vezes, será preciso também reparar danos provocados por tempestades — ou por irmãos excessivamente entusiasmados.
Uma Loja maçônica é um organismo vivo. Ela cresce com diálogo, paciência, atenção e cuidado constante.
O verdadeiro segredo de um bom Venerável
No fim das contas, o segredo de um bom Venerável Mestre é surpreendentemente simples.
Ele sabe ouvir. Sabe incentivar. Sabe corrigir sem humilhar.
E, acima de tudo, compreende uma verdade essencial: ninguém governa uma Loja sozinho.
Uma oficina vive da participação de seus Irmãos, de seu trabalho coletivo, de sua fraternidade e de sua sinceridade.
O Venerável Mestre não é o centro da Loja.
Ele é apenas o guardião temporário de sua harmonia.
E quando consegue fazer com que cada Irmão se sinta respeitado, útil e verdadeiramente integrado à fraternidade… então talvez ele não seja perfeito.
Mas já será, sem dúvida, um excelente Venerável Mestre.
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1 Comentários
Belo texto parabéns ao Ir.˙.
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