Tribunal Britânico Rejeita Ação Contra Polícia Por Exigência de Declaração de Filiação Maçônica

Da Redação

Decisão reforça argumento de transparência e confiança pública nas instituições policiais

Um processo judicial movido contra a Polícia Metropolitana de Londres (Metropolitan Police) foi rejeitado por um juiz do Tribunal Superior do Reino Unido, consolidando a legalidade da política que obriga policiais e funcionários a declararem se são ou foram membros da Maçonaria ou de organizações semelhantes.

O juiz Chamberlain decidiu que a medida “serve a um objetivo legítimo, que é manter e aumentar a confiança pública na polícia, e é proporcional”. Segundo ele, os fundamentos do processo não eram “razoavelmente defensáveis” e a política não configura discriminação nem estigmatização indevida contra os maçons.

 A política de declarações obrigatórias

A controvérsia teve início em dezembro, quando a Polícia Metropolitana anunciou que a filiação à Maçonaria passaria a integrar sua política de associações declaradas. A norma exige que funcionários e colaboradores informem filiação passada ou presente a qualquer organização que seja:

 hierárquica,

 de composição confidencial,

 e que exija que os membros se apoiem ou se protejam mutuamente.

A polícia argumenta que tais organizações podem gerar percepções de conflito de interesses ou favoritismo, o que poderia comprometer a confiança da população na imparcialidade da força policial.

Cerca de 400 policiais e funcionários já realizaram declarações desde a implementação da política.

 Contestação dos maçons

Três entidades representativas da Maçonaria na Inglaterra, País de Gales, Ilha de Man e Ilhas do Canal, além de dois policiais maçons em atividade, buscaram autorização para prosseguir com uma ação judicial no Tribunal Superior. Entre os grupos envolvidos estão a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Ordem das Mulheres Maçons e a Honorável Fraternidade dos Antigos Maçons.

A advogada Claire Darwin KC, representante dos requerentes, argumentou que a política criaria uma espécie de “lista negra” e que representaria um sinal institucional de suspeita contra os maçons. Em alegações escritas, afirmou que a medida violaria direitos humanos e seria baseada em evidências “limitadas, obscuras e fortemente influenciadas por percepções”.

Ela também acusou a polícia de se apoiar em “teorias da conspiração antigas e estereótipos preconceituosos” para justificar a exigência.

 Defesa da Polícia Metropolitana

A defesa da Polícia Metropolitana rejeitou as acusações, afirmando que os policiais continuam livres para ingressar ou permanecer na Maçonaria e que não existe qualquer lista de perseguição.

O advogado James Berry KC, representando a força policial, declarou que as alegações de violação de direitos humanos eram “infundadas” e que os temores de estigmatização não tinham respaldo nas evidências.

Berry acrescentou que a polícia não é responsável pelo estigma associado à Maçonaria, mas tem o dever institucional de combatê-lo ao garantir transparência e imparcialidade no exercício das funções policiais.

 Fundamentação da decisão judicial

Na decisão de 17 páginas, o juiz Chamberlain destacou que deixar a decisão de declarar ou não a filiação à Maçonaria a critério individual dos policiais não seria suficiente para atingir o objetivo de aumentar a confiança pública.

Segundo ele, a política não constitui discriminação nem estigmatização indevida e está alinhada com princípios de proporcionalidade e interesse público.

 Transparência versus liberdade associativa

O caso reacende o debate sobre o equilíbrio entre liberdade de associação e exigências de transparência em instituições públicas. A Maçonaria, uma das sociedades fraternais mais antigas do mundo, sempre despertou fascínio e controvérsia, especialmente devido ao caráter discreto de suas atividades e à presença histórica de membros em posições de poder.

Para críticos, a política pode reforçar preconceitos e teorias conspiratórias. Para defensores, ela representa um passo necessário para fortalecer a confiança na polícia em um contexto de crescente escrutínio público.

 Conclusão

A decisão do Tribunal Superior britânico representa uma vitória institucional para a Polícia Metropolitana e estabelece um precedente relevante sobre transparência em forças de segurança. Ao mesmo tempo, evidencia a persistente tensão entre tradição, privacidade e exigências modernas de accountability no serviço público.

 


Postar um comentário

0 Comentários