Grande Loja do Alasca rompe com o Grande Oriente da Itália e reconhece a Grande Loja Regular
Por Redação
Um abalo sísmico sem precedentes sacudiu a diplomacia maçônica internacional nesta terça-feira, quando a Grande Loja do Alasca anunciou oficialmente a retirada de reconhecimento do Grande Oriente da Itália (GOI) e a concessão de reconhecimento exclusivo à Grande Loja Regular da Itália (GLRI), liderada pelo Grão-Mestre Fabio Venzi.
A justificativa é explosiva: segundo o comunicado oficial, o GOI teria enganado a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) ao declarar que compartilharia administrativamente o território italiano com a GLRI — algo que, posteriormente, teria sido negado publicamente pelo próprio Grão-Mestre Stefano Bisi.
“Ela enganou a Grande Loja Unida da Inglaterra com a farsa da partilha territorial”, afirma o documento citado por fontes maçônicas norte-americanas.
A artimanha exposta e o início do efeito dominó
O editor do jornal Giornalia, Andrea Pirastu, afirmou que a decisão americana era aguardada há anos por especialistas em direito maçônico internacional.
“Havíamos destacado as muitas inconsistências no reconhecimento britânico. O secretário da Confederação das Grandes Lojas Americanas deixou claro que o assunto era muito sério. Agora é fácil prever um efeito bola de neve”, disse Pirastu.
Segundo analistas, a decisão do Alasca pode desencadear uma cascata de desreconhecimentos em outras Grandes Lojas dos Estados Unidos e da América do Norte, tradicionalmente rigorosas na observância dos Antigos Deveres e das regras de regularidade.
O grupo "Amigos" composto por Paul Engheham (à direita), Simon Cusens (ao centro), Stefano Bisi (à esquerda)
O ponto central: exclusividade territorial e contradições constitucionais
O cerne da controvérsia está no Artigo 2º da Constituição do Grande Oriente da Itália, que afirma explicitamente que o GOI:
“representa a única fonte legítima de autoridade maçônica em território italiano e nas relações com comunhões estrangeiras”.
Esse princípio implica exclusividade territorial absoluta, tornando incompatível qualquer coexistência com outra obediência nacional reconhecida internacionalmente.
Entretanto, em março de 2023, a UGLE restabeleceu o reconhecimento do GOI sem retirar o reconhecimento da GLRI, impondo uma inédita condição de “consentimento mútuo” entre as obediências — criando, na prática, uma coabitação forçada no território italiano.
Para juristas maçônicos, isso criou um “condomínio maçônico” em violação direta à própria Constituição do GOI, que nunca teria sido formalmente alterada pela Grande Loja, o órgão soberano da obediência.
Decisões de cúpula e exclusão da base
Outro ponto crítico é que as decisões teriam sido tomadas sem consulta aos Veneráveis Mestres e aos irmãos das lojas, mas apenas por decisões de alto nível entre Grão-Mestres e Conselhos.
Especialistas afirmam que essa prática fere o princípio tradicional de soberania da Grande Loja, pilar fundamental da regularidade maçônica.
Acusações contra Stefano Bisi e Paul Engeham
Fontes ligadas ao Giornalia sustentam que o então Grão-Mestre Stefano Bisi e o Grão-Chanceler da UGLE, Paul Engeham, teriam arquitetado a estratégia de reconhecimento duplo, posteriormente negada publicamente por Bisi diante da Confederação das Grandes Lojas Americanas.
“A artimanha foi exposta e severamente punida, sem possibilidade de apelação”, afirmou Pirastu.
Consequências internacionais: Londres e o risco de isolamento
A decisão do Alasca soma-se a sinais de uma iminente declaração de desautorização por parte da própria UGLE, além de posicionamentos críticos de outras potências maçônicas europeias, como a Grande Loja Suíça ALPINA.
Se Londres decidir retirar o reconhecimento do GOI, a GLRI de Fabio Venzi pode se tornar a única obediência italiana reconhecida pela Inglaterra, cenário que marcaria uma virada histórica na maçonaria do país.
Vitória estratégica para Fabio Venzi
Para o Grão-Mestre da GLRI, a decisão americana representa um marco histórico, pois revoga pela primeira vez o veto informal do GOI ao reconhecimento da GLRI pelas Grandes Lojas norte-americanas.
Analistas afirmam que Venzi pode agora usar o documento do Alasca como instrumento diplomático junto a Londres e outras potências maçônicas.
Declínio da “era Bisi”
A crise atual soma-se a outras controvérsias envolvendo o GOI, incluindo decisões judiciais civis na Itália e acusações de violações da ética maçônica internacional.
Para observadores, o episódio marca um ponto de inflexão na história recente da Maçonaria italiana, com impactos que podem redefinir o mapa da regularidade maçônica na Europa.
O que vem a seguir
Especialistas preveem:
Novas declarações de Grandes Lojas americanas
Pressão sobre a UGLE para uma posição definitiva
Reconfiguração do reconhecimento internacional na Itália
Se o “efeito bola de neve” se confirmar, a Maçonaria italiana poderá enfrentar a maior crise institucional desde o Inquérito de Córdoba nos anos 1990.

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