Sanções de Donald Trump aprofundam a pior crise econômica cubana desde a Revolução de 1959
O embargo de 64 anos imposto pelos Estados Unidos contra Cuba está prestes a se tornar ainda mais rigoroso. O governo do presidente Donald Trump interrompeu o fornecimento de alimentos e bebidas alcoólicas a cerca de 27 mil pessoas e cortou aproximadamente 35 mil barris diários de petróleo venezuelano destinados à ilha.
Além disso, Washington ameaçou impor tarifas a países que tentem preencher essa lacuna, ampliando o isolamento econômico de Havana.
Crise sem precedentes desde 1959
A perda do petróleo ocorre em um momento crítico. Cuba enfrenta sua pior crise econômica desde a Revolução de 1959, com apagões constantes, escassez de alimentos, queda nas reservas de moeda forte e falta de combustíveis.
Trump afirmou ter oferecido um acordo ao governo cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, e disse que negociações estão em andamento. No entanto, o regime enfrenta uma escolha difícil: aceitar reformas políticas exigidas pelos EUA ou reforçar a repressão para se manter no poder.
Limites legais e pressão política
O embargo foi formalizado na Lei da Democracia Cubana de 1992 e reforçado pela Lei de Liberdade e Solidariedade Democrática de 1996, que impõe limites às concessões que qualquer presidente americano pode oferecer.
A comunidade cubano-americana, politicamente influente e majoritariamente republicana, também exerce forte pressão sobre a política externa dos EUA.
Cuba não é a Venezuela
Especialistas alertam que Cuba apresenta desafios diferentes da Venezuela. A ilha não possui grandes reservas de petróleo nem riqueza mineral significativa, e uma mudança de regime não traria grandes vantagens econômicas imediatas para os EUA.
Apesar de suas relações com Rússia, China e Irã, Cuba não é considerada uma ameaça direta à segurança nacional americana, tornando a política atual amplamente ideológica — um resquício da Guerra Fria.
O regime e seus dilemas internos
Após mais de seis décadas de governo dos irmãos Castro, o Estado cubano foi moldado pelo Partido Comunista e pelas Forças Armadas Revolucionárias (FAR), que controlam setores estratégicos como turismo e finanças.
Díaz-Canel, um burocrata do partido escolhido para suceder Raúl Castro em 2018, governa sob a sombra do legado revolucionário e enfrenta dificuldades para implementar reformas.
Relatórios não confirmados indicam que Alejandro Castro, filho de Raúl Castro, atua como negociador informal do regime com os EUA.
Sociedade fragmentada e êxodo histórico
Décadas de repressão fragmentaram a sociedade civil cubana. Desde a Revolução, entre 2 e 3 milhões de cubanos emigraram para os Estados Unidos, Espanha e América Latina.
Esse êxodo funcionou como válvula de escape para o regime, mas criou uma poderosa diáspora politicamente ativa nos EUA.
Objetivos de Washington e riscos políticos
A comunidade cubano-americana espera há décadas o colapso do regime comunista e uma transição democrática semelhante à do Leste Europeu. Isso representa um risco político para Trump, que enfrenta pressões internas para manter o embargo.
A legislação americana exige, entre outras condições, a libertação de presos políticos, a restauração das liberdades civis e a realização de eleições multipartidárias antes de qualquer suspensão do embargo.
Riscos de instabilidade e conflito
Analistas alertam que um colapso do regime pode provocar revoltas populares, migração em massa e até confrontos envolvendo cidadãos americanos, aumentando a pressão por intervenção militar.
Um jogo de blefe entre Washington e Havana pode gerar consequências mais perigosas do que as observadas na Venezuela, dada a proximidade geográfica e a coesão do regime cubano.
Linha do tempo da crise
1992: Embargo formalizado na Lei da Democracia Cubana.
1996: Lei Helms-Burton reforça sanções.
2020s: Crise econômica profunda com apagões e escassez.
2026: Governo Trump corta petróleo venezuelano e endurece sanções.
📌 Análise internacional e fontes: especialistas em política externa e legislação dos EUA.
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