AMANHÃ, PARA ONDE VAMOS?



Ao início deste artigo, registro agradecimentos aos maçons, cunhadas, sobrinhos e amigos que me prestigiaram no dia 23 de agosto, comparecendo à sessão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, quando recebi o título de Cidadão Carioca. Entre eles conterrâneos goianos e maçons, Secretário Chefe do Gabinete Militar do Governo de Goiás, representando o governador Marconi Perillo, Coronel Adailton Florentino, o Coronel Victor Dragalzew, representando a Loja Maçônica João XXIII, Conselheiro Federal do GOB, José Ricardo Roquette e Múcio Bonifácio, Presidente da Assembleia Federal Maçônica.

No dia seguinte, já como cidadão carioca, em companhia de minha companheira Vera Lúcia Brandão Barbosa, fomos conhecer o Museu do Amanhã. Nave viva, ideia de magnitude emanando de um globo suspenso no átrio de entrada. Uma elevação sobre a Baía de Guanabara e o bailado da cobertura seguindo o sol em ritmo imantado. É um museu de perguntas e possibilidades, do mundo contemporâneo e do caminho entre o hoje e o amanhã. Propõe-se a imaginar como vamos viver daqui para frente, mostra como ocupamos o planeta. O Amanhã ajuda a responder o título deste artigo, “Amanhã, para onde vamos?”

Construído ao lado da histórica Praça Mauá, projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, com cerca de 30 mil metros quadrados, jardins, espelhos d’água, ciclovia e área de lazer. O prédio tem 15 mil metros quadrados, utilizando água da Baía de Guanabara na climatização, reutilizada no espelho d’água. Inspirado pela paisagem da zona portuária e da Baía de Guanabara. No telhado, grandes estruturas de aço que se movimentam como asas. Considerado de terceira geração, que destina-se a expor as mudanças, perguntas e a exploração de possibilidades futuras para a humanidade.

A visita ao Museu provoca sentimentos diferentes. Dúvida, incerteza, abalo, empatia e até mesmo esperança podem se alternar naqueles que compreenderem o recado da narrativa, que no fim, quer mesmo a alienação sobre os desafios da existência no século XXI, concluindo que é preciso fazer alguma coisa rápido. Logo. Hoje.

Entrei em estado de muita reflexão e preocupação sobre os estudos e conclusões nos textos gravados artisticamente em paineis, registrando aqui alguns.

“Maior parte da população futura nascerá em regiões de pobreza”. “Habitaremos um mundo com escassez de recursos naturais”. “Primeira pessoa que chegará aos 150 anos já pode ter nascido”. “Mais pessoas e maior longevidade”. “Transformações no clima global”. “Muitas espécies talvez não suportem as alterações ambientais”. “Nossas escolhas energéticas resultarão em mudanças climáticas suaves ou extremas”. “Seres híbridos, ao mesmo tempo naturais e artificiais, se tornarão comuns”.

“O futuro não está pronto e acabado. A cada dia, a cada escolha, o rio do Tempo se abre sobre um delta de Amanhãs possíveis. O curso que a realidade irá seguir depende cada vez mais de nós, como atores do Antropoceno, na construção do porvir. Sabemos que a única certeza sobre o futuro é que haverá o inesperado, mas as Ciências nos indicam as grandes tendências que muito provavelmente moldarão as próximas décadas: seremos ainda mais numerosos, com alguns vivendo por muito tempo; habitaremos um mundo mais urbano e interconectado, porem mais desigual; experimentaremos intensas modificações do clima e alterações da biodiversidade; entenderemos aceleradamente as fronteiras do conhecimento; multiplicaremos tecnologias para aplicá-las a nossos corpos, mentes e vidas. Como sociedade, como seres vivos, como humanos, nosso desafio comum será o de inventar rumos, rotas e caminhos para navegarmos entre o que somos hoje e o que poderemos vir a ser. Curiosidade, espírito e imaginação: e o que precisamos para nos lançar ao mar”.

A cada sala científica, de conhecimentos e de evolução acontecida e que deverá acontecer, vamos nos conscientizando de que o Amanhã pode ser difícil para as próximas gerações, que dependem muito de nós neste momento. Registro mais um texto reflexivo do Museu do Amanhã.

“A humanidade não vive isolada da natureza. Estamos inseridos em enormes teias de biodiversidade, ecossistemas variados, complexos e delicados. Cada tonelada de gás carbônico lançado na atmosfera, cada hectare desmatado, cada área de mineração aberta, tem consequências. É como uma gota na superfície de um lago: ao cair, inicia um processo que afeta todo o sistema. Nossas ações alteram a biodiversidade, a estabilidade climática, a oferta de recursos naturais e até a vida de outros humanos. Em nome da produção máxima e do lucro desmedido, poluímos, desmatamos e consumimos levando o planeta ao limite e colocando nossa própria civilização em risco. Se no Antropoceno deixamos marcas irreversíveis na Terra, também devemos repensar forma como nos relacionamos com o planeta, com as espécies que o compartilham conosco e com os outros humanos com quem vivemos em sociedade”.

“A transformação do conhecimento humano será cada vez mais acelerada no Amanhã. Hoje, podemos apenas vislumbrar alguns dos caminhos pelos quais a engenhosidade humana nos conduzirá. Vivemos em um mundo altamente conectado, onde a computação e a inteligência artificial alcançarão níveis impensáveis. Biologia sintética, robótica, nanotecnologia, entre outros campos, podem abrir portas para infinitas possibilidades. Poderemos, inclusive, iniciar a colonização de novos mundos! Mas como estará o nosso próprio planeta? A poluição e os impactos da ação humana podem levar o ambiente alem do seu limite de renovação. O crescimento descontrolado das zonas urbanas pode multiplicar as megalópoles e suas extremas desigualdades. A intolerância e a ganância poderão perpetuar a violência, a segregação e a exploração. Como será o futuro que criaremos? Qual é o papel de cada um de nós na construção do Amanhã?

Vale a pena passar horas e horas no Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro, cada um que visita sai preocupado, mas consciente de que somos construtores do futuro pelas nossas ações atuais. E com este texto final, sugiro conhecer o Museu do Amanhã. Meditemos também, com possíveis leituras em grupos e nas Lojas Maçônicas.

“Nossas ações, por menores que pareçam, são capazes de mudar o mundo. A cada momento, fazemos escolhas sobre os nossos modos de vida. Se nos conectarmos com o planeta e uns com os outros, seremos uma ponte para um futuro sustentável. Cada um de nós faz o seu Amanhã. E juntos fazemos os nossos – os Amanhãs que queremos”.

Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil - barbosanunes@terra.com.br


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Editor Luiz Sergio Castro