A MAÇONARIA E A RELIGIÃO ESPÍRITA

Por Ruy Silva Barbosa
A Maçonaria é uma Instituição, que acolhe seus adeptos crentes ao Criador e livres, de bons costumes e por uma Iniciação. O Espiritismo é Ciência, Filosofia e Religião.
A Maçonaria é Religiosa, Política (não partidária), Social e tem um vínculo com a Filantropia. No entanto, ela não é uma Religião, pois seus princípios a tornam bem próxima de todas as Religiões e seus fundamentos básicos permitem, que sejam aceitos adeptos de todas as religiões, não tolhendo os pensamentos de nenhum interessado. Não é política já disse, uma vez que não aceita discussão de política partidária em suas reuniões, mas almeja sempre o bem estar da sociedade, que é ou deve ser o principal objetivo de um Governo.

Não é social, mas aproxima seus adeptos em reuniões, gerando amizades sólidas e exemplares, nunca esquecendo de lutar pelos Direitos Humanos.

Não é filantrópica, mas auxilia a Entidades de ajuda aos que necessitam sempre de forma discreta, seguindo a recomendação Bíblica de “fazer com a mão direita sem que a esquerda saiba”. A Maçonaria cultiva além de tudo isto, valores morais e cívicos desfraldando sempre a bandeira do Patriotismo.

O Espiritismo é uma Religião resultante da relação dos espíritos com o homem e segundo Allan Kardec é uma Ciência, que resulta em uma Filosofia, A Filosofia Espírita. Allan Kardec é denominado Codificador do Espiritismo.

Podemos sintetizar dizendo, que a prática do Espiritismo é Religiosa e a prática da Maçonaria é ligada a graus iniciáticos dos Antigos Mistérios. Vale ressaltar, que enquanto o Espiritismo foi Codificado há pouco mais de 200 anos, a Maçonaria existe a cerca de 3000 anos.

Eles não se conflitam de forma alguma e as semelhanças estão na parte ética, moral e social, já que estão juntos no aperfeiçoamento do homem e no bem - estar da sociedade.

Enquanto a Maçonaria, com sua simbologia procura fazer com que seus adeptos desbastem a pedra bruta dentro de si mesmos, a Religião Espírita procura fazer a transformação moral pelo domínio de suas más inclinações.

No Brasil tivemos grandes espíritas maçons, onde destacamos Bezerra de Menezes (Presidente da F.E.B.), o Senador Quintino Bocaiuva, o jornalista Antônio da Silva Neto, os jornalistas Alcindo Guanabara e Dias da Cruz dentre outros.

No entanto fica no ar uma pergunta: Allan Kardec era Maçom?

Allan Kardec fora aluno de Pestalozzi. Antes de ser espírita dedicava-se ao estudo do magnetismo . Nasceu na França com o nome de Denizard Rivail. Escreveu vários trabalhos pedagógicos, tendo apresentado uma contribuição à Reforma do Ensino, sendo esta aceita pelo Governo Francês.

O professor Rivail como já vimos, teve sua fase notável como Educador, mas a partir de 1855, passou a dedicar-se aos problemas do espírito. Não apenas as causas, partiu das “mesas girantes” da tipologia e de outras formas de comunicação dos mortos.

Com o lançamento da obra “O Livro dos Espíritos” em 1857, marco basilar da Doutrina Espírita, desaparece o professor Rivail e surge ALLAN KARDEC.

Um ponto ainda não apurado em pesquisa histórica, está na obra de André Moreil, escritor Francês. Segundo Moreil, Allan Kardec teria pertencido à Maçonaria. O próprio Moreil não encontrou, por exemplo, o registro da iniciação maçônica, elemento principal de comprovação. A que Loja e em que época foi filiado. Moreil apresenta algumas analogias significativas, pois na época de Kardec, quase todos queriam ser maçons, já que era uma Instituição de muita força e projeção internacional. Napoleão III, bem como outros soberanos, fizeram parte da Ordem Maçônica e Kardec frequentou o círculo de Napoleão III. A divisa “Trabalho, Solidariedade e Tolerância”, que Kardec adotou e manteve no Espiritismo, lembra a trilogia da Revolução Francesa  Liberdade ,Igualdade e Fraternidade”. também usada pela Maçonaria.

Este é um raciocínio analógico, pois não há registros e não se faz provas por coincidências. A maior referência à Maçonaria, foi o fato de Allan Kardec ter empregado a expressão Grande Arquiteto, na obra “Céu e Inferno” quando se sabe, que esta é uma expressão Maçônica. Além do “Livro dos Espíritos”, ser um livro de forte conteúdo Maçônico.
Perguntado, o Dr. José Castellani, reconhecido estudioso da Maçonaria, se Allan Kardec havia sido Maçom, teria respondido: “Alguns biógrafos de Kardec dizem que foi membro da Grande Loja da França há mais de 20 anos”. Diante de consulta, apenas foi respondido, que consta fora iniciado ali, mas que não tem documentos comprobatórios. Portanto, historicamente a dúvida continua. Entretanto, em quase todas as obras por ele escritas na parte inicial, existem muitos termos do jargão e da doutrina Maçônica.
As Grandes religiões da Abril Cultural, citam no fascículo 58, que Rivail antes de se tornar o Codificador do Espiritismo, teria pertencido à Grande Loja Escocesa de Paris e seus paramentos estão depositados na “Sociedade de Direitos Humanos de Paris”. Inclusive o fascículo registra uma fotografia, do que teria sido os paramentos maçônicos de Rivail.

Conforme vimos, a Maçonaria e a Religião Espírita caminham no mesmo sentido. O combate à injustiça, a luta a favor da cultura, da justiça; a luta contra os preconceitos e a procura do bem - estar social, fazem com que as duas Instituições, tenham objetivos muito próximos. Quanto a se o Codificador do Espiritismo foi Maçom tudo indica que sim embora não haja comprovação documental.

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Editor Luiz Sergio Castro