O TRONCO DOS TEMPLÁRIOS E A MAÇONARIA

Por Ir.'. José Maurício Guimarães
Quando escrevi o artigo sobre a Maçonaria, a educação e o processo civilizatório, fiz questão de deixar claro, para que os afoitos e entusiastas não entendessem equivocadamente, Educação Formal com "educação de berço" ou bons modos. Apesar disso, os comentários de alguns leitores ainda insistiram em que "a boa educação vem do berço". Sim, concordo ‒ a educação no sentido de bons modos e formação do caráter nasce também no berço; mas a Educação Formal depende das escolas. Noutras palavras: o processo se dá por graus de avançamento, assim ‒ educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e/ou ensino técnico, ensino superior, licenciatura/bacharelado, pós-graduação, especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado ‒ etapas transmitidas por escolas e professores. Repito isso pela milionésima ducentésima quadragésima nona vez, desde aquela tese de minha autoria, apresentada na XLI Assembleia Geral Ordinária da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil-CMSB, intitulada "A Maçonaria e seu Envolvimento com as Causas Sociais e Educação" (Rio Branco ‒ AC, 5 a 11 de julho de 2012), referia-se à Educação Formal.

No mesmo documento tracei o paralelo entre a Educação (formal) e a Iniciação maçônica, ou seja: a formação do maçom pela leitura dos rituais, das instruções, das leis, dos regulamentos, atos, decretos, etc. Esse paralelo representa o maçom educando-se para educar; iniciando-se para depois iniciar e dirigir as instituições maçônicas. A palavra "educação" vem de ex+duco, e+ducare = "conduzir para fora" ‒ equivalente, eu disse, ao mito iniciático na caverna de Platão ‒ quando o homem esclarecido traz para fora, para a luz, aqueles que estão acorrentados na obscuridade. Claro que a escola sozinha não basta, tem que haver empenho e vontade de descobrir, de perguntar.
Não passa de interesse não confessado da classe política brasileira, nos fazer crer que educação é questão "de berço", pois assim transferem a responsabilidade do Estado para as mãos dos cidadãos que já arcam com pesados impostos que, se bem administrados, deveriam atender às causas sociais da saúde, da segurança, da educação, etc. (sobre segurança, vejam o anexo 1 abaixo).

UM EXEMPLO DESCONCERTANTE::
Quando eu dava meus primeiros passos na Maçonaria, assisti a uma instrução na qual um Mestre, com mais de trinta e três anos e seiscentos costados de Ordem, ensinou o seguinte sobre o TRONCO DE SOLIDARIEDADE (ou de beneficência):
- Chama-se tronco porque os antigos Templários escondiam seus dinheiros em troncos de árvores!
Lembro-me bem ‒ foi possível ouvir, naquela ocasião, todos os Templários mortos novecentos anos atrás darem ruidosas voltas em suas sepulturas e chacoalharem armaduras contra suas espadas enferrujadas.
A boa-vontade daquele instrutor fora, sem dúvida alguma, subsidiada por uma forte dose de criatividade. Certamente ele tivera excelente educação de berço, mas faltou-lhe o conhecimento dos fatos ou a lembrança do que aprendera na escola formal. Não o censuro; pois, de qualquer forma, ele me pôs com a pulga atrás da orelha. Corri atrás da explicação correta (dizem que é péssimo hábito meu) e encontrei, não o tesouro dos templários, mas os sentidos da palavra "tronco".
"Tronco", em Maçonaria, apresenta duas interpretação, sendo a mais correta delas a que tem origem na língua francesa: tronc, aquela sacola (ou cofre) onde são depositadas as ofertas nas igrejas (Le tronc des pauvres, segundo o Robert Dictionnaire, pg. 1366). Tronc é também "le tronc d'un arbre" (o tronco de uma árvore); mas o bom senso nos faz optar pelo primeiro significado ‒ ESMOLA ‒ e não pelo temerário esconderijo de riquezas templárias, um tronco de pau podre no meio da floresta situada entre Bouy, Nuisement, Fresnoy e Beaulieu.
A segunda interpretação está no Dicionário Houaiss da língua portuguesa: tronco é a incumbência ou compromisso de alguém; um encargo, obrigação. Neste sentido, a esmola (o tronco dos órfãos e das viúvas) seria uma alusão ao compromisso de caridade para com aqueles que se tornam deserdados do sustento material. Esta é a derivação a que chamamos "sentido figurado".
Tronco maçônico é também compromisso para com as causas sociais. Por exemplo: do meio ambiente (ver anexo 2 abaixo) depende o sustento material de uma nação.
Os textos maçônicos em português preservaram as duas modalidades: tronco de solidariedade e tronco de beneficência (ou bolsa de beneficência) que, se analisados, significam:
1) esmola de solidariedade ou esmola de beneficência (pleonásticos);
2) incumbência de solidariedade ou compromisso de beneficência, o que é mais condizente com o significado maçônico.
Citei este exemplo do tronco para: 1) tornar mais clara a necessidade de as instruções maçônicas serem aprimoradas e bem fundamentadas. O que for acrescentado no período de instrução ou quarto-de-hora de estudos, tem que ser comprovado. É preferível apenas ler com correção o texto das instruções do que se aventurar em interpretações de improviso, no achismo e nos falsos cognatos (palavras normalmente derivadas de outras línguas, com grafia semelhante, mas que têm significados diferentes); 2) incentivar os maçons mais jovens a desenvolverem, paralelamente ao processo iniciático, estudos complementares que os auxiliem na compreensão dos Graus simbólicos. Como escola, a Maçonaria só pode ser útil à sociedade na medida em que os maçons ENTENDAM de Maçonaria.
Ninguém é obrigado a saber tudo ou ter vastos conhecimentos; no entanto, ninguém deveria, por isso mesmo, inventar sobre coisas que não sabe.
Da mesma forma, deve-se exigir a máxima cautela quanto às imaginativas e sonhadoras "relações" entre os textos da Maçonaria e outras disciplinas, sejam elas científicas, históricas, ou mesmo ocultistas (metafísicas e/ou exotéricas): cabala, hermetismo, magia, etc. e as derivações do judaísmo (Torá, Tanakh, Talmud, Sefer Yetzirah...) dos Vedas, do Mahabharata, do Zend Avesta e outros. Todo conhecimento é necessário, útil e complementa nossos estudos desde que precedido e fundamentado em estudo comprovado dessas áreas, para que não sejam induzidos em erro nossos Aprendizes e Companheiros.
"O conhecimento incompleto é mais perigoso do que a ignorância: pau é pau; toco é toco, tronco é tronco."
...............


ANEXO 1: SEGURANÇA É QUESTÃO DE EDUCAÇÃO FORMAL
DADOS ALARMANTES ‒ resultado da falência do sistema educacional brasileiro:
Os países com mais cidades violentas no mundo:
1º) Brasil, com 16 cidades;
2º) México, com 9 cidades;
3º) Colômbia, com 6 cidades;
4º) Venezuela, com 5 cidades;
5º) Estados Unidos, com 4 cidades;
6º) África do Sul, com 3 cidades;
7º) Honduras, com 2 cidades;
8º) Guatemala, El Salvador, Jamaica, Haiti e Porto Rico, com 1 cidade cada um.

As cidades mais perigosas do Brasil, conforme a taxa de homicídios por 100 mil habitantes:
1º) Maceió, com  80 homicídios por 100 mil habitantes/ 5º lugar no ranking geral;
2º) Fortaleza, com 73 homicídios por 100 mil habitantes/ 7º lugar no ranking geral;
3º) João Pessoa, com 67 homicídios por 100 mil habitantes/ 9º lugar no ranking geral;
4º) Natal, com 58 homicídios por 100 mil habitantes/ 12º lugar no ranking geral;
5º) Salvador, com 58 homicídios por 100 mil habitantes/ 13º lugar no ranking geral;
6º) Grande Vitória, com 57 homicídios por 100 mil habitantes/ 14º lugar no ranking geral;
7º) São Luís, com 57 homicídios por 100 mil habitantes/ 15º lugar no ranking geral;
8º) Belém, com 48 homicídios por 100 mil habitantes/ 23º lugar no ranking geral;
9º) Campina Grande, com 46 homicídios por 100 mil habitantes/ 25º lugar no ranking geral;
10º) Goiânia, com 45 homicídios por 100 mil habitantes/ 28º lugar no ranking geral;
11º) Cuiabá, com 44 homicídios por 100 mil habitantes/ 29º lugar no ranking geral;
12º) Manaus, com 43 homicídios por 100 mil habitantes/ 31º lugar no ranking geral;
13º) Recife, com 37 homicídios por 100 mil habitantes/ 39º lugar no ranking geral;
14º) Macapá, com 37 homicídios por 100 mil habitantes/ 40º lugar no ranking geral;
15º) Belo Horizonte, com 35 homicídios por 100 mil habitantes/ 44º lugar no ranking geral;
16º) Aracaju, com 33 homicídios por 100 mil habitantes/ 46º lugar no ranking geral.

ANEXO 2: MEIO AMBIENTE É QUESTÃO DE EDUCAÇÃO FORMAL
Alerta divulgado por M. Thereza W.:
"Estão nos fazendo de bobos! É HOJE: ÁGUA É VIDA! NÃO AO LEILÃO!
Você já ouviu falar no AQUÍFERO GUARANI? É um dos maiores reservatórios de ÁGUA doce do mundo, ocupa uma extensão de terra de, aproximadamente, 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia do tamanho da reserva, ela tem capacidade para abastecer, de forma sustentável, cerca de 400 milhões de habitantes, com 43 trilhões de metros cúbicos de água doce por ano. A profundidade da reserva é de, aproximadamente, 1500 metros. No Brasil, está presente no subsolo dos seguintes estados: São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. em sua maior parte, em lençóis freáticos no subsolo de São Paulo e do Paraná. É água de ótima qualidade, capaz de abastecer toda a população brasileira durante 2500 ANOS.
Mas, ATENÇÃO: o Aquífero Guarani está EM RISCO. O governo pretende LEILOAR HOJE a exploração de gás de xisto, que fica abaixo do Aquífero. Pra extrair o gás, é necessária a injeção de um coquetel de centenas de produtos químicos para explodir rochas subterrâneas. Há gravíssimos riscos de CONTAMINAÇÃO de imensos volumes de água por enxofre, ferro, manganês, crômio e outros produtos. Foi apresentado um projeto do PSOL à Câmara para impedir o Leilão do governo que autoriza a exploração desse gás. Em 28/02/2014, a Câmara analisou o Projeto de Decreto Legislativo 1409/13, que susta normas do governo federal que garantiram a venda de blocos para exploração de gás natural e gás de xisto.
As normas que a proposta quer sustar são a Resolução 6/13, do Conselho Nacional de Política Energética; a Portaria 181/13, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); e o Edital da 12ª Rodada de Licitações para a outorga dos contratos de concessão, ocorrida em novembro de 2013.
A ANP arrecadou na 12ª rodada R$ 165,2 milhões em bônus de assinatura de contratos de concessão. Dos 240 blocos ofertados, foram arrematados apenas 72 para exploração de gás em terra, distribuídos em sete bacias. A Petrobras levou a maioria (49) sozinha ou em consórcio. Toda a atenção é pouca!"

SAIBA MAIS:
Da REUTERS, 19/12/2014 
"Rio de Janeiro - O Ministério Público Federal (MPF) de Presidente Prudente, interior de São Paulo, pediu a suspensão de licitação que liberou a exploração pela Petrobras e outras empresas de gás de xisto na bacia do rio Paraná, devido a impactos ambientais e prejuízos à atividade econômica regional.
A licitação foi realizada em 2013 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o MPF, a exploração do gás de xisto por meio da técnica chamada fraturamento hidráulico, que utiliza jatos de água para quebrar rochas sedimentares, pode gerar impactos ambientais.
Cinco dos blocos licitados estão no oeste paulista, na região dos municípios de Presidente Prudente, Andradina e Tupã. Além da ANP, a Petrobras e as empresas Petra Energia e Bayar Empreendimentos e Participações, que venceram a licitação, também são rés na ação civil pública.
De acordo com o MPF, os produtos químicos utilizados na extração do gás de xisto levam à contaminação do solo, ar e água, além de induzir abalos sísmicos.
Segundo o MPF, as principais atividades econômicas da região, a agricultura e a pecuária, também seriam afetadas pelo consumo excessivo de água para exploração do xisto. O MPF pede à Justiça Federal que os contratos de concessão para exploração do gás no oeste paulista sejam suspensos.
A liminar requerida também pretende que a ANP seja proibida de promover novas licitações de blocos para extração do gás de xisto por fraturamento hidráulico na região enquanto não houver a realização de estudos técnicos científicos que demonstrem a viabilidade do uso dessa técnica em solo brasileiro.

A ação é de autoria do procurador da República Luís Roberto Gomes, e pede multa diária de 500 mil reais para cada pedido descumprido caso haja deferimento da Justiça." [fonte : http://exame.abril.com.br/economia/noticias/mp-pede-suspensao-de-exploracao-de-gas-de-xisto-em-sp ]



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Editor Luiz Sergio Castro