As lições que o câncer me deixou

Por Delma silveira Ibias
Há pouco mais de 30 dias, quando realizava exames de rotina anual, tive diagnosticado um câncer de intestino ("adenocarcinoma", pouco diferenciado, no cólon sigmoide), um tumor maligno que já ocupava um terço do intestino grosso. No momento do diagnóstico, fui tomada pelo susto, fiquei desorientada, tive dificuldade de reorganizar o pensamento. Mas em seguida concluí: a morte é o que de pior pode me acontecer e a cura é mais uma chance de continuar levando esta vida que eu adoro, curto e amo de paixão.
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Sou uma pessoa que conquistou todas as coisas boas que a vida pode nos dar. Diante disso, optei pela segunda alternativa e iniciei uma árdua batalha, depois de noticiar à minha família e a colegas de trabalho. Enfrentei a maratona de consultas com diversos especialistas, cada um solicitando uma gama enorme de exames (laboratoriais, RX, tomografias etc.), concluindo, com a equipe médica, que deveria realizar a intervenção cirúrgica o quanto antes, o que veio a ocorrer exatamente, no trigésimo dia, após o diagnóstico.
Nesse período, procurei manter quase todos os compromissos agendados, inclusive congressos e viagens fora do Estado, dividindo a notícia, apenas com as pessoas muito próximas, pois não achei conveniente, naquele momento noticiar abertamente. Contudo, antes da minha internação, em 5 de dezembro, resolvi postar um depoimento no Facebook, relatando o ocorrido e alertando os amigos, da importância e da necessidade de se realizar os exames revisionais periódicos, pois eles são fundamentais e decisivos e podem salvar a sua vida.
É importante ressaltar que temos o hábito de imaginar “que conosco isso não acontece” ou, “que quem procura doença, acaba encontrando”.
Porém, alerto que, esses jargões populares são falaciosos, pois, no meu caso, como nunca senti qualquer sintoma e sempre fui uma pessoa muito saudável e ativa, possivelmente, quando viesse a descobrir o tumor, fosse tarde demais, pois como disse, ele já ocupava um terço do intestino e eu não sentia nada.
A cirurgia, longa e delicada, foi realizada pelo método de videolaparoscopia, com total sucesso e depois de permanecer oito dias internada, basicamente com soro e dieta líquida, tive alta com a observação da equipe médica de que a nota do meu pós-operatório, foi 10 com estrelinhas.
Estou bem ciente de que o tratamento ainda é longo e que só após o resultado da biopsia do material retirado na cirurgia, é que vou saber se terei que me submeter a sessões de quimioterapia ou não. Mas para essa segunda etapa, também, estou preparada para enfrentá-la com muita tranquilidade e energia positiva.
As duas principais lições que o câncer me legou foram: a primeira, que tenho muito mais amigos verdadeiros e queridos, do que as minhas estatísticas computavam; a segunda, que fica como alerta a todos: façam os exames revisionais periódicos, pois qualquer doença diagnosticada a tempo, pode salvar a sua vida, assim como, não tenho dúvida, salvou a minha.
Delma Silveira Ibias, advogada (OAB-RS nº 25.657), conselheira estadual, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-RS e vice-presidente do IBDFAM/RS – Instituto Brasileiro de Direito de Família RS.
dibias@redemeta.com.br
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Editor Luiz Sergio Castro