Abra o Olho

Em meados da década de 70, recém resgatado do exílio, o compositor Gilberto Gil foi convidado para fazer uma apresentação em determinado CAMPUS de São Paulo e ali nasceu "ao vivo" um dos seus mais brilhantes trabalhos com registro in loco. Entre outras provocações está a canção de título homógrafo ao textículo que ora lhes ponho para apreciação.
Gostaria de exaltar a qualidade obtida e indelével ainda hoje, tendo-se em conta a diferença tecnológica atual e a d'então. Claro, na base Rubão Sabino, com direito a canção de tema paterno (João Sabino) e com citação à sua aldeia; Perinho Albuquerque, "O" violão base mais refinado dos anos tropicalizados em duo absurdo com o próprio Gil, segundo alguns entendidos (sic) a melhor mão direita da falecida MPB.
Ah, o tema esta sendo usado para materializar um momento deste escrivinhador que, sob os auspícios do Dr A. G. (?)  e suas excelentes staffs, vem passando por um procedimento medicinal que premia a aplicação DENTRO do olho de uma certa injeção quase, também, homógrafa e homófona de certo antivirus, dai a canção do Gil como obra de fundo. É inevitável minha mente cantarola-la quando chega a minha hora de receber os preparativos cujo objetivo é, no desfecho, a furada...
Por conta de uma inesperada degeneração macular tenho que TER meu olho furado para meu próprio bem estar e manutenção de qualidade de vida. Que fazer se o refrão ordena melodioso que eu abra o olho para que caia aquela gota de colírio?
Abra o olho você também pois um diagnostico fora do previsto pode lhe furar o olho, no bom sentido...
Na labuta diária nem sempre nos apercebemos de que sem uma saúde boa de nada vale uma boa conta bancária, um bom emprego, uma linda e bem sucedida família, alias a primeira vítima, via de regra, caso algo fora do combinado nos venha ao encontro.
Nesse quesito nota 10 para a mulherada que enche os consultórios em busca do zelo próprio na mesma medida que enche as lojas de bolsas e sapatos, inclusive aproveitando uma coisa para exercitar a outra. E nos, que temos feito em nossa direção para desafogar o stress nosso de cada dia e nos prevenir do infortúnio? Elas quebram as vidraças e fazem seus periódicos seja do que for ou precisar sem ataques de frescura ou preconceito; nos, de maneira quase que absoluta, vamos deixando pra depois.
Responda rápido: quantas viúvas você conhece? E viúvos!?
Abra o olho

Quer ouvir?

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Editor Luiz Sergio Castro