Da Redação
A Maçonaria ensina que, dentro do Templo, todos
são Irmãos ou Irmãs, independentemente da profissão, da riqueza, da idade, da
posição social ou do prestígio que possuam no mundo profano. É um princípio
admirável: ao cruzar os limites do Templo, as diferenças exteriores deveriam
perder importância diante da fraternidade.
Mas, na prática, nem sempre é assim.
Basta observar determinados comportamentos para
perceber que antigas vaidades podem atravessar a porta do Templo junto com seus
proprietários. Títulos podem impressionar, cargos podem alimentar o ego,
condecorações podem transformar-se em símbolos de status e o malhete, que
deveria representar serviço e responsabilidade, pode acabar parecendo um
pequeno cetro.
É nesse momento que surge o problema.
Um Venerável Mestre não é superior aos demais
Irmãos. Ele exerce uma função. Um Grão-Mestre não se torna mais Maçom por
ocupar o mais alto cargo de uma Potência. Ele assume uma responsabilidade que,
como todas as demais funções, é temporária.
Hoje está no Oriente; amanhã estará novamente
entre as Colunas. Hoje recebe homenagens e usa suas insígnias; amanhã poderá
estar simplesmente entre seus Irmãos, sem qualquer distinção exterior.
E justamente por serem temporários, os cargos
deveriam funcionar como antídoto contra a vaidade.
O respeito deve ser
dirigido ao cargo e à responsabilidade que ele representa, não à vaidade
pessoal de quem o ocupa.
O tratamento fraternal e a linguagem de
igualdade assumem, nesse contexto, um significado profundo. Dentro da Loja,
ninguém deveria se curvar ao dinheiro, ao diploma, à profissão, à influência
política ou à posição social de outro Irmão.
Mas dizer "meu Irmão" não é
suficiente para construir fraternidade.
É possível utilizar um tratamento informal
enquanto se alimenta desprezo por alguém. É possível defender a igualdade
enquanto se formam grupos fechados e panelinhas. É possível ostentar símbolos e
condecorações enquanto se permanece dependente do reconhecimento alheio.
A verdadeira igualdade maçônica manifesta-se
nas pequenas atitudes.
Ela aparece quando ouvimos com atenção um Irmão
sem cargo. Quando recebemos um Aprendiz com respeito. Quando aceitamos que um
Maçom mais jovem possa ter uma ideia melhor que a nossa. Quando reconhecemos
que uma função recebida não nos torna superiores a ninguém.
Talvez o verdadeiro teste da humildade maçônica
comece justamente quando termina a sessão.
Alguns deixam o malhete sobre a mesa e voltam
naturalmente à condição de Irmão entre Irmãos. Outros parecem ter dificuldade
para abandonar o poder simbólico que o cargo lhes proporcionou.
Mas nenhuma função maçônica é propriedade de
quem a exerce.
Ela é confiada,
exercida, transmitida e, finalmente, devolvida.
O malhete não é uma coroa. Uma faixa, um cordão
ou uma condecoração não constituem título de nobreza. São símbolos que deveriam
lembrar ao Maçom suas responsabilidades, e não alimentar sua superioridade.
O nível, símbolo tão importante da igualdade,
perde seu significado quando aqueles que o contemplam não conseguem praticar
aquilo que ele representa.
Por isso, deixar de lado os metais e adornos
antes de entrar no Templo não significa apenas esvaziar os bolsos. Significa
também tentar deixar do lado de fora a necessidade de reconhecimento, o desejo
de poder, a vaidade, o status social e o orgulho.
Porque todas as decorações serão, um dia,
guardadas.
Todos os cargos chegarão ao fim.
Todos os títulos serão esquecidos.
E, quando tudo isso desaparecer, restará apenas
aquilo que realmente deveria importar: o
Irmão diante de outro Irmão.
Talvez essa seja uma das maiores lições da
Maçonaria: os cargos passam, as funções terminam e os símbolos são retirados.
Mas a fraternidade deveria permanecer.
No final, talvez nenhuma palavra seja mais
importante do que aquela que nos recorda nossa essência comum:
"Meu Irmão."
Se essas duas palavras já não forem suficientes
para lembrar a igualdade que deve existir entre os Maçons, nenhum título,
nenhum cordão, nenhuma condecoração e nenhum cargo será capaz de fazê-lo.
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