Da Redação
A adesão da Grande Loja da Escócia ao Conselho
da Maçonaria representa um importante avanço na união institucional da
Maçonaria britânica. Criado em 2024, o Conselho reúne agora a Grande Loja Unida
da Inglaterra (UGLE), a Grande Loja da Escócia, a Ordem das Mulheres Maçons
(Order of Women Freemasons – OWF) e a Honorável Fraternidade dos Antigos Maçons
(HFAF), passando a representar a maior parte da Maçonaria da Grã-Bretanha.
O objetivo do Conselho é permitir que essas
organizações atuem de forma coordenada em assuntos de interesse comum,
especialmente na defesa da imagem da Ordem, na promoção de projetos
beneficentes, no fortalecimento do relacionamento com a sociedade e no combate
à desinformação que, nos últimos anos, voltou a atingir a Maçonaria britânica.
Ao contrário do que foi divulgado por alguns
veículos de comunicação, o Conselho não é um órgão governamental. Trata-se de
um fórum permanente de cooperação entre Grandes Lojas independentes, criado
para coordenar iniciativas institucionais e responder, com uma única voz, às
questões que afetam a Maçonaria na Grã-Bretanha.
Sua criação foi motivada, principalmente, pelo
crescimento do sentimento antimaçônico em determinados setores da imprensa e
por medidas adotadas por órgãos públicos, em especial pela Polícia
Metropolitana de Londres (MET).
Recentemente, a MET passou a exigir que seus
policiais declarem formalmente sua condição de maçons, sejam membros atuais ou
antigos da Ordem. A filiação maçônica passou a integrar uma lista de
"associações declaráveis", ao lado de situações como condenações
criminais, atividades de investigação particular e jornalismo.
A medida foi amplamente criticada por
estabelecer um tratamento diferenciado aos maçons. Na prática, cria-se a
impressão de que a simples participação na Ordem representa um potencial
conflito de interesses, alimentando suspeitas sem qualquer base concreta.
Durante décadas, a Maçonaria britânica foi alvo
de inúmeras investigações destinadas a comprovar supostas práticas de
favorecimento entre policiais maçons, proteção a criminosos ou interferência em
investigações. Milhões de libras esterlinas foram gastos nessas apurações, mas
nenhuma delas conseguiu apresentar uma única prova que demonstrasse a
existência de uma organização secreta atuando dentro das forças policiais.
Apesar disso, parte da imprensa continua
reproduzindo narrativas que associam a Maçonaria a práticas de nepotismo,
favorecimento e influência indevida, contribuindo para manter preconceitos
históricos que há muito deveriam ter sido superados.
É justamente para enfrentar essa desinformação
que o Conselho da Maçonaria foi criado. Entre suas prioridades estão a
coordenação de ações beneficentes, o fortalecimento da comunicação
institucional, o incentivo ao ingresso de novos membros, especialmente nas
organizações femininas, e a divulgação dos valores que sempre caracterizaram a
Ordem: integridade, amizade, respeito e serviço à comunidade.
Outro aspecto importante é que o Conselho não
altera a identidade nem a regularidade das organizações participantes. A Grande
Loja Unida da Inglaterra e a Grande Loja da Escócia permanecem obediências
exclusivamente masculinas, preservando integralmente suas tradições e
reconhecimento internacional. Da mesma forma, as organizações femininas
continuam desenvolvendo suas atividades com total autonomia.
O Conselho não representa uma unificação
administrativa ou ritualística. Trata-se apenas de um instrumento de cooperação
para enfrentar desafios comuns, preservando a independência de cada Grande
Loja.
A presidência será exercida em sistema de
rodízio anual entre os dirigentes das organizações participantes, garantindo
igualdade de representação e colaboração permanente.
Para a Maçonaria brasileira, essa iniciativa
oferece uma reflexão importante. Felizmente, em nosso país a Instituição
desfruta de elevado respeito e raramente enfrenta campanhas sistemáticas de
hostilidade semelhantes às observadas em alguns países europeus. Isso, porém,
não significa que esteja imune aos efeitos da desinformação.
Vivemos uma época em que notícias falsas e
interpretações distorcidas podem alcançar milhões de pessoas em poucos minutos.
Por isso, torna-se cada vez mais necessário comunicar à sociedade o verdadeiro
papel da Maçonaria, destacando seu compromisso histórico com a formação moral
de seus membros, a fraternidade, a filantropia e o serviço comunitário.
A experiência britânica demonstra que tradição
e transparência não são conceitos incompatíveis. Ao unir organizações
masculinas e femininas para defender princípios comuns, sem modificar suas
identidades, o Conselho da Maçonaria reafirma que a melhor resposta aos
preconceitos continua sendo a verdade, o diálogo e o exemplo de uma Instituição
que, há mais de três séculos, trabalha silenciosamente pelo aperfeiçoamento do
ser humano e pelo bem da sociedade.

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