Da Redação
O dia 14 de julho ocupa um lugar singular na
história francesa. Evoca tanto a Tomada da Bastilha em 1789, símbolo da queda
do regime arbitrário, quanto a Festa da Federação de 1790, que visava celebrar
a unidade da nação. Dois eventos distintos, mas o mesmo ideal: o de um povo que
decide se tornar o arquiteto do seu próprio destino.
Para os maçons, este dia não se resume a
desfiles, bailes públicos e fogos de artifício. Ele convida à reflexão sobre a
liberdade, a igualdade e a fraternidade — os princípios que sustentam nossa
República e que ressoam profundamente na esfera maçônica.
A Bastilha representava menos um poder militar
do que um símbolo: o de confinamento, poder irrestrito e liberdade de expressão
sufocada. Sua queda nos lembra que qualquer construção humana se torna frágil
quando se baseia na injustiça, no medo ou na ausência de diálogo. Mas derrubar
muros externos não basta. O processo iniciático nos ensina que também existem
Bastilhas internas: o preconceito, o orgulho, o fanatismo, a intolerância e a
recusa em reconhecer a dignidade do outro.
Liberdade não é a ausência de regras, nem o
direito de impor a própria vontade. É a capacidade de pensar por si mesmo, de
escolher com sabedoria e de assumir a responsabilidade por seus atos. Igualdade
não consiste em negar as diferenças, mas em reconhecer os mesmos direitos e a
mesma dignidade para todos. Quanto à fraternidade, ela permanece, sem dúvida, o
ideal mais exigente, pois requer que superemos nossas diferenças para
construirmos um futuro comum.
O dia 14 de julho também nos lembra que as
conquistas democráticas nunca são definitivamente asseguradas. A liberdade pode
enfraquecer diante da indiferença, a igualdade pode recuar diante do privilégio
e a fraternidade pode desaparecer sob o peso da divisão. Portanto, cabe a cada
cidadão, assim como a cada maçom, permanecer vigilante e continuar a construir
uma sociedade mais justa.
A República também é um templo inacabado. Suas
pedras são os cidadãos, suas colunas são as instituições e seu cimento
permanece a vontade de viver em conjunto. Cada geração recebe a
responsabilidade de continuar a obra, de reparar suas rachaduras e de legar uma
edificação mais sólida às gerações seguintes.
Celebrar o dia 14 de julho não se trata apenas
de comemorar uma revolução passada. Trata-se de renovar um compromisso
presente: combater a opressão, defender a liberdade de consciência, rejeitar a
discriminação e dar vida à fraternidade para além das palavras.
Os fogos de artifício se apagam na calada da
noite, mas a luz da liberdade deve continuar a brilhar. Ela só pode ser
preservada quando nutrida pela razão, pela justiça e pelo compromisso
inabalável de construir juntos.
Neste dia 14 de julho, lembremos que a
verdadeira revolução talvez comece dentro de cada um de nós, quando decidimos
derrubar nossos próprios muros para nos tornarmos seres mais livres, mais
justos e mais fraternos.
Fonte: GADLU.INFO
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