Buffalo Bill Cody: O Lendário Pioneiro Que Também Foi Um Dedicado Maçom

Da Redação

Poucos personagens representam tão intensamente o espírito do Velho Oeste americano quanto William Frederick Cody, mundialmente conhecido como Buffalo Bill. Explorador, caçador, batedor militar, empresário e artista, ele ajudou a construir o imaginário do Oeste que conquistou o mundo. Menos conhecida, porém, é sua profunda ligação com a Maçonaria, instituição à qual permaneceu fiel durante quase toda a vida.

Sua história demonstra que, por trás da figura lendária dos espetáculos de faroeste, existia um homem comprometido com os princípios da fraternidade, da honra e do serviço.

O último ato de uma lenda

Na tarde de 3 de junho de 1917, milhares de pessoas acompanharam o funeral maçônico de Buffalo Bill no cume de Lookout Mountain, próximo à cidade de Golden, no Colorado.

Cerca de quinze mil pessoas seguiram o cortejo até o local do sepultamento. Os irmãos da Golden City Lodge nº 1 conduziram o caixão pela íngreme trilha da montanha, prestando ao famoso aventureiro uma homenagem marcada pela solenidade e pela emoção.

Quando o caixão foi baixado à sepultura, o ritual maçônico chegou ao seu momento mais simbólico. Após a tradicional declaração de que a vontade de Deus havia sido cumprida, ecoou a resposta dos irmãos:

"Assim seja."

Em seguida, uma canção em homenagem ao velho explorador rompeu o silêncio, encerrando uma cerimônia que unia o respeito da Ordem ao reconhecimento popular por um dos personagens mais famosos da história norte-americana.

Da fronteira para o mundo

Buffalo Bill nasceu em 1846, em uma região que então fazia parte do território de Iowa. Sua infância foi marcada por dificuldades. A morte prematura do pai obrigou o jovem William a trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar a família.

Ainda adolescente tornou-se cavaleiro do lendário Pony Express, serviço de transporte de correspondências que atravessava milhares de quilômetros do Oeste americano. A habilidade adquirida montando cavalos em alta velocidade e enfrentando os perigos das grandes planícies contribuiu para formar o aventureiro que mais tarde conquistaria fama internacional.

Durante sua vida também atuou como batedor do Exército dos Estados Unidos. Em reconhecimento à coragem demonstrada em combate, recebeu a Medalha de Honra do Congresso. A condecoração chegou a ser revogada décadas depois por mudanças nos critérios legais, mas foi oficialmente restituída em 1989.

O homem que levou o Oeste aos cinco continentes

Em 1887, Buffalo Bill criou o espetáculo Wild West Show, uma produção que recriava cenas da conquista do Oeste americano com cavaleiros, indígenas, diligências e demonstrações de habilidade.

O sucesso foi extraordinário.

Durante quase vinte anos o espetáculo percorreu os Estados Unidos e a Europa, apresentando-se diante da Rainha Vitória, do Kaiser Guilherme II, dos reis Eduardo VII e Jorge V, além do Papa Leão XIII.

Milhões de espectadores assistiram às apresentações, transformando Buffalo Bill em uma das primeiras celebridades internacionais da era moderna e levando a imagem do Velho Oeste americano para todo o mundo.

Uma sólida trajetória maçônica

Embora sua fama estivesse ligada aos espetáculos e às aventuras, Buffalo Bill dedicou grande parte de sua vida à Maçonaria.

Aos 23 anos apresentou sua petição à Platte Valley Lodge nº 32, em North Platte, Nebraska. Foi iniciado em março de 1870, elevado ao grau de Companheiro poucos meses depois e recebeu o Grau de Mestre Maçom em janeiro de 1871.

Seu entusiasmo pela Ordem não terminou ali.

Em 1887 ingressou no Capítulo do Real Arco, recebendo sucessivamente os graus capitulares até tornar-se Maçom do Real Arco.

Pouco tempo depois foi admitido na Ordem dos Cavaleiros Templários, recebendo os tradicionais graus do Rito de York.

Em 1892 ingressou no Shrine, organização conhecida por seu trabalho filantrópico, especialmente no atendimento hospitalar infantil.

Dois anos mais tarde ampliou ainda mais sua formação maçônica ao receber, em um único dia, todos os graus do 4º ao 32º do Rito Escocês Antigo e Aceito na Jurisdição Norte dos Estados Unidos.

Sua vida maçônica foi tão intensa quanto sua carreira pública.

Um irmão lembrado pela fraternidade

Mesmo sendo um dos homens mais famosos de sua época, Buffalo Bill jamais abandonou sua condição de irmão maçom.

Quando faleceu em Denver, em janeiro de 1917, vítima de insuficiência renal, a Ordem fez questão de prestar-lhe todas as honras tradicionais.

Quase um século depois, membros da Golden City Lodge nº 1 voltaram a reunir-se junto ao seu túmulo para uma emocionante reconstituição da cerimônia fúnebre. Cavaleiros Templários formaram guarda de honra enquanto os símbolos tradicionais da Maçonaria — as rosas e os ramos de acácia — eram novamente depositados sobre o local de descanso do velho explorador.

A cerimônia atraiu turistas e curiosos, muitos dos quais aproveitaram a oportunidade para conhecer melhor a relação entre Buffalo Bill e a Maçonaria.

Um legado que permanece vivo

William Frederick Cody entrou para a história como um dos maiores símbolos da expansão do Oeste americano. Sua figura ajudou a construir o imaginário dos cowboys, das grandes planícies e das aventuras que marcaram a formação dos Estados Unidos.

Entretanto, sua herança vai além dos espetáculos que encantaram milhões de pessoas. Sua longa participação na Maçonaria revela um homem que valorizava a fraternidade, o aperfeiçoamento pessoal e o compromisso com os princípios da Ordem.

Ao visitar seu túmulo em Lookout Mountain, de onde se avista a imensidão das Grandes Planícies, é fácil compreender por que sua memória continua despertando admiração. Ali repousa não apenas uma das maiores lendas do Velho Oeste, mas também um irmão que viveu intensamente os ideais maçônicos e cuja história permanece inspirando novas gerações de maçons em todo o mundo.

 



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