A Maçonaria é uma perda de tempo… para quem não compreende o tempo


Uma afirmação provocativa, quase desconcertante: sim, a Maçonaria pode ser uma perda de tempo — ao menos para aqueles que buscam apenas lucro imediato, que medem tudo pelo rendimento material e que confundem velocidade com profundidade.

Mas antes de aceitar ou rejeitar essa ideia, é preciso fazer uma pergunta essencial: o que, de fato, significa “perder tempo”?

Vivemos em uma sociedade orientada pela eficiência, pelo lucro e pela gratificação instantânea. Tudo aquilo que não gera retorno financeiro, poder ou reconhecimento rápido tende a ser visto como inútil. Nesse contexto, o que faz um maçom parece, à primeira vista, incompreensível: ele frequenta a Loja sem receber nada em troca, participa de rituais cujo valor não pode ser mensurado, escuta mais do que fala, reflete, duvida, aprende e, sobretudo, questiona a si mesmo. Ele dedica tempo ao aperfeiçoamento do invisível: o próprio ser.

Entre o utilitarismo e o sentido da vida

Sob uma ótica estritamente utilitarista, isso pode parecer um desperdício. O filósofo Jeremy Bentham associava utilidade ao prazer e à ausência de dor, enquanto John Stuart Mill refinou essa ideia ao distinguir prazeres superiores — intelectuais e morais — daqueles puramente materiais.

Jeremy Bentham

Ainda assim, a sociedade contemporânea tende a priorizar o imediato em detrimento do duradouro, a distração em vez do significado, o conforto em vez do crescimento. Sentar-se por horas refletindo sobre fraternidade, ética e propósito pode parecer menos atraente do que consumir conteúdos rápidos diante de uma tela.

  • Mas, afinal, é inútil buscar ser uma pessoa melhor?
  • É inútil cultivar a tolerância em um mundo dividido?
  • É inútil trabalhar pela melhoria moral do indivíduo como caminho para uma sociedade mais justa?

Quando ampliamos o conceito de utilidade, a resposta se transforma.

O tempo como instrumento de transformação

A Maçonaria não promete riqueza, poder ou sucesso imediato. Em vez disso, oferece um caminho lento, exigente e, por vezes, desconfortável — porém profundamente transformador.

Ela cria um espaço raro onde ainda é possível:

  • pensar, em um mundo que desaprendeu a pensar;
  • dialogar, em um mundo que grita;
  • construir, em um mundo que apenas consome.

Aqueles que buscam ganhos materiais podem sair frustrados. Mas aqueles que buscam progresso interior encontram algo mais valioso: ideias, amizades sinceras e a oportunidade de contribuir para algo maior que si mesmos.

A verdadeira riqueza do maçom é invisível. Ela se manifesta:

• na qualidade do seu discernimento;

• na profundidade de seus vínculos;

• na capacidade de agir com sabedoria.

O verdadeiro significado de “perder tempo”

Refletir sobre o sentido da vida pode parecer perda de tempo. Cultivar a fraternidade pode soar ingênuo. Buscar a verdade pode parecer improdutivo.

Mas qual é o valor de uma vida repleta de atividades úteis e vazia de significado?

O tempo é o único recurso verdadeiramente insubstituível. Dinheiro pode ser recuperado, posições podem ser reconquistadas, bens podem ser reconstruídos — mas o tempo, uma vez perdido, jamais retorna.

Portanto, a questão central não é se a Maçonaria consome tempo, mas como cada indivíduo escolhe utilizá-lo.

É possível frequentar a Loja sem transformação alguma — participar de reuniões sem reflexão, acumular graus sem progresso interior. Nesse caso, sim, ela se torna uma perda de tempo.

Mas, para aqueles dispostos a se questionar, a lapidar sua “pedra bruta” com paciência e perseverança, o tempo dedicado à Maçonaria deixa de ser perdido: torna-se tempo reencontrado, tempo elevado, tempo que constrói.

A Maçonaria não desperdiça tempo — ela apenas revela quem está disposto a não desperdiçá-lo.

 Fonte: GADLU.INFO


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