Trump ameaça controle sobre Cuba: “Posso fazer o que quiser”

  


As já delicadas relações entre os Estados Unidos e Cuba entraram em uma nova e perigosa fase após declarações contundentes do presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou esperar ter a “honra” de “tomar Cuba de alguma forma”. As falas, feitas em meio a negociações diplomáticas entre os dois países, provocaram forte repercussão internacional e aumentaram o clima de instabilidade no Caribe.

Retórica agressiva em meio a negociações

As declarações de Trump ocorreram justamente quando Washington e Havana tentam abrir um canal de diálogo para reduzir décadas de hostilidade. Segundo relatos, o presidente afirmou que poderia “fazer o que quiser” com Cuba, sugerindo diferentes cenários — desde uma intervenção direta até uma eventual “libertação” da ilha.

A retórica ocorre em um momento particularmente sensível, já que os dois países mantêm relações historicamente adversas desde a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, que rompeu com a influência norte-americana na ilha.


Pressão por mudança de regime

De acordo com reportagens internacionais, os Estados Unidos estariam pressionando pela saída do atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, como condição central nas negociações. A proposta, no entanto, é vista por Havana como uma clara tentativa de interferência em seus assuntos internos — algo historicamente rejeitado pelo governo cubano.

Díaz-Canel tem reiterado que qualquer diálogo deve ocorrer com base no respeito mútuo, na soberania nacional e na autodeterminação dos povos — princípios que Cuba considera inegociáveis.

Crise energética agrava cenário

A escalada política acontece em paralelo a uma grave crise econômica e energética na ilha. Um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA — intensificado após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro — interrompeu o principal fornecimento de combustível a Cuba.

Sem receber carregamentos há meses, o país enfrenta racionamentos severos de energia. A situação chegou ao limite com o colapso recente do sistema elétrico nacional, deixando milhões de cubanos sem eletricidade e paralisando grande parte da economia. (Reuters)


“Cuba pode ser a próxima”

Em declarações adicionais, Trump sugeriu que, após ações recentes envolvendo o Irã e a Venezuela, Cuba poderia ser “a próxima” na agenda estratégica dos Estados Unidos. A fala reforça o temor de uma possível escalada geopolítica na região.

Historicamente, porém, Washington evitou uma invasão direta da ilha desde o acordo firmado durante a Crise dos Mísseis de Cuba, quando EUA e União Soviética chegaram a um entendimento para evitar um confronto nuclear.

Um futuro incerto

O atual cenário combina pressão política externa, crise econômica interna e instabilidade social — um conjunto explosivo que coloca Cuba em um dos momentos mais críticos de sua história recente.

Enquanto os Estados Unidos endurecem o discurso e ampliam as sanções, o governo cubano resiste às pressões e insiste em preservar sua soberania. No meio desse embate, a população enfrenta escassez, apagões e um futuro cada vez mais incerto.

O desfecho dessa crise ainda é imprevisível, mas uma coisa é clara: o mundo volta a olhar com preocupação para o eixo Washington-Havana, onde qualquer passo em falso pode ter consequências globais.


Esse artigo é baseado em matéria de Daniel Trotta - Repórter da Reuters, publicada no site Agência Brasil


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