Reflexão sobre liderança, responsabilidade e espírito de serviço na Loja Maçônica
Da Redação
Na Maçonaria, poucos cargos são tão simbólicos quanto o de Venerável Mestre. Para muitos, ele representa o auge de uma trajetória iniciática, uma espécie de coroação natural após anos de presença e dedicação à Loja. Porém, essa visão, embora comum, é profundamente equivocada.
Ninguém se torna Venerável Mestre apenas por “estar lá há muito tempo”. Antiguidade não é sinônimo de competência. Tempo não substitui preparo, maturidade e capacidade de liderança.
O Oriente não é uma medalha. É uma posição de serviço exigente, exposta e, muitas vezes, ingrata.
Antiguidade não é competência
Uma Loja que confunde antiguidade com competência corre um risco silencioso e grave: produzir Veneráveis Mestres por repetição, não por mérito. O resultado costuma ser previsível:
- Sessões mornas e sem vitalidade;
- Tensões mal administradas;
- Debates sufocados;
- Irmãos desmotivados e exaustos.
O Venerável Mestre não é um ornamento ritualístico. Ele é o eixo da harmonia, o guardião do método, o mediador dos conflitos e o inspirador do trabalho simbólico.
Como se forma um verdadeiro Venerável Mestre
Treinar um futuro Venerável Mestre não é complexo, mas é exigente. Basta colocá-lo para trabalhar.
Confiam-se responsabilidades. Expõe-se o Irmão à realidade administrativa e humana da Loja:
- Organização interna;
- Equilíbrio entre tradição e inovação;
- Sensibilidades pessoais;
- Decisões difíceis;
- Conflitos inesperados.
Governar sem ter servido é governar pela teoria. E teoria, sem prática, não sustenta uma Loja viva.
O que observar em um futuro líder
Antes de confiar o Oriente a um Irmão, a Loja deve observá-lo atentamente. Perguntas essenciais precisam ser respondidas pela prática, não pelo discurso:
- Ele é um unificador ou um divisor?
- É calmo ou nervoso diante da pressão?
- É justo ou impulsivo?
- É capaz de dizer “não” quando necessário?
- É capaz de ouvir um “não” sem se ofender?
- Sabe permanecer em silêncio quando preciso?
- Tem coragem de agir com firmeza quando a Loja exige?
O verdadeiro líder não busca aplausos; busca equilíbrio.
O papel dos anciãos: proteger, não apenas celebrar
O papel dos Irmãos mais antigos não é apenas celebrar após o Oriente. Eles são guardiões da Loja.
Devem aconselhar, apoiar e, quando necessário, alertar contra o óbvio. Uma Loja madura precisa ter coragem de dizer:
“Agora não.”
“Você ainda não está pronto.”
Isso não é humilhação. É proteção institucional.
A Loja acima das ambições
Uma verdade deve permanecer central e inegociável:
A Loja vem antes das ambições pessoais.
O Irmão serve à Loja. Ele não a utiliza como palco, trampolim ou instrumento de vaidade.
Venerável Mestre: não uma promoção, mas um teste
O caminho ao Oriente não é uma promoção administrativa. É um teste iniciático de maturidade, caráter e espírito de serviço.
E esse teste começa sempre com uma pergunta silenciosa, mas decisiva:
Quem está pronto para servir sem se considerar o centro das atenções?
Publicado por Luiz Castro • Artigo de reflexão maçônica
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