O Mestre Maçom Enfrentando a Vaidade: A Humildade como a Verdadeira Pedra Filosofal

 


O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade.” 

— Ernest Hemingway

Na jornada iniciática, especialmente no grau de Mestre Maçom, existe um perigo sutil e constante: a vaidade. A iniciação eleva o espírito, mas também expõe o ego a títulos, cargos, joias e condecorações — símbolos que deveriam ser meios, mas que frequentemente se tornam fins em si mesmos.


Hierarquias simbólicas e o risco da superioridade ilusória

Os graus maçônicos são essencialmente simbólicos. No entanto, não são raras as vezes em que um grau é confundido com superioridade moral, intelectual ou espiritual. A hierarquia, na Maçonaria, existe como uma estrutura organizadora, permitindo que os mais experientes orientem os recém-iniciados e garantindo harmonia nos trabalhos.

Essa estrutura, porém, só tem valor quando serve ao propósito iniciático. Quando se transforma em dominação, condescendência ou autoridade permanente, ela perde seu significado e trai o espírito da Ordem.


Conhecimento não é sinônimo de sabedoria

Acumular informações não produz sabedoria automaticamente. É possível ler, estudar e escrever sem desenvolver compaixão, discernimento, tolerância ou intuição. A verdadeira sabedoria — a “pedra filosofal” interior — não é um repositório de dados, mas uma transformação do ser.

Mesmo na era da inteligência artificial e do avanço tecnológico, nada substitui a dimensão humana da transmissão iniciática: o Mestre que acompanha o Irmão, orientando-o em meio ao vasto oceano de informações.


O avental branco: símbolo da simplicidade essencial

A Maçonaria nos testa justamente porque somos sensíveis aos sinais exteriores. O Irmão verdadeiramente sábio é aquele que resiste à tentação de se definir por seus ornamentos e jamais esquece a brancura do primeiro avental: pureza de intenção, simplicidade interior e abertura espiritual.


Transmissão fraterna: uma construção horizontal

A formação iniciática não se baseia em um modelo vertical, onde um fala e o outro apenas obedece. Ela se constrói em diálogo constante, nível por nível, Irmão ao lado de Irmão.

O verdadeiro educador evolui com seu aprendiz, pois a aprendizagem é sempre uma troca. Fora das necessidades organizacionais, deve prevalecer a relação fraterna: sem condescendência, sem autoritarismo, mas com construção coletiva.


Compartilhar conhecimento: um dever moral

Além das legítimas questões de sigilo iniciático, a generosidade intelectual deve ser uma constante. Qual o valor de anos de estudo se tudo se resume ao benefício pessoal?

O conhecimento encontra sentido quando se torna serviço: esclarecer dúvidas, orientar Irmãos, contribuir para o crescimento coletivo.

A verdadeira humildade se expressa em palavras simples e sinceras:

“Meu Irmão, eu não sei... mas vou descobrir.”

Isso é mais digno do que o falso mistério ou o “você saberá no devido tempo” usado como cortina de fumaça.


Novos iniciados, uma Maçonaria destinada a evoluir

Os iniciados contemporâneos chegam com sólida formação intelectual, muitas vezes superior à de seus iniciadores. Eles não se contentam com respostas dogmáticas: buscam coerência, profundidade e transmissão autêntica.

O verdadeiro Mestre não teme essa exigência. Ele a acolhe como oportunidade para uma Maçonaria mais lúcida, vibrante e fiel à sua missão.


Conclusão: O nível contra a vaidade

O símbolo do nível nos lembra que todos somos iguais em essência: frágeis, transitórios, destinados ao pó comum. A humildade não rebaixa; ela purifica. É o alicerce sólido sobre o qual se constrói a Grande Obra interior.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”


Referência:
Mario Vasconcelos — A∴ R∴ L∴ Associação de Pesquisa Maçônica
Quatuor Coronati São Paulo – Nº 333
“O Mestre e a Luta Contra a Vaidade” (18/11/2019)



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