Cuba Sob Pressão: o Regime de 67 Anos Pode Cair Com Trump no Poder?




Da Redação

Há quase sete décadas, o governo comunista de Cuba resiste a crises, sanções, previsões de colapso e pressões externas. Desde a revolução liderada por Fidel Castro, em 1959, o regime sobreviveu à Guerra Fria, ao embargo econômico dos Estados Unidos e à queda de seus principais aliados internacionais.

Agora, porém, analistas e opositores afirmam que o país enfrenta sua maior ameaça em décadas: a estratégia agressiva do governo Donald Trump.

 Um regime que sobreviveu a tudo — até agora

Ao longo dos anos, diversas vezes se anunciou o fim do governo cubano. Quando Fidel Castro adoeceu e deixou o poder temporariamente, em 2006, muitos exilados em Miami comemoraram. As celebrações se repetiram quando ele renunciou definitivamente e, depois, com sua morte em 2016.

Mas o regime seguiu firme sob Raúl Castro e, posteriormente, Miguel Díaz-Canel. Mesmo após o colapso da União Soviética, que sustentava a economia cubana, o país resistiu ao chamado “Período Especial”, uma das piores crises econômicas de sua história.

 A nova pressão: petróleo, turismo e isolamento

O governo Trump intensificou a pressão econômica contra Havana, mirando os pilares que mantêm o país funcionando. Um dos golpes mais duros foi a interrupção do fornecimento de petróleo estrangeiro, essencial para transporte, indústria, agricultura e geração de energia.

A Venezuela, principal fornecedora de combustível em troca de serviços médicos cubanos, teve suas exportações suspensas após ações militares dos EUA. Além disso, Washington anunciou tarifas contra países que continuarem enviando petróleo à ilha, atingindo também o México.

Cuba produz apenas cerca de 40% do petróleo que consome, o que significa que a falta de importações pode paralisar o país — algo já refletido nos apagões frequentes e no colapso da infraestrutura elétrica.

 Turismo e remessas: outras fontes atacadas

Outro foco da estratégia americana foi reduzir o fluxo de dólares que entram na economia cubana. As restrições a viagens e sanções afetaram gravemente o turismo, setor que nunca se recuperou totalmente da pandemia de Covid-19.

Além disso, os Estados Unidos também tentam limitar as receitas obtidas por missões médicas cubanas no exterior, uma das principais fontes de divisas do país.

 Expectativas de colapso e promessas políticas

Líderes da diáspora cubana afirmam que autoridades americanas acreditam que o regime pode cair em breve. Segundo Marcell Felipe, dirigente de uma organização de exilados, há um plano em curso para uma Cuba “livre” antes do final de 2026.

Donald Trump afirmou recentemente que Cuba está em declínio e que os Estados Unidos mantêm conversas com figuras importantes do país. No entanto, o governo cubano nega qualquer negociação substancial e afirma que não aceitará interferência externa em suas políticas internas.

 Resistência interna e ausência de oposição organizada

Mesmo diante da crise, o governo cubano insiste que não há divisões internas e rejeita qualquer ideia de concessão política. Autoridades afirmam que as pressões dos EUA são injustificadas e imorais.

Especialistas, porém, alertam que, caso o regime caia, o país pode enfrentar um vácuo de poder. A maioria dos líderes oposicionistas foi presa, silenciada ou forçada ao exílio, e não existe uma liderança clara para uma transição.

 Estratégias opostas: abertura ou colapso?

Durante o governo Barack Obama, os EUA apostaram na abertura econômica e no diálogo diplomático como caminho para mudanças internas. As negociações secretas, mediadas pelo Vaticano e pelo Canadá, levaram à reaproximação diplomática e a um breve aumento do turismo.

Trump adotou a estratégia oposta: provocar um colapso econômico e social para forçar a queda do regime. Segundo analistas, Washington busca criar uma situação de pressão extrema, semelhante a uma crise de guerra, para extrair concessões políticas.

 Uma situação inédita na história recente

Historiadores afirmam que previsões sobre o fim do regime cubano já falharam muitas vezes. No entanto, desta vez, a situação é diferente. Cuba não conta com um grande aliado disposto a resgatar sua economia, como ocorreu com a Venezuela após o colapso soviético.

Para a historiadora Ada Ferrer, vencedora do Prêmio Pulitzer, o cenário atual é único: “Antes, sempre havia um benfeitor. Agora, não há ninguém”.

 O futuro incerto da Revolução Cubana

Com uma economia em colapso, infraestrutura deteriorada, êxodo em massa da população e pressão internacional crescente, Cuba enfrenta talvez o momento mais crítico desde 1959.

Se o regime cairá ou não sob a pressão de Trump ainda é incerto. O que parece claro é que a ilha vive um ponto de inflexão histórico, cujo desfecho pode redefinir o futuro político da América Latina.

Esse artigo foi baseado em matéria publicada no NY Times

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