Ameaças de Trump aos fornecedores de petróleo de Cuba colocam o México em posição delicada

Por Luiz Castro | Publicado em 10 de fevereiro de 2026

As recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países e empresas que fornecem petróleo a Cuba estão colocando o México em uma posição diplomática extremamente delicada. A histórica relação entre os dois países latino-americanos enfrenta crescente pressão de Washington, forçando a presidente Claudia Sheinbaum a um difícil equilíbrio entre interesses nacionais e tensões geopolíticas.

Pressão dos Estados Unidos sobre Cuba

Desde seu retorno ao poder, Donald Trump intensificou a política de linha dura contra o governo cubano, retomando sanções que haviam sido parcialmente flexibilizadas nos últimos anos. O foco atual são os fornecedores internacionais de petróleo, considerados vitais para a economia da ilha.

O governo americano sinalizou que poderá impor sanções secundárias a empresas e governos que continuarem a abastecer Cuba, uma estratégia destinada a pressionar o regime comunista por mudanças políticas e econômicas.

México entre dois aliados estratégicos

O México mantém uma relação histórica de solidariedade com Cuba desde a Revolução Cubana, marcada por uma política externa independente e pela defesa da não intervenção. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são o principal parceiro comercial mexicano e exercem enorme influência econômica e política sobre o país.

Essa dupla lealdade transformou-se em um dilema estratégico. Um alinhamento com Havana pode ser interpretado por Washington como desafio direto, enquanto um afastamento de Cuba pode ser visto como ruptura de princípios diplomáticos históricos do México.

Riscos econômicos e políticos

A dependência do México do mercado norte-americano torna as ameaças de sanções especialmente preocupantes. Mais de 80% das exportações mexicanas têm como destino os Estados Unidos, principalmente nos setores automotivo, energético e agrícola.

Uma escalada de tensões comerciais poderia gerar impactos econômicos significativos, enquanto a relação com Cuba continua sendo simbólica e estratégica para a política regional latino-americana.

O delicado equilíbrio de Claudia Sheinbaum

A presidente Claudia Sheinbaum enfrenta o desafio de manter a tradição diplomática mexicana de não intervenção e solidariedade regional, sem provocar uma crise com Washington. Analistas afirmam que o governo busca uma postura pragmática, evitando confrontos diretos com os Estados Unidos, enquanto preserva canais de cooperação com Havana.

Internamente, a política em relação a Cuba divide a opinião pública mexicana. Setores progressistas defendem a manutenção do apoio à ilha, enquanto grupos empresariais e conservadores defendem maior alinhamento com Washington.

Implicações para a América Latina

O episódio destaca a crescente polarização geopolítica na América Latina, onde governos enfrentam pressão para escolher entre alinhamento com os Estados Unidos ou aproximação com governos socialistas. A postura do México pode influenciar outros países da região que mantêm relações com Cuba.

As ameaças de Trump também reacendem debates sobre soberania nacional, sanções unilaterais e o papel dos Estados Unidos na política hemisférica.

Um teste para a política externa mexicana

Segundo análise do New York Times, a situação representa um teste decisivo para Claudia Sheinbaum, que precisa conciliar pragmatismo econômico, tradição diplomática e pressões internas. A forma como o México responder às ameaças americanas poderá redefinir sua posição no cenário internacional e seu papel diplomático na América Latina.


Fonte: New York Times

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