Um olhar
íntimo sobre as sombras da irmandade
Por Alice Dubois
(*)
No universo discreto
e simbólico da Maçonaria, onde homens e mulheres se reúnem em busca do
aperfeiçoamento moral e espiritual, existe um fenômeno pouco discutido, porém
recorrente: a maçonofobia vivenciada por algumas esposas de maçons. Trata-se de
uma aversão que não nasce do desconhecimento externo, mas do convívio diário
com os efeitos que a Ordem pode produzir dentro do lar.
Este artigo,
fundamentado em depoimentos anônimos de cônjuges, estudos sociológicos e
análises de especialistas em relações familiares, propõe uma reflexão
equilibrada. Não se trata de uma condenação da Maçonaria, mas de um convite ao
diálogo sobre os limites entre a vida iniciática e a vida conjugal.
1. Ciúme em
lojas mistas: quando a fraternidade gera insegurança
Um dos motivos mais
citados pelas esposas é a participação dos maridos em lojas mistas, onde
convivem com “Irmãs” — mulheres frequentemente descritas como inteligentes,
carismáticas e, em alguns casos, solteiras. Estudos sociológicos indicam que
uma parcela significativa das esposas manifesta ciúmes relacionados a essas
interações, interpretadas como uma cumplicidade que ultrapassa o campo
ritualístico.
O sigilo
característico da Maçonaria intensifica esse sentimento. A ausência de
informações claras favorece a imaginação e a insegurança emocional. Psicólogos
especializados em terapia de casal apontam que esse ciúme nasce, muitas vezes,
da sensação de exclusão: a esposa percebe a Ordem como um espaço privilegiado
de vínculos profundos, do qual ela não participa.
2. Tempo
“roubado”: quando a Loja ofusca a vida conjugal
Outro fator
recorrente é o tempo excessivo dedicado à Maçonaria. Reuniões semanais, estudos
simbólicos, redação de trabalhos, encontros informais e eventos festivos acabam
ocupando espaços que, na expectativa das esposas, deveriam ser compartilhados
com a família.
O paradoxo se
acentua entre maçons aposentados. O tempo livre, que poderia fortalecer a
convivência conjugal, é frequentemente canalizado para a Ordem, percebida como
uma “segunda vida”. Esse desequilíbrio gera frustração e a sensação de abandono
emocional, levando muitas esposas a associarem a Maçonaria à perda de
intimidade no casamento.
3. Falta de
cortesia e ingratidão percebida
As relações sociais
dentro da Loja também influenciam negativamente a percepção das esposas. Após
eventos ou encontros familiares, algumas relatam comportamentos considerados
grosseiros ou ingratos por parte de certos irmãos: falta de agradecimento, descortesia
e pouca consideração pela hospitalidade oferecida.
Pesquisas acadêmicas
sobre a dinâmica familiar em associações indicam que parte dos cônjuges percebe
os maçons como excessivamente centrados em si mesmos e nos rituais, em
detrimento das normas sociais comuns à vida familiar. A fraternidade,
idealizada dentro da Loja, pode parecer fria ou ingrata quando observada de
fora.
4. Sigilo,
finanças e mudanças de personalidade
Outros fatores
reforçam a maçonofobia. O sigilo maçônico, quando mal administrado, gera
sentimentos de exclusão e distanciamento emocional. Muitas esposas relatam
frustração por se sentirem estranhas dentro do próprio casamento, sem acesso a
uma dimensão importante da vida do companheiro.
O impacto financeiro
também é citado: mensalidades, viagens, eventos e contribuições podem pesar no
orçamento familiar, especialmente em lares sustentados por aposentadorias
modestas. Além disso, algumas esposas percebem mudanças na personalidade dos
maridos, que se tornam mais introspectivos, distantes ou excessivamente focados
em simbolismos, reduzindo o espaço para o diálogo cotidiano.
Conclusão:
rumo a uma Maçonaria mais inclusiva para o casal
A maçonofobia entre
esposas de maçons não é inevitável. Ela surge, sobretudo, quando o equilíbrio
entre o compromisso iniciático e a vida conjugal se rompe. A Maçonaria pode
enriquecer profundamente o indivíduo, mas precisa cuidar para não afastar
aqueles que caminham ao seu lado fora do Templo.
Algumas Lojas já
buscam soluções, promovendo eventos abertos aos cônjuges, palestras
explicativas e momentos de confraternização que desmistificam a Ordem. Há
também relatos positivos de esposas que, ao compreenderem melhor a Maçonaria,
passaram a apoiá-la.
Em última análise, os ideais maçônicos de tolerância, diálogo e fraternidade podem — e devem — estender-se ao ambiente familiar. A luz maçônica brilha para todos; às vezes, basta convidá-la a entrar em casa.
Fonte: 450fm
(*) Alice Dubois pratica
a Arte Real em lojas mistas há mais de 20 anos. Ela se dedica profundamente a
trabalhos filantrópicos e educacionais, promovendo os valores da fraternidade,
da caridade e da busca pela verdade. Participa ativamente das atividades de sua
loja e contribui para o diálogo e a troca de ideias sobre temas filosóficos,
éticos e espirituais. Como membro de uma fraternidade que transcende fronteiras
culturais e nacionais, trabalha pelo progresso da humanidade enquanto busca seu
próprio desenvolvimento pessoal e espiritual.

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