Maçons, ateus e secularistas promovem campanha contra visita do Papa Leão XIV à Espanha

Da redação



A visita do papa Leão XIV à Espanha, prevista para ocorrer em junho, tornou-se alvo de uma campanha organizada por entidades laicistas, ateístas e ligadas ao pensamento secularista. Sob o lema “Não estou esperando por você”, os grupos anunciaram mobilizações e manifestações públicas em Barcelona para coincidir com os eventos programados para a presença do pontífice no país.

Entre as organizações envolvidas na iniciativa estão a Europa Laica, os Ateos de Cataluña (Ateus da Catalunha) e a Fundação Francisco Ferrer y Guardia. As entidades afirmam que a visita do líder da Igreja Católica não deveria receber tratamento institucional equivalente ao de uma visita de Estado nem contar com recursos públicos para sua realização.

A Fundação Francisco Ferrer y Guardia, uma das principais articuladoras da campanha, leva o nome do educador, anarquista e maçom Francisco Ferrer y Guardia, personagem histórico controverso na Espanha do início do século XX. O atual presidente da instituição é Joan Francesc Pont Clemente, professor da Universidade de Barcelona e destacado membro da Maçonaria espanhola.

Iniciado na Maçonaria em 1984, Pont Clemente construiu uma longa trajetória dentro da organização. Foi membro da Loja Minerva-Lealtad nº 1 da Grande Loja Simbólica da Espanha, exerceu a função de grão-mestre adjunto da mesma obediência, participou da fundação da Loja Pedra Tallada nº 70 e presidiu o COMALACE, grupo de reflexão maçônica de âmbito europeu. Também ocupou o cargo de soberano grande comandante do Supremo Conselho Maçônico da Espanha, posição correspondente ao Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, considerado o mais elevado desse sistema maçônico.

Além de sua atuação maçônica, Pont Clemente também teve participação na vida política catalã, tendo sido candidato pelo Partido Socialista da Catalunha (PSC). O partido é o mesmo do atual prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, cuja administração tem promovido debates sobre alterações na nomenclatura de espaços públicos da cidade, incluindo propostas relacionadas a figuras históricas ligadas à Igreja Católica.

No manifesto divulgado pelos organizadores da campanha, os signatários afirmam que a Igreja Católica mantém posições consideradas incompatíveis com determinados direitos civis, especialmente em temas como aborto e eutanásia. O documento também critica a atuação histórica da instituição durante períodos turbulentos da história espanhola, particularmente em relação à Guerra Civil e ao regime do general Francisco Franco.

As entidades ainda apontam questões relacionadas à transparência institucional, à gestão de casos de abusos e à estrutura organizacional da Igreja, que classificam como excessivamente hierárquica e patriarcal.

Por outro lado, os defensores da visita destacam que o papa não exerce apenas a função de líder espiritual da Igreja Católica, mas também é o chefe de Estado da Cidade do Vaticano, circunstância que tradicionalmente confere caráter diplomático às suas viagens internacionais.

A manifestação convocada pelos grupos laicistas está prevista para a tarde de 9 de junho, em Barcelona, a poucos quilômetros do Estádio Olímpico, local onde deverá ocorrer uma vigília de oração com expectativa de reunir cerca de 40 mil fiéis.

O episódio evidencia a permanência do debate sobre o papel da religião no espaço público europeu, especialmente em sociedades cada vez mais plurais e marcadas pela convivência entre diferentes visões de mundo. Enquanto os organizadores da campanha defendem uma separação mais rígida entre instituições religiosas e o Estado, os apoiadores da visita papal ressaltam a relevância histórica, cultural e espiritual da presença do líder católico em um país cuja história está profundamente ligada ao cristianismo.

Esse artigo é basedado em materia publicado por Nicolas Cardenas no site https://www.acidigital.com/

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