Por Luiz Sergio Castro
Em pleno século XXI, no coração de Linhares,
Espírito Santo, há um lugar que carrega no nome uma promessa que não cumpre: a Casa
do Cidadão. O espaço, que deveria ser sinônimo de respeito, acolhimento e
dignidade, transformou-se em um exemplo vergonhoso de descaso com a população —
especialmente com os idosos, que enfrentam horas de espera e condições indignas
para exercer um direito básico: obter um documento de identidade.
O relato é estarrecedor. Para conseguir uma
simples carteira de identidade, o idoso precisa chegar antes das seis da manhã
e aguardar numa fila do lado de fora, em plena rua, sujeito ao frio, ao calor e
à chuva. A Casa do Cidadão distribui apenas 30 senhas prioritárias por dia —
número completamente insuficiente para a demanda de uma cidade do porte de
Linhares. Quem chega alguns minutos depois do amanhecer, simplesmente não será
atendido.
Foi o caso de um casal de idosos que, depois de
duas horas e meia de espera na fila, finalmente conseguiu uma senha. No
entanto, o calvário não parou por aí: foram mais cinco horas de espera dentro
do prédio, em um espaço apertado, abafado e sem estrutura. O local não possui
banheiro público e não oferece sequer um bebedouro, obrigando os cidadãos —
muitos deles com problemas de saúde — a suportar a longa espera sem o mínimo de
conforto e dignidade.
Mas a indignação não termina com o atendimento.
Após todo o sacrifício e desgaste físico, os idosos foram surpreendidos com a
informação de que deveriam aguardar 90 dias para retornar ao setor e verificar
se a nova cédula de identidade estaria disponível. Ou seja, depois de uma
verdadeira via-crúcis para conseguir ser atendido, o cidadão ainda enfrenta a incerteza
e a demora injustificável para receber um documento essencial.
É inadmissível que um órgão que carrega o nome
de “Casa do Cidadão” trate as pessoas dessa forma. A dignidade humana,
especialmente dos idosos, não pode ser reduzida a um número de senha, a uma
fila interminável e a uma espera de meses por um serviço básico. O poder
público municipal e estadual precisa, com urgência, rever o funcionamento e a
estrutura do serviço, ampliar o número de atendimentos diários, garantir acesso
prioritário real e oferecer condições mínimas de respeito e humanidade.
O que se vê hoje em Linhares é o retrato da
inversão de valores: um local criado para servir à cidadania, mas que se
transformou em um símbolo da falta dela.
Na Casa do Cidadão, o que menos se encontra é cidadania.
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1 Comentários
É um absurdo esse desgoverno, esse descaso . Cadê o prefeito e o governador?
ResponderExcluir... Um Absurdo. Cadê o prefeito e o governador? Que devem ter sido eleitos com promessas falsas,