A Maçonaria sempre exerceu um papel relevante na formação política e intelectual das sociedades onde se estabeleceu. No caso de Cuba, no início do século XIX, as lojas maçônicas se tornaram espaços de encontro dos setores mais liberais e ilustrados da ilha, desempenhando um papel importante na difusão de ideais iluministas e na luta por mudanças sociais e políticas. No entanto, essa influência despertou a desconfiança do Império Espanhol, levando à supressão das atividades maçônicas em 1824 por ordem do rei Fernando VII.
A Maçonaria em Cuba no Início do Século XIX
Durante o período colonial, Cuba era um dos territórios mais estratégicos do Império Espanhol. Além de ser um centro comercial e militar vital no Caribe, a ilha também se tornava um ambiente fértil para o crescimento de ideias reformistas e liberais. As lojas maçônicas, desde sua fundação no final do século XVIII e início do XIX, serviram como espaços de debate para temas como independência, direitos humanos e reformas sociais.
Os maçons cubanos estavam fortemente influenciados pelo pensamento iluminista europeu, além dos processos revolucionários ocorridos na América Latina e nos Estados Unidos. Muitos dos membros da Maçonaria pertenciam à elite intelectual da ilha, incluindo professores, escritores, comerciantes e militares que viam a fraternidade como um instrumento para fomentar mudanças e resistir ao domínio espanhol.
O Decreto de Fernando VII e a Supressão da Maçonaria (1824)
A presença da Maçonaria em Cuba não passou despercebida pelas autoridades coloniais e pela coroa espanhola. O rei Fernando VII, um monarca absolutista que se opunha ferozmente a qualquer movimento liberal, via com extrema preocupação a proliferação das lojas maçônicas, não apenas em Cuba, mas em toda a América espanhola. Para ele, a Maçonaria representava uma ameaça ao regime colonial, pois fomentava valores como liberdade, igualdade e fraternidade — princípios que inspiraram diversas revoluções no continente.
Diante do temor de que as lojas maçônicas servissem de base para conspirações separatistas, Fernando VII emitiu um decreto em 11 de março de 1824, determinando a supressão das atividades maçônicas em todo o império colonial espanhol. O decreto foi aplicado com severidade em Cuba, resultando no fechamento de lojas, perseguição a maçons e restrições à disseminação de ideias consideradas subversivas.
Consequências da Perseguição Maçônica em Cuba
A repressão contra a Maçonaria fez parte de uma estratégia maior de Fernando VII para conter os avanços do liberalismo em seus domínios ultramarinos. No entanto, a supressão das lojas maçônicas não foi capaz de impedir o crescimento dos ideais de independência e liberdade na ilha.
Mesmo clandestinamente, muitos maçons cubanos continuaram a se reunir e a conspirar contra o domínio espanhol. Ao longo do século XIX, a Maçonaria esteve diretamente envolvida nos movimentos independentistas cubanos, culminando na Guerra dos Dez Anos (1868-1878) e, posteriormente, na luta definitiva pela independência da ilha.
O decreto de 11 de março de 1824, assinado por Fernando VII, foi uma tentativa desesperada do regime absolutista espanhol de conter o avanço do pensamento iluminista e das aspirações separatistas em suas colônias. Em Cuba, essa perseguição não impediu a disseminação dos ideais maçônicos, que continuaram a influenciar a sociedade cubana e desempenharam um papel fundamental na luta pela independência.
A Maçonaria cubana, apesar da repressão, soube se reinventar e preservar seus valores fundamentais. O episódio de 1824 se inscreve na longa história da resistência da Maçonaria contra regimes opressores, reforçando seu papel como um espaço de liberdade de pensamento e transformação social.
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