CARTA DE LONDRINA


Ao finalizar duas Sessões de Pesquisas e Estudos, realizadas pela Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”, de Londrina, ocorridas, respectivamente, nos dias 14/03/02 e, continuadas, no dia 11/04/02, dada a importância dos debates sobre o tema CARIDADE MAÇÔNICA, proferido pelo Irmão Francisco de Assis Carvalho (Xico Trolha), solicitaram os presentes que fosse redigida uma Carta de Intenções, tendo os presentes solicitado que a mesma fosse publicada nas revistas e periódicos maçônicos de todo o País, onde fossem referidos os pontos básicos destas duas palestras, alertando Maçons e, especialmente, os Veneráveis e Hospitaleiros, sobre o uso correto do Tronco de Beneficência, bem como o teor da palestra, que foi específica em esclarecer o que vem a ser a Caridade Maçônica, enfocada pelo ilustre palestrante.

Em resumo, após a palestra e debates, os Irmãos presentes chegaram a algumas conclusões:

A Maçonaria atual está, em muitos aspectos, afastada dos seus valores antigos e tradicionais e, em especial, em certos usos e costumes, os quais foram, paulatinamente, sendo, através dos anos, totalmente distorcidos;
Sabe-se que a Maçonaria, desde que apareceu, conseguiu sobreviver, no mundo, sempre em condições adversas, sofrendo perseguições e que seus primeiros componentes se protegiam como Irmãos, quer física, quer financeiramente. Qualquer membro da confraria era defendido em todos os sentidos e, em caso de sua morte a família, viúva e filhos, eram assistidos, financeiramente, nos mesmos moldes das confrarias de pedreiros, das guildas e outras entidades afins. Em algumas destas organizações havia até auxílio funeral, além de outros atendimentos;
A Maçonaria não auxiliava profanos de forma alguma, somente os Maçons, seus verdadeiros confrades, seus Irmãos e suas famílias, através de caixas ou fundos arrecadados especialmente para este fim;
No início do século XX a Maçonaria brasileira, alguns anos após a Proclamação da República, já sem outras metas maiores naquele momento, começou a competir com a Igreja Católica, Espírita e, posteriormente, com as Igrejas Evangélicas, em matéria de caridade a profanos;
A maioria das Lojas, atualmente cerca de 95%, desenvolve uma forma amadorística de filantropia, onerando seus obreiros pagantes e eliminando, através das famosas Sessões de finanças, aqueles que estão em atraso, a maioria das vezes por dificuldades ocasionais. Temos perdido muitos Irmãos nestas circunstâncias. Se a Loja tivesse um Fundo de Reserva, estes Irmãos poderiam ser socorridos;
É uma situação até certo ponto cultural, um erro de avaliação, pois acabamos, no afã de ajudar o próximo, esquecendo de nós próprios;
É nossa intenção levantar este problema para que a Maçonaria Brasileira reflita, e que quem queira ser filantropo, ou que queira ajudar profanos, que o faça em seu nome. Deixe sua Loja de lado. Não faça caridade envolvendo a Loja, ou Irmãos.

A Loja é mais uma Escola, onde se aprende as grandes lições de vida que ela nos ensina e, dentre elas, justamente a caridade, a fraternidade, o amor e o auto-aprimoramento. Mas, como nossos recursos são poucos e a maioria dos Maçons brasileiros é de classe média baixa, não podemos fugir às nossas tradições de autoproteção. Temos que investir nisso. Temos que acordar e fazer uso da Carta de Londrina, como faziam os primeiros Maçons. Não são as ajudas mútuas que salvam situações. Toda Loja deve ter um fundo de auxílio.

Às vezes, um membro da família de um Irmão falecido (nosso Sobrinho, por exemplo) necessita estudar e não tem condições. Ficará o jovem entregue a sua própria sorte?

O tronco de beneficência não poderá, jamais, ser usado para reforma de templos, ou para orfanatos, ou creches profanas. É uma tradição que não está sendo respeitada. Estamos tentando este tipo de apelo para sensibilizar Irmãos e Lojas e até Potências para que reflitam sobre as exposições aqui feitas, no intuito de nos tornarmos fortes, criando fundos, com estatutos bem definidos, organizados de forma bastante transparente, com assistência jurídica bem orientada, registrados em cartório, etc., para que possamos atender a família enlutada de muitos Irmãos, com dignidade, amor e fraternidade que elas merecem.


Autor: Hercule Spoladore
Fonte: O ponto dentro do círculo
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Editor Luiz Sergio Castro