LIBERDADE E DEMOCRACIA

 Por Luiz Carlos Santana Barreira

Certa feita, sem poder comparecer a uma reunião, o encarregado de passar os trabalhos pediu que um irmão informasse que o tema do trabalho era DEMOCRACIA, esse irmão, ao chegar na sessão falou que o tema era LIBERDADE. Talvez os entendidos de psicologia expliquem melhor, se é que existe um termo técnico para essa confusão de palavras, mas tenho para mim que ocorre quando as pessoas memorizam o sentido, não a palavra em si. Para muitas pessoas, ambas as palavras têm seus significados entrelaçados quando se trata de qualquer agrupamento social. Não existe Democracia sem ampla liberdade.
Os muitos irmãos que, durante a juventude, trilharam os caminhos da Ordem DeMolay, ou mesmo acompanharam filhos e parentes trilhando esse caminho, assistiram em cada reunião ritualística daquela instituição a Democracia ser aclamada na forma de seus três pilares: as Liberdades Religiosa, Civil e Intelectual, nessa mesma sequência hierarquicamente postas. Não há liberdade Religiosa sem que haja a Liberdade Civil, e esta é condicionada, por sua vez, a uma ampla e irrestrita liberdade intelectual, o direito de pensar.
A mente humana é o espaço inviolável onde a ninguém é possibilitado penetrar sem consentimento. Quase tudo pode ser tirado de um homem, do seu patrimônio a sua vida, da sua liberdade a sua integridade física, mas, em seu pensamento ninguém pode impor qualquer espécie de limitação ou restrição.

Ao longo da história da humanidade vê-se uma constante busca pela liberdade e, por conseguinte, da democracia. Nesta caminhada muitos conceitos foram, por vezes, corrompidos. Durante o final do século XIX o senso comum da elite pensante de nosso país era que DEMOCRACIA seria um sinônimo de REPÚBLICA, em nome dessa quimera trocou-se um Monarca democrático por uma presidente tirano. O Século XX assistiu a diversos golpes de estado, genocídios e guerras feitas por pessoas que se proclamavam defensores da democracia. Até hoje, os Estados mais fechados do mundo ostentam o nome de “Democráticos”, a exemplo da República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida como Coréia do Norte, onde, como a zombar do nome oficial da pátria, seus habitantes não têm autorização nem para escolher livremente seu próprio corte de cabelo.

Democracia não pode ser associada a regimes, muito menos a pessoas. Democracia é sinônimo de respeito. Respeito a diferenças, respeito a todas as pessoas e suas ideias por mais que estas contrariem as nossas. Mantendo o respeito, a qualquer pessoa é dado o direito de discordar do que quer que seja, afinal, como já falamos, o pensamento é espaço inviolável de cada um.

Em qualquer tentativa de atribuir a alguém o status de defensor da Democracia, corremos o risco de que esta pessoa se ache no direito de, em nome da democracia, restringir direitos de outras pessoas que sejam consideradas “inimigas da democracia”.

Personificar uma instituição, ter a permanência de alguém por indispensável é o maior sinal de fracasso de qualquer administração em qualquer esfera. Um dos mais contundentes indicadores de sucesso de uma gestão é a tranquilidade com que o dirigente sai de cena, é a suavidade da transição. Alternância de poder é oxigênio da democracia, quem, já tendo tido oportunidade de governar, faz de tudo para retornar ao poder a qualquer custo é uma ameaça a própria sobrevivência do país, estado, cidade ou instituição. Por mais que se julguem únicos e insubstituíveis, podemos aqui enumerar várias características em comum:

a) São incapazes de admitir a própria vaidade e apego ao poder, e, para escusar-se, alegam sempre que “o povo” pede para que eles continuem ou voltem;

b) São cercados de pessoas que exalam ódio no próprio olhar, que têm como principal atividade a crítica costumas aos adversários e, estão aliados por interesses escusos ou vaidade ferida ao não ver seus caprichos atendidos pelos opositores. Não raro, em tentativas de retomada de poder, esses hoje aliados estavam entre os mais ferozes críticos de sua administração;

c) Quando no poder, são tiranos, não toleram qualquer crítica e utilizam-se do cargo para perseguir e punir aqueles que julgam inconvenientes aos seus interesses;

d) Jamais recebem um sorriso afetuoso de um subordinado, e muito menos o distribui de forma sincera;

e) Nutrem uma grande inveja de seus adversários, mais pelo que são do que pelo que fazem; e

f) Se dizem defensores da lei, mas, na defesa de seus interesses são capazes de atropelar todo e qualquer entendimento contrário. O fiel da sua balança de legalidade é a sua própria conveniência. Sem qualquer constrangimento ou vergonha critica nos adversários as mesmas coisas que faz quando no poder.

A defesa da Democracia deve ser constante. É dever de todo homem de bem e, principalmente, de todo Maçom zelar pela liberdade ampla de todas as pessoas, bem como de seu direito de expor seus pensamentos e ideias.

O combate a todas as tentativas de usurpação de poder através de qualquer artifício ilegal deve ser rechaçada com vigor, legalidade e amor.

OBS: Qualquer semelhança com das características apresentadas com políticos brasileiros é mera coincidência


Fonte:York Blog 

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Editor Luiz Sergio Castro