MAÇONARIA OPERATIVA: A ORIGEM DA ARTE REAL

Por Ir.'. Lucas F. Galdeano
A Maçonaria Operativa, ou dos Construtores foi um período em que a Ordem Maçônica estava diretamente ligada à arte da construção e que teve o seu apogeu no século XIII. Também conhecida por Maçonaria de Ofício, resplandeceu na Idade Média, sob a influência espiritual da Igreja.
A Europa vivenciou, no período, efervescente demanda por construções de catedrais, igrejas, abadias, mosteiros, conventos, palácios, basílicas, torres, casas nobres, mercados e paços municipais. Pode-se afirmar que o continente possuía grande abundância de monumentos e construções arquitetadas e executadas por Maçons Operativos.
As principais obras da época incluem, dentre outras, a famosa Notre Dame de Paris, as Catedrais de Reims, de Estrasburgo, de São Pedro em Roma, de Sevilha, de Toledo, a Abadia de Westminster, o convento de Monte Cassino e o Mosteiro da Batalha.

Os primeiros documentos de grande importância para a Maçonaria – não por coincidência – surgiram nessa época. A Constituição de York, o Manuscrito Régius, o Manuscrito de Cooke, os Estatutos e Regulamentos da Confraria dos Talhadores de Pedra de Estrasburgo, o Regulamento de 1663 ou Leis de Santo Albano, o Manuscrito Harley, o Manuscrito de Schaw, o Manuscrito de Kilwinning, constituindo-se documentos que viriam compor a Maçonaria Moderna e que ficaram conhecidos como as “Old Charges”, denominação inglesa das Constituições Antigas.

As Old Charges ou Antigas Obrigações ou Antigos Deveres são escritos que se referem às Lojas e aos Regulamentos Gerais. Tais manuscritos ilustram os deveres, os segredos, os usos e os costumes dos Maçons Operativos e se constituem base da jurisprudência para a Maçonaria Moderna.

Credita-se o surgimento das Old Charges ao século XIV, á Inglaterra, porém é da Escócia que descendem as publicações dos primeiros documentos, a partir de 1600. O número dos manuscritos, conhecidos e reconhecidos como autênticos, ultrapassa 130.

A importância histórica das Old Charges reside no fato de terem sido fundamentais para o florescimento de uma Maçonaria organizada, principalmente na Inglaterra. Tal evento histórico ocorreu antes da fundação de um Sistema Obediencial e concorreu de modo marcante para a estruturação da Maçonaria Especulativa.

Alguns estudiosos apontam a Carta de Bolonha como o documento mais antigo dentre as Old Charges, entretanto, a esmagadora maioria dos pesquisadores afirma ser o Manuscrito Régius, também conhecido como Manuscrito Halliwell, grafado em inglês arcaico, com letras góticas sobre pele de carneiro, verdadeiramente o mais antigo.

O Halliwell compõese de 64 páginas, com 794 versos. Sua produção data da década de 1390, e teria sido cópia de um documento anterior. O autor é desconhecido, mas seu local de origem é Worcester/Inglaterra, fundada em 407 DC, segundo o historiador maçônico Wilhem Begemann.

Durante muito tempo o Manuscrito Régius foi considerado um poema sobre obrigações morais. Em 1840, todavia, estudos realizados por James Orchard Halliwell Phillips – antiquário inglês não maçom – comprovaram tratar-se verdadeiramente de um documento relativo à Maçonaria Operativa.

O trajeto percorrido pelo manuscrito, até ser descoberto como documento maçônico, é um tanto incerto. Especula-se que ele teria sido propriedade de vários antiquários e colecionadores. Adquirido pelo Rei Carlos II, integrou o acervo da Biblioteca Real. Em 1757, foi doado pelo Rei George II ao Museu Britânico e hoje se encontra na Biblioteca Britânica, fazendo parte da Coleção Real de Manuscritos – Royal Manuscript Collection.

O estudo das Antigas Obrigações propicia ao Maçom o conhecimento de suas origens e uma melhor visão de conjunto da instituição, revelando o que até então parecia obscuro sobre questões relacionadas à Ordem Maçônica.

Os Antigos Deveres compreendem a regulamentação da conduta moral dos maçons; os juramentos e compromissos; o amparo para casos de doença ou desemprego; os recursos à instância superior; o devotamento exigido para a obra a ser edificada; as bases do Conselho de Família; e a transformação das Lojas em grupos familiares maçônicos como instrumento racional de solução de problemas.

As Old Charges também tratam da implantação de uma saudável organização familiar como elemento básico para a aquisição de um bom e futuro obreiro; da prática do Tronco de Beneficência ou de Solidariedade; do socorro aos maçons nos seus problemas, inclusive com a Justiça; da polêmica questão sobre o “Livro da Lei”, não aceito naquela época como um “Livro Sagrado”, mas tão somente como o “Livro da Corporação”, ou seja, o Regimento da Oficina.

Tais documentos antigos expressam grande religiosidade. Temiase, naquele tempo, o inferno e é por essa razão que a Maçonaria teve vários padroeiros, como Severo, Severiano, Carpóforo, Vitorino (os Quatro Coroados), São Thomaz, São Luís, São Braz, Santa Bárbara e São João, que permanece em alguns Ritos Maçônicos até os dias de hoje. É importante salientar que ainda não havia citações sobre as Antigas Civilizações, como a egípcia e a grega. Essa influência mística só viria incorporar-se à Maçonaria no Renascimento.

No decorrer do tempo, a arquitetura sofreu transformações e as corporações de ofício perderam o monopólio do poder sobre artistas e construtores. No século XVII, quando os segredos da arte de construir grandes obras chegaram ao domínio público, ocorreu a desestruturação da Maçonaria Operativa. O seu declínio, contudo, teve início no final do século XIII, quando a demanda por construção de catedrais e outras obras de porte acursou arrefecimento considerável.

FONTE: http://www.freemasons-freemasonry.com/




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Editor Luiz Sergio Castro