A LENDA DE ENOQUE

Por Ir.'. Pedro Neves
Segundo a Lenda de Enoque, personagem bíblico, filho de Jafed, sexto descendente de Adão, que segundo a tradição, viveu no ano de 3.740 antes da era vulgar, e cujo nome significa em hebraico “o que muito viu, o que muito sabe”, conhecido pelos mulçumanos com o nome de Adris, que significa “sábio”. Ele teve um sonho e foi informado sobre o verdadeiro Nome de Deus, sendo-lhe proibido de divulgá-lo. Matusalém, filho de Enoque, construiu o templo sem conhecimento do sonho de seu pai, na terra de Canaãn, “terra Santa”, Matusalém foi pai de Lamech, que foi pai de Noé. No sonho, Enoque tomou conhecimento do castigo que seria imposto à humanidade, pelos pecados cometidos, o dilúvio.
Para que não se perdesse durante o dilúvio, o nome Inefável de Deus, ele o gravou em uma pedra triangular, pois, sobre a face da terra, só ele sabia a verdadeira pronúncia do Nome da Divindade.

Com o intuito de preservar o conhecimento das ciências e artes das civilizações da época, ele gravou em duas colunas, uma de bronze e outra de mármore, vários textos, para que, não se perdesse tal conhecimento. Na coluna de Bronze gravou também o Nome Inefável, e na coluna de mármore a sua verdadeira pronúncia.

Foi construído um subterrâneo com nove abóbadas, tendo depositado nesta última, o Delta luminoso com o Nome Inefável de Deus.

Acima das nove abóbadas, fechadas hermeticamente, foi erigido um Templo.

E Deus deu a Noé o plano para construir a Arca. O dilúvio teve lugar no ano de mil seiscentos e cinqüenta e seis, da criação, destruindo quase todos os portentosos monumentos da antiguidade. A coluna de mármore de Enoque foi destruída, porém, pela providência divina, a coluna de bronze resistiu ao poder das águas, e graças a isso, o conhecimento das artes e da maçonaria, daquela época, conseguiu chegar aos nossos dias.

A sagrada escritura nos ensina a história dos tempos que seguiram ao dilúvio, até a escravidão dos israelitas no Egito, de onde foram libertados por Moisés. Também sabemos, através de escritos depositados na Escócia, que durante um combate, se perdeu num bosque a Arca da aliança; que esta foi achada após ouvir os rugidos de um leão que se ajoelhou aos pés dos israelitas, depois de haver destruído um grande número de egípcios, que queriam dela se apoderar, cuja chave deixou cair de sua boca, este leão significa para nós, o emblema do pensamento, que se rebela contra a força, porém, permite a entrada da verdade. A divisa do grau “IN ORE LEONIS VERBUM INVENI”, quer dizer: - “Achei a palavra na boca do leão”, o que indica que devemos proclamar a verdade e mantê-la como principal qualidade de um povo civilizado.

Após o dilúvio, por estarem dentro da Arca construída por Noé, somente ele e sua família foram salvos, tendo se perdido o conhecimento de todas as ciências. Das colunas gravadas por Enoque, somente a de bronze não foi destruída, nela estava gravado o Verdadeiro Nome de Deus, mas, a sua pronúncia foi perdida com a destruição da coluna de mármore.

Por isso, se fala: Palavra perdida.

Poucos profetas e homens tiveram a honra de obter através de Deus, a verdadeira pronúncia de Seu nome, entre eles: Moisés, Samuel, Rei Davi e rei Salomão. Moisés recebeu a revelação no Monte Sinai, com a mesma proibição de divulgá-lo, tendo autorização para ensiná-lo apenas para seu irmão Aarão, que seria o maior sacerdote Hebreu. Deus disse a Moisés: “Eu sou o que sou e o que serei. Sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Tu dirás aos filhos de Israel que te mandei a eles. Eu sou o Senhor que apareceu a Abraão, a Isaac e Jacó, com o nome de Al-Shedi; porém, não é este o meu verdadeiro nome”. Moisés gravou em uma medalha de ouro o Nome e a pronúncia correta e guardou com outros objetos na Arca da Aliança.

O Nome só era pronunciado pelo Sumo Sacerdote dentro do “Sanctum Sanctorum”, e o povo deveria fazer barulho para não ouvir a sua pronúncia. A Arca da Aliança foi perdida em uma batalha contra os Sírios, tendo sido guardada por leões e recuperada posteriormente, e perdida novamente em batalha contra os filisteus, que fundiram a medalha com o Nome Inefável, e a transformaram num ídolo dedicado ao Deus Dagon. Esse foi um dos motivos pelos quais o Grande Arquiteto do Universo instruiu Sansão para que este praticasse seu último ato de força no templo dos filisteus em Gaza, pois esse era o templo de Dagon.

Na construção do Templo de Salomão, foram nomeados três intendentes, Adoniran, Stolkin e Joaben, para fazerem os levantamentos do local apropriado. Inconscientemente foi escolhido o local em que encontraram as ruínas do antigo Templo de Enoque. Descobriram os sucessivos alçapões das abóbadas, descendo em cada uma delas presos por cordas, encontrando o Delta Luminoso com o Nome Inefável, que não souberam decifrar, levaram-no, então, até a presença do Rei Salomão, que imediatamente reconheceu o Nome ali gravado.

Salomão, em homenagem ao trabalho executado, e a recuperação da pronúncia do Nome Inefável, lhes conferiu o título de nobreza e da ordem do Arco Real, sendo os seus primeiros integrantes: Salomão rei de Israel, Hiran rei de Tiro, Adoniram, Stolkin e Joaben.

A ritualística do grau refaz simbolicamente o encontro da Palavra Perdida, a busca pela Palavra e pela Luz é de cunho pessoal, ela é interna, cada um faz dentro de seu próprio templo.

Quando fazemos brilhar esta Luz, obtemos o poder de ministrar sacramentos, só então, podemos fazer sagração, só então poderemos ser Instalados no Trono de Salomão.

No Rito Escocês Antigo e Aceito, os graus treze (Santo Arco Real) e quatorze (Perfeito e Sublime Maçom), e no Rito Azul - York (O Past-Master e o Arco Real), são graus complementares.

Não se pode conceber que mestres Instalados, maçons do Real Arco ou mesmo, do grau 33 do REAA, desconheçam a lenda de Enoque.

A prece final de encerramento dos trabalhos do grau mostra bem o conteúdo da lenda, “Poderoso Soberano e Grande Arquiteto do Universo. Vós que penetrais no mais recôndito de nossos corações, acerca-te de nós para que melhor possamos adorá-lo, cheios de vosso Santo Amor. Guiando-nos pelo caminho da virtude e afastando-nos da senda do vício e da impiedade. Possa o selo misterioso imprimir em nossa inteligência e em nossos corações o verdadeiro conhecimento de vossa essência e poder inefável, e assim como temos conservada a recordação de vosso Santo nome, conservai também em nós o fogo sagrado de vosso santo temor, princípio de toda sabedoria e grande profundidade de nosso Ser. Permiti que todos nossos pensamentos se consagrem a grande obra de nossa perfeição, como recompensa merecida de nossos trabalhos, e que a união e a caridade estejam sempre presentes em nossas assembleias, para podermos oferecer uma perfeita semelhança com a morada de vossos escolhidos, que gozam de vosso reino para sempre. Fortalecendo-nos com vossa luz, para que possamos nos separar do mal e caminhar para o bem. Que todos os nossos passos sejam para glória e proveito de nossa aspiração, e que um grato perfume se desprenda do altar de nossos corações e suba até vós. – Oh! Jeovah! Nosso Deus. Bendito sejais, Senhor. Fazei com que prospere a obra feita pelas nossas mãos e, que sendo vossa justiça nosso guia, possamos encontrá-la ao término de nossa vida. Amém”.

O Mestre Instalado que não procura o aperfeiçoamento através da evolução nos diversos graus, que desconhece a Lenda de Enoque, jamais conhecerá a plenitude do grau, por isso, muitos acreditam que o Mestre Instalado não é um grau, que é só uma complementação do grau de Mestre, quando na verdade é um grau..

FONTE: RECANTO DAS LETRAS

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Editor Luiz Sergio Castro