O HOMEM É LOBO DO PRÓPRIO HOMEM? COMO SERÁ NOSSA VIDA EM 2070?

Artigo 215 do Sapientíssimo Ir.'. Barbosa Nunes*
Homo homini lupus”, é uma sentença latina que significa: “O homem é o lobo do homem”. Foi criada por Plauto, que viveu de 254 a 184 a.C. Foi popularizada, bem mais tarde no século XVII, pelo filósofo inglês Thomas Hobbes. Esta frase gerou e ainda gera muita polêmica. vejamos se ela se encaixa no momento em que vivemos, para concordar ou discordar do pensador. Os homens sempre precisaram da natureza, mas ela nunca precisou deles, pelo contrário, o homem é o maior predador da natureza.

Onde estão os rios e riachos de águas límpidas de nossos tempos que corriam entre matas e florestas, povoadas por animais e plantas? Pela ganância, em busca de riquezas, notoriedade, poder, capacidade de decisão sobre o destino da maioria, milhares de pessoas que não podem ser consideradas humanas, não relutaram em tirar do seu caminho qualquer inconveniente.

Vieram a motosserra, as grandes máquinas tombando árvores, para a retirada da madeira, terras férteis estão sendo usadas para campos imensos de plantações de cana e soja. Muitos dirão: “É a força do progresso”. Este progresso não pode ser o sinônimo da frase: “O homem é lobo do homem”.

O momento é de insegurança, violência, homicídios incontáveis, uso desenfreado de drogas, com muitos homens pedindo sua liberação total, mensagens as mais pornográficas possíveis entrando nos lares, destruindo as famílias e colocando na mente do adolescente uma imagem de vida corrompida.

Na saude, educação e segurança, vivemos em um Brasil extremamente capitalista, do lucro pelo lucro. Na maioria das vezes só tem boa segurança, saude e educação os privilegiados detentores de recursos suficientes para estes custeios.

No campo da corrupção privada e pública, o homem brasileiro é um perfeito lobo. Utiliza-se de todos os meios para atingir o seu objetivo material, amealhando fortunas, enriquecendo-se desde as longínquas prefeituras até o Poder Central.

O episódio da Petrobras, de repercussão internacional, humilha o nosso país. Dizem até que outros surgirão na mesma proporção ou até superiores. Estes homens que participaram na empresa privada e no poder público, são lobos na excelência do termo.

A ONU anunciou que a água no mundo estará reduzida em 40% no ano 2030. Vivemos a intranquilidade de a qualquer momento ter rodízio para uso da água e de energia elétrica. Penso que este lobo poderá levar o homem a uma situação imaginada e publicada em 2002 na revista biográfica “Crônicas de los Tiempos”, como se houvesse sido redigida por alguém vivendo no ano de 2070, isto é, daqui a 55 anos. Pode ser exagerada, mas se voltarmos 55 anos atrás, estaremos mais do que convictos de que o homem é lobo do próprio homem. Jamais pensávamos que chegaríamos a situação que ora vivemos.

 “Estamos no ano de 2070, acabo de completar 50, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos raspar a cabeça para a manter limpa sem água.

Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam “cuida da água”, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. 

Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado.

A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele causados pelos raios ultravioletas, pois a Terra já não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. 

As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário. Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas.

A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível.

Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores,o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozoides de muitos indivíduos. Como consequência, há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações. 

O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército. A água tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que o ouro ou diamantes. Não há árvores. Quase nunca chove, e quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atômicas e da indústria contaminante do século XX. Advertia-se que havia de cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando eu era jovem, descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, de quão agradável era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse.

Ela pergunta-me: Papai! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente. 

Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!"

Concluo novamente perguntando: O homem é lobo do próprio homem?


* O  Sapientíssimo Ir.'. Barbosa Nunes* é Grão-Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil
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Editor Luiz Sergio Castro