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| Alcy Ribeiro da Costa |
Ao assumir a missão de dissertar sobre
a data em que é comemorado no Brasil O DIA DO MAÇOM, declaro-me embevecido pelo
privilégio de poder fazê-lo perante os Obreiros desta e de outras Oficinas, muitos
dos quais altamente qualificados para interpretar de forma ampla e aprimorada, as
atividades então desenvolvidas pela Maçonaria, que resultaram na proclamação da
Independência do Brasil.
Renomados historiadores dão conta
dos múltiplos acontecimentos que se sucederam à tomada de decisão na Sessão extraordinária
das Lojas Maçônicas “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, no dia 20 de
agosto de 1822, no Rio de Janeiro. O elevado senso de brasilidade do honorável Maçom
Joaquim Gonçalves Ledo, fazendo sentir a necessidade de proclamar-se imediatamente
a Independência do Brasil, formulou moção nesse sentido, sendo a mesma aprovada
e registrada em ata no 20º dia do 6º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de
5822, interpretado como se fosse o dia 20 de agosto.Leia mais
A referida ata dessa reunião foi imediatamente
encaminhada ao Maçom D. Pedro I, que se encontrava viajando e, ao recebê-la as
margens do riacho Ipiranga, em 07 de Setembro, o Imperador proclamou a
Independência do Brasil, por encontrar o respaldo de que carecia e por
tratar-se de uma determinação emanada da maçonaria brasileira.
Assim, para os Maçons, a decisão assumida
em 20 de agosto, que resultou na proclamação da Independência do Brasil,
simboliza de modo inconteste a luta da Maçonaria pela liberdade de nosso país e
pelo estabelecimento da soberania no solo pátrio.
Institucionalmente, e por
princípio, a Maçonaria não é contrária aos procedimentos de nenhum outro
agrupamento, desde que condicionado ao fato de sejam respeitados os princípios
humanos; que promovam o ordenamento e o progresso social. A Instituição Maçônica,
sempre pugnou pelo princípio da Liberdade, o acesso universal à instrução, o
direito de acesso aos meios de produção, pela liberdade política, pela defesa
dos Estados laicos e pela comunhão entre os povos. Lutou pelo fim do
Absolutismo; pelo fim da Escravidão; pela eliminação das oligarquias na
sociedade, e pela extinção do totalitarismo de Hitler, de Mussolini e de
Franco, na Alemanha, Itália e Espanha, respectivamente, exemplos de Estados
onde a Maçonaria foi perseguida e praticamente eliminada com a morte de mais de
400.000 maçons nos campos de extermínio.
Pautamos
nossos princípios e nossas ações na
= Liberdade com ordem / Igualdade
com respeito / Fraternidade com justiça =
Herdeiros que somos de um passado
brilhante, reafirmamos:
E’ dentro da escola maçônica que
apreendemos e praticamos essa tríade, pois ela representa o que há de mais puro
na libertação humana. Não há atalhos nem desvios. O caminho é esse ! O crescer do
Maçom dentro do Templo de Salomão aponta os caminhos árduos para alcançar a
plenitude do ser humano. Parafraseando o que diz o Livro da Lei, a Bíblia, ressaltamos:
“quem tiver olhos , que veja, e quem
tiver ouvidos, que ouça”.
E’ assim, abrindo os olhos e os
ouvidos aos tempos de estudos é que a Maçonaria nos leva a subir essa escada de
aperfeiçoamento, saindo da brutalidade pela polidez, até os píncaros da Sabedoria,
da qual o patriarca Salomão é o símbolo maior.
Nos dias atuais verifica-se,
infelizmente, o ressurgimento de preocupantes degradações dos costumes contra
os quais a Maçonaria tem enfrentado novos desafios. Ela tem estado
atenta às grandes questões
nacionais e vem contribuindo através de seus membros para a solução desses
problemas.
Como fatos recentes de sua ação
política, podemos citar:
-Em 1978, a defesa da volta do
país ao estado democrático de direito;
-Em 1982, o apelo público para a convocação
de uma Assembléia
Nacional Constituinte;
-Em 1992, a defesa da introdução
no país do sistema parlamentarista;
-Em 2000, a denúncia de que a
crise sócio econômica vivida pelo país resultava da política governamental de
privilégio do econômico sobre o social;
-Em 2001, a conclamação do povo brasileiro
no sentido de que as
autoridades constituídas adotassem posições
enérgicas e definitivas para a solução dos graves problemas sociais que
estariam levando a nação ao caos moral, social, político e econômico;
-Em 2004, o alerta de ameaça à soberania
nacional, por outras potências, em face do mapeamento estratégico militar e dos
recursos naturais por por “missões” estrangeiras ilegalmente instaladas na Amazônia
Legal;
- Em 2005, o repúdio à corrupção que corrói as
instituições que alicerçam o Estado Democrático de Direito;
-Em 2006, a preocupação com o estado
de perplexidade e confusão da sociedade brasileira, diante da sequência de escândalos
envolvendo o patrimônio público por sanguessugas e mensaleiros, enquanto os
poderes constituídos se quedavam inertes;
-Em 2008, o apoio incondicional
ao movimento moralizador desencadeado pela Justiça Eleitoral no sentido de
permitir exclusivamente a participação de candidatos fichas-limpas nos processos
eleitorais;
-Em 2009, O grito por uma reforma
nos Poderes constituídos, como passo fundamental para que fossem eliminadas as
causas das mazelas atingindo a cidadania;
-Em 2010, a exigência da garantia
da liberdade de imprensa e da implementação de ações de enfrentamento à disseminação
das drogas, à criminalidade e de defesa à juventude.
Na América Latina, temos exemplos
notáveis da atuação de grandes homens que passaram pela Fraternidade Maçônica,
estabelecendo marcos indeléveis de seu apego aos princípios preconizados pela
nossa Ordem. Dentre eles, o libertador SIMON BOLIVAR. Segundo os historiadores
Julio Mancini e Américo Carnicelli, Bolívar, ainda jovem, logo após a sua
chegada em Cádiz, na Espanha, fez amizade com intelectuais que freqüentavam a
Loja Maçônica “Lautaro”, com os quais conversava sobre as idéias de liberdade e
a necessidade de lutar contra toda forma de opressão. Atraído por esse
pensamento revolucionário, decidiu ingressar na referida Loja, no ano de 1803, onde
conheceu outros latino americanos, como José de San Martin e Mariano Moreno,
que mais tarde seriam próceres da independência em seu país. Na mencionada Loja,
debatia-se sobre as idéias de “liberdade, Igualdade e fraternidade”, sobre a
dignidade do homem e a possibilidade de converter em Repúblicas as colônias
espanholas de América. Vê-se, pois, que as discussões na Loja “Lautaro” é que fez
germinar na mente de Bolivar essas idéias de prosperidade, incentivando ali a expansão
do sentido da liberdade para o resto da América do Sul. Deste modo, o ideal da
maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade” segue ainda hoje inspirando os seres
humanos na construção de uma sociedade mais justa e solidária.
E, ainda mais, essa Irmandade tem
alcance mundial e permeia a sociedade com membros espalhados por todos os
recantos do planeta, o que orgulha a cada coração maçônico quando exclama,
admirando: “Eu tenho tantos irmãos que não os consigo contar!!!, como bem
relata esse belo poema produzido pelo escritor, compositor e cantor argentino Héctor
Roberto Chavero :
Os Irmãos
E assim
seguimos andando
Curtidos pela solidão
Eu tenho
tantos irmãos Nos perdemos pelo mundo
Que não os consigo contar E voltamos a nos encontrar
E assim nos reconhecemos
Pelo tão distante olhar
No vale e na montanha
Na campina e no mar Pelas mentiras
que contamos
Cada um com seus trabalhos Sementes de imensidão
Com seus sonhos cada qual E assim vamos caminhando
Com a esperança no futuro Curtidos pela solidão
Com as recordações do passado
E em nós, nossos mortos
Eu tenho
tantos irmãos Pra nada ficar esquecido
Que eu não os consigo contar
Gente de mãos
bem quentes Eu tenho tantos irmãos
Por isso, a amizade Eu não os consigo
contar
Com um choro para chorar
Com uma oração para orar E uma irmã muito formosa
Que
se chama LIBERDADE
Com um
horizonte aberto
Que sempre está mais além
E essa força pra buscá-lo
Com volúpia e
vontade
Quando parece mais perto
E’ quando se afasta mais
Eu tenho tantos
irmãos
Que não os posso contar
Meus Irmãos,
Minhas Cunhadas, Senhoras e Senhores convidados:
Cumpre-me, por fim, formular um
registro de todo afetivo e de enaltecimento ao trabalho de caráter social, filantrópico
e de aproximação da família maçônica, desenvolvido pelas denodadas associadas da
Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul, vinculada a esta Loja Maçônica, cuja ação
desprendida e de apoio às entidades beneficentes sediadas na área metropolitana,
como a Santa Casa, Educandário Alzira Bley e outras, muito tem contribuído para
a expansão do conceito da ”Estrela de Camburi” no seio da jurisdição do GOB-ES.
Aliás, sem falsa modéstia, diríamos mais: é dever
do maçom capixaba, e de todo o Brasil, render homenagens às “cunhadas” que aqui
mourejam, pois, o Grande Oriente do Brasil, mediante Ato baixado pelo Soberano Ir.’.
Marcos José da Silva, fez expedir o Diploma de Reconhecimento de que, efetivamente,
o primeiro Departamento Social Feminino instalado no território nacional,
ocorreu em Cachoeiro de Itapemirim, no dia 04 de abril de 1959, antes mesmo da criação
da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul, no ano de 1967, normatizada trinta
anos após.
Alcy Ribeiro da
Costa
CIM 58.415
ARLS
“Fraternidade e Luz” nº 0623
19/08/2014

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