Ética, vergonha na cara e cotovelada no ministro Joaquim Barbosa

Por Barbosa Nunes
Leio no presente momento o livro recentemente lançado, com sugestão aos amigos e amigas de todos os sábados, "Ética e Vergonha na Cara", editora "Papirus 7 Mares", autoria conjunta do filósofo Mario Sérgio Cortella e do professor e jornalista Clóvis de Barros Filho. Os autores trazem reflexão profunda, dialogando sobre vergonha e ética.
Afirmam: “A corrupção é uma das formas mais agressivas de comportamento porque está no campo público e no campo privado, sendo, portanto, algo da esfera da vida. Não concordam que o problema é o sistema, argumento que serve hoje com desculpa para tudo. O que há no mundo da vida são pessoas. E seja qual for o sistema, sempre haverá a possibilidade de dizer”. “Este jogo eu não jogo”. “Dizer que o sistema constrange à corrupção sem que haja nenhuma possibilidade de questionamento é extremamente confortável para todos aqueles que buscam tirar de si a responsabilidade pelas escolhas”.  Leia mais

Acompanha-me há doze anos o livro "Viagem pelo vocabulário da ÉTICA", do Cardeal Carlo Maria Martini, Arcebispo de Milão, falecido em 2012, obra traduzida por Mário Santos- Edições São Paulo. Com ele aprendi que a ética, palavra grega "ethos" significa o modo de comportamento próprio de uma sociedade bem ordenada, indicando atividades positivas para a paz, ordem social, progresso dos cidadãos, aumento do bem estar, ou seja, comportamentos eticamente honestos, aquilo que é absolutamente digno do homem ou que se opõem aquilo que é indigno, o que não é negociável, algo que não se pode discutir nem transigir.

"Vergonha", sentimento penoso por se ter cometido alguma falta ou pelo temor de desonra: corar de vergonha. Humilhação, vexame. No futebol expressão usual, "perder assim é uma vergonha". Na política, imoralmente usam nas campanhas "vergonha é perder, não ser eleito", por isto usam todos os meios sem constrangimento para atingirem a denominada vitória.

"Vergonha na cara" é o que reprime os impulsos para a violação das leis e que freia a vontade da corrupção. Aristóteles conceituou "A vergonha e o rubor são indícios inequívocos da presença do sentimento ético. Quando falta vergonha na cara, tudo é possível". No Japão, ministros e executivos chegam ao suicídio por não aguentarem a vergonha pública. Ter vergonha na cara representa um limite intransponível. É sentimento da própria dignidade; ter brio.

“Cotovelada" é uma pancada ou empurrão com o cotovelo, dado em uma pessoa. Conforme o impulso e a força é superior a um soco, causando graves ferimentos. No boxe tem levado muitos ao nocaute.

Jornais e as revistas semanais publicaram que o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, representante do Paraná, especificamente da progressista cidade de Londrina, eleito pelo PT, na cerimônia de abertura do ano legislativo de 2014, durante troca de mensagens pelo celular, afirmou que gostaria de dar "uma cotovelada" no presidente do Supremo Tribunal Federal, que se encontrava ao seu lado naquele momento. Desrespeitosamente na Mesa Diretora da Câmara, onde se realizava a cerimônia, fez questão de repetir por várias vezes, o gesto, braço erguido com o punho fechado, feito pelo ex-ministro José Dirceu e pelo ex-deputado Jose Genoíno, quando foram presos em novembro, em decorrência do mensalão, atualmente cumprindo penas no presídio "Papuda", em Brasília.
No dia 08 de dezembro de 2012, aqui foi publicado o nosso artigo de número 97, intitulado "Um dia a casa cai". Enfoquei a ocasião em que o mal é descoberto e tudo é posto ás claras, revelando pessoa ou pessoas envolvidas. A casa está caindo continuadamente, reforçando a desconfiança da população em seus representantes. No presente momento algo inacreditável. A presidente Dilma afirmou ter assinado um contrato, envolvendo bilhões de reais, por ela classificado como documento defeituoso, irregular, fundamento para uma CPI, que certamente nada vai apurar.
A casa caiu muito depressa para o Deputado André Vargas, acusado de envolvimento com o doleiro preso Alberto Youssef, fato revelado pelo jornal "Folha de São Paulo", divulgando que o petista trocou mensagens com o doleiro, este acusado de lavagem de dinheiro, remessa ilegal de dólar e financiamento ao tráfico de drogas. Os dois combinando  empréstimo de um jatinho para o deputado viajar com a família. Conversaram sobre negociação  de um laboratório com o Ministério da Saúde. A revista "Veja"mostrou em sua última edição, mensagens interceptadas pela polícia federal em que Vargas prometia ajudar o doleiro. Senhores candidatos, nas próximas eleições. Todos nós temos uma vida pregressa positiva ou negativa. Fiquem vigilantes e atentos com a advertência bíblica: ”Nada há encoberto que não venha a ser revelado”.
Como réu confesso e sem a empáfia de dar “cotovelada” e levantar o punho com as mãos fechadas, correu da raia e forçado pelo seu partido e pela família, afastou-se da vice-presidência, pediu licença não remunerada por sessenta dias. Alegou motivos particulares. Envergonha seus colegas, a Câmara Federal que já está em baixa, sua família e por certo, conforme o excelente diálogo de Mário Sérgio de Cortella e Clóvis de Barros Filho, no livro "Ética e Vergonha na Cara", está envergonhando sua "matriz de vida, fonte de vida, última pessoa que se quer envergonhar. Pois ética tem a ver com vergonha na cara, com decência", e os autores repetem "a última pessoa que se quer envergonhar é a mãe".

Parodiando Carlos Drummond de Andrade, no poema "José", concluo este artigo: “E agora, André? A festa está acabando, a luz apagando, o povo sumindo, noite escura, a cassação se aproximando. E agora, André? Você que zombou de Joaquim Barbosa, você que protestou com telhado de vidro, correu do debate, ameaçado está de perda do mandato. E agora André?”

Do Ministro Joaquim Barbosa, que faz parte do título deste artigo, dele nada falei. Não precisa. Quem levou a cotovelada, na expressão comum de que "não há nada como um dia após o outro", foi o deputado licenciado André Vargas.

Joaquim Barbosa, é uma das maiores colunas da moralidade em nosso país.


Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil - barbosanunes@terra.com.br
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Editor Luiz Sergio Castro