Jamil Issy, legalização da maconha, Credeq e sugestão ao governo Marconi Perillo

*Por Barbosa Nunes
Em 28 de abril de 1997, fui presenteado pelo toxicologista, farmacêutico, escritor e professor da Faculdade de Farmácia da UFG, Jamil Issy, com o livro de sua autoria, Drogas, causas, efeitos e prevenção. 
O conceituado estudioso diz e em todas as edições posteriores, inclusive na última de sua vida, por mim prefaciado com muita honra,"a maconha quando fumada,atinge o cérebro e seus efeitos eufóricos, no seu pico são atingidos no prazo de 20 a 30 minutos, desaparecendo de 2 a 4 horas. Entretanto, podem acontecer a partir daí deficiências na habilidade de acompanhar estímulos em movimento. Testes feitos têm confirmações que isso pode acontecer até 10 horas após cessar o efeito euforizante e tal ponto leva o usuário a cometer erros graves, principalmente quando dirige veículos, pois tem uma falsa noção de espaço, quando se julga de posse de suas capacidades normais. O fato é que o princípio ativo da maconha o THC (Tetrahidrocanabinol) permanece muito tempo no organismo, retido em órgãos ricos em gorduras como o cérebro, os pulmões, os testículos, os ovários e outros, e essa permanência pode durar até 45 dias. Sintomas podem ser observados como aceleração dos batimentos cardíacos, aumentos da pressão arterial, vermelhidão nos olhos, inibição da glândula salivar. O sentido de tempo e de espaço ficam distorcidos com a pessoa em dificuldades de tomar decisões", além de outros males detalhados na publicação científica de Jamil Issy.  Leia mais

Mas a maconha foi oficializada com festas e comemorações no vizinho Uruguai. Agora o Senado Brasileiro, palco de tantos escândalos, inclusive com seu presidente usando avião da FAB para deslocamento,visando implante de 10 mil fios de cabelo em clínica de Maceió, inicia a discussão para legalização do consumo da maconha no Brasil. A sugestão foi recebida com assinaturas de mais 20 mil pessoas, sugere a regulação do seu consumo recreativo, medicinal e industrial. A proposta prevê o uso da maconha, como já ocorre com bebidas alcoólicas e cigarros, permitindo o cultivo caseiro, o registro de clubes de cultivadores e o licenciamento de estabelecimentos de cultivo e de venda. A sugestão foi apresentada por André Kiepper, analista de gestão em saúde da Fundação Osvaldo Cruz. Já se encontra com o relator Senador Cristóvão Buarque. Serão realizadas audiências para ouvir os diversos segmentos da sociedade, como religiosos e comunidades científicas. 
Jamil Issy faleceu em 14 de novembro de 2010. Foi pioneiro na prevenção primária ao uso de drogas em Goiás. Todos os movimentos, grupos, campanhas, seminários, sempre foram orientados por ele. Jornais, rádios e emissoras de televisão, quando discutiam o assunto drogas, Jamil era o primeiro a ser convidado. Foi pró-reitor da UFG, fundador dos Conselhos Regionais de Farmácia de Goiás e do Mato Grosso. 
Com ele, na administração do Grão-Mestre José Ricardo Roquette, fundamos o Programa Maçonaria A Favor da Vida, do qual foi diretor técnico e científico enquanto viveu. Produzi a revista pesquisa que norteia a linha e o compromisso da maçonaria em desenvolver esta ação cristã, educativa, conscientizadora do debate com serenidade, sem fanatismo e alarmismo. Foisubmetida ao Conselho Estadual de Entorpecentes de Goiás, à época presidido pelo Secretário de Segurança Pública, maçom Joneval Gomes de Carvalho. Jamil Issy como relator, apresentou voto aprovado por unanimidade. 
Jamil Isso,grande passageiro da vida durante 87 anos, extraordinária história cultural, científica e familiar. Filho de libaneses, casado com Maria Stela Nasser. Nasceu em Vianópolis, cidade que tem hoje como prefeito o sobrinho Issy Quinan Junior. Sua companheira Stela é sobrinha de Alfredo Nasser, grande político, jornalista, tribuno respeitadíssimo que chegou ao cargo de Primeiro Ministro do Brasil. 
Minha vida é marcada por uma convivência muito próxima com o mestre Jamil Issy, embora somente por 13 anos. Juntos percorremos dezenas e dezenas de cidades goianas e vários estados brasileiros. Guardo comigo longas conversas. Conheci sua bondade, mansidão, humildade, sofrimento resignado e enfrentamento heroico, em nenhum momento reclamando durante os 7 anos últimos de sua vida, submetendo-se com disciplina santa, às sessões de hemodiálise. 
Senhor Governador Marconi Perillo, os meus dois primeiros artigos para o Diário da Manhã, publicados em 5 e 12 de fevereiro de 2011, enfocavam a criação dos Credeq-Centro de Referência e Excelência em Dependência Química, que defendi e defendo como proposta humana de sua administração. Será um porto seguro para famílias sofridas sem condições de gastos com clínicas. Aí entrará o Credeq, com o poder público fazendo a sua parte e oferecendo condições de recuperação. 
O primeiro Credeq, dos outros 4 em Quirinópolis, Goianésia, Caldas Novas e Morrinhos, será inaugurado,no próximo mês de junho,conforme sua declaração, em Aparecida de Goiânia. 
O senhor conheceu Jamil Issy. É uma história que não deve ser esquecida. Sua lacuna ainda não foi preenchida por qualquer outro estudioso dedicado e disponível. Faz muita falta à comunidade goiana. 
Assim é que a maçonaria goiana e brasileira, representada pelo Grande Oriente do Estado de Goiás, Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás, Programa Maçonaria A Favor da Vida, Loja Maçônica João XXIII, a qual pertenceu Jamil Issy e o Grande Oriente do Brasil, por mim representado como Grão-Mestre Geral Adjunto, estamos empenhados. Os Grão-Mestres Luis Carlos de Castro Coelho, Ruy Rocha de Macedo, Coordenador Alberto Alves de Oliveira, venerável Mestre Reno Julius de Mesquita,com certeza, todos os grupos, ex-alunos e amigos, sugerem que o primeiro Credeq seja oficialmente apresentado à família goiana em sua inauguração, com o nome de "Centro de Referência e Excelência em Dependência Química Jamil Issy". 
Ficaremos na expectativa de uma audiência, para com o maior número de maçons e amigos de Jamil Issy, oficialmente apresentamos ao Ilustre Governador, esta sugestão. 
Concluo este artigo na certeza de que esta a proposta está amparada no apreço a um cidadão maçom que pode ser sintetizado nesta frase:
"Há homens que são bons por natureza.Nascem assim pacíficos,bondosos.Há outros que se tornam bons por educação e formação.Aprendem a ser bons.Há no entanto outros que são biologicamente bons.A bondade está na essência da sua vida biológica.Esses,nem que queiram ser maus,não conseguem.Assim foi Jamil Issy. Transmitiu bondade através de sua obra e um exemplo de vida.Foi um verdadeiro mestre,conforme os preceitos maçônicos." 
Jamil Issy. Um homem bom.
(Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil)
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Editor Luiz Sergio Castro