A mediunidade de Guimarães Rosa

Por Luis Nassif
João Guimarães Rosa
Em 2002 o jornal inglês The Guardiam convocou 100 escritores de todo o planeta para elegerem as 100 maiores obras literárias da humanidade: o único representante brasileiro foi Guimarães Rosa, com "Grande Sertão: Veredas"
É muito curioso que um tema amplamente debatido nesse blog, ontem e hoje - a mediunidade de João de Deus, tenha profundas conexões com a vida de Guimarães Rosa. Leia mais


Arnaldo Nogueira Jr.-Projeto Releituras destaca um ponto interessante da biografia de Guimarães: "Em 27 de junho de 1930, ao completar 22 anos, casa-se com Lígia Cabral Penna, então com apenas 16 anos, que lhe dá duas filhas: Vilma e Agnes. Dura pouco seu primeiro casamento, desfazendo-se uns poucos anos depois. Ainda em 1930, forma-se em Medicina, tendo sido o orador da turma, escolhido por aclamação pelos 35 colegas. Guimarães Rosa vai exercer a profissão em Itaguara, pequena cidade que pertencia ao município de Itaúna (MG), onde permanece cerca de dois anos. Relaciona-se com a comunidade, até mesmo com raizeiros e receitadores, reconhecendo sua importância no atendimento aos pobres e marginalizados, a ponto de se tornar grande amigo de um deles, de nome Manoel Rodrigues de Carvalho, mais conhecido por "seu Nequinha", que morava num grotão enfurnado entre morros, num lugar conhecido por Sarandi. Espírita*, "Seu Nequinha" parece ter sido o inspirador da figura do Compadre meu Quelemém, espécie de oráculo sertanejo, personagem de Grande Sertão: Veredas..."

* Ver teses de Mestrado e doutorado de Sandra Mara Moraes Lima - , em Mestrado em Estudos Literários - Universidade Federal do Espírito Santo, UFES, Brasil - Título: CONFORME COMPADRE MEU QUELEMÉM É QUEM DIZ: UMA VOZ ESPÍRITA EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS, Ano de Obtenção: 2005. Doutorado em andamento em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem . Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP, Brasil. Título: O processo de subjetivação em Grande sertão: veredas

Guimarães Rosa , surpreendeu seus leitores ao confessar pelas colunas do jornal "O Estado de Minas" (edição de 26 de novembro de 1967) que as histórias de seus livros lhe chegavam por via supranormal. E mais: que era dado a outros fenômenos, tais como o sonho premonitório e a telepatia. Mas deixemos que ele próprio relate: "Tenho que segredar que - embora por formação ou índole oponha escrúpulo crítico a fenômenos paranormais e em princípio rechace a experimentação metapsíquica - minha vida sempre e cedo se teceu de sutil gênero de fatos. Sonhos premonitórios, telepatia, intuições, séries encadeadas fortuitas, toda a sorte de avisos e pressentimentos. Dada às vezes, a chance de topar, sem busca, pessoas, coisas e informações urgentemente necessárias..."

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Editor Luiz Sergio Castro