Mensagem do Grão-Mestre Geral

Sabedoria Política
*Por Marcos José da Silva
Através dos estudos históricos pode-se compreender o caráter de um povo, as marcas de sua cultura, a singularidade com que se apresenta perante o mundo. Nesse particular, o Brasil tem mostrado, em vários momentos de sua trajetória política, a grandeza da mistura de características que se entrelaçam em sucessos de atos pacíficos, solidários, criativos e determinantes do nosso destino.

Num mundo dominado por potências colonialistas, conseguimos, por exemplo, fazer a nossa independência tornando o próprio regente lusitano, Dom Pedro, o libertador do Reino Unido a Portugal e seu primeiro Imperador e Grão-Mestre da Maçonaria Brasileira, tudo sem muitos combates com as tropas de Colônia.

A Campanha Abolicionista foi trabalhosa e durante anos, degrau após degrau, com choques aqui e ali, mas sem grandes proporções, as forças progressistas ganharam terreno até a vitória final, simbolizada no beijo do maçom José do Patrocínio, destacado líder do movimento, na mão da Princesa Isabel. Evitou-se, ali, uma dolorosa guerra civil.

A Proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca, Grão-Mestre do Grande Oriente, obedeceu ao mesmo modelo: aqueles provados heróis de guerras no exterior levavam os conflitos políticos, as exaltações, os desafios nas questões internas somente até o limite em que se antevissem maiores sofrimentos para a população.

No Brasil tem sido assim. Ditaduras se instalam e se dissolvem, quem ontem estava de cima, hoje pode estar debaixo. Golpes de estado são aparados pela prudência dos políticos, como em 1961, Presidente da República e deposto pela força pacífica da vontade popular. Por mais que extremistas suspirem por soluções militares, a solidariedade humana, a vocação pacifica e a grande criatividade política de que somos detentores sempre conduzem os conflitos para um final sem enfrentamento armado.

Eis a sabedoria que dá o tom da nossa cultura política, que tem servido ao Brasil nestes quase dois séculos de evolução até a democracia de que hoje desfrutamos; peculiaridade característica do povo brasileiro, não obstante que, às vezes, é mal interpretada por alguns maledicentes que lhe atribuem conotação pejorativa, associando-a aos piores vícios, recriminados pelos verdadeiros homens livres e de bons costumes, em qualquer parte do mundo.

Que o Grande Arquiteto do Universo ajude o nosso povo a abrir caminho para uma vida de fraternidade mundial, quando o mundo parece regredir, ao lado do progresso material, à selvageria que se julgava extinta na superfície da terra.

*Marcos José da Silva é Grão-Mestre Geral do GOB
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Editor Luiz Sergio Castro