"A História vai vencer" - Entrevista com Julian Assange, o fundador do Wikileaks

Em entrevista, Julian Assange, o fundador do Wikileaks, diz que "o mundo ficará melhor" com a divulgação dos telegramas diplomáticos dos EUA. Ele também afirmou que sua vida está ameaçada e que, se algo acontecer a ele, os arquivos serão publicados automaticamente.

O australiano Julian Assange, fundador do site Wikileaks, responsável pelo vazamento de mais de 250 mil telegramas confidenciais do serviço diplomático dos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira (3) que a "História vai vencer" o "jogo" que ele começou a disputar ao colocar o site no ar. Assange afirmou também que está tomando as “precauções apropriadas” para proteger sua vida diante da repercussão do caso e da campanha do governo americano contra ele. Leia Mais


Assange fez as declarações ao responder perguntas dos leitores do site do jornal britânico The Guardian, que tem publicado com exclusividade, na Inglaterra, os documentos vazados. Questionado sobre as alternativas que sua organização possui para duelar com grandes potências como os Estados Unidos, ele mostrou que está disposto a ir até o fim. Assange afirmou que, além das organizações jornalísticas que têm publicado os telegramas diplomáticos, 100 mil pessoas receberam os arquivos encriptados do chamado "Cablegate", como é conhecido o escândalo, e que "se alguma coisa acontecer" com ele e outras pessoas da organização, "as informações-chave serão publicadas automaticamente". "A História vai vencer. O mundo será elevado a um lugar melhor. Nós sobreviveremos? Isso depende de vocês", afirmou.

Assange falou também sobre o fato de estar foragido. “As ameaças contra nossas vidas são assunto de conhecimento público, mas mesmo assim estamos tomando as precauções apropriadas possíveis na medida em que estamos lidando com uma superpotência”, disse Assange. Na terça-feira (30), dois dias após o início da divulgação dos documentos, a Interpol emitiu um mandado de busca para a prisão do australiano, procurado na Suécia sob acusação de estupro. Desde então, Assange está foragido. Na entrevista, o fundador do Wikileaks comentou as declarações de Tom Flanagan, ex-conselheiro do premiê do Canadá, Stephen Harper, segundo quem Assange “deveria ser assassinado”. Para Assange, Flanagan deveria ser processado por incitar um assassinato.

Na entrevista, Assange afirmou que “sente muita falta” da Austrália, o país em que nasceu, e que não tem como voltar agora. Segundo ele, a primeira-ministra, Julia Gillard, e o Advogado-Geral do país, Robert McClelland, “estão trabalhando ativamente” contra ele e a “população da Austrália” para que “políticos e diplomatas australianos possam ser convidados para as melhores festas da embaixada americana”. Questionado se ele não deveria manter o anonimato, Assange diz que alguém envolvido com o Wikileaks precisava aparecer pois a curiosidade sobre isso estava suplantando os trabalho da organização. “Alguém tem que ser responsável diante do público, e só uma liderança que está disposta a ser corajosa publicamente pode sugerir que as fontes assumam riscos em nome do bem maior”, afirmou.

Assange explicou também como é feita a seleção dos documentos publicados. Segundo ele, o que já está no site “corresponde às histórias publicadas por nossos parceiros da grande mídia e por nós”. Segundo ele, os jornalistas têm acesso ao material para poderem escrever sobre ele e todo o material é revisto por outro jornalista ou editor. Segundo ele, a equipe do Wikileaks revisa amostras desse material para “ter certeza que o processo está funcionando”.

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