O Pai Maçom em Essência



Por Dário Angelo Baggieri

No silêncio do templo, o Pai Maçom inclina-se sobre o esquadro do coração, medindo a verdade em compassos de humildade.

Seus olhos, duas lâmpadas acesas, procuram a luz que nunca se esgota, pois sabe que todo começo é peça de um trabalho inacabado.

Carrega no peito um ofício antigo: transformar pedras brutas em vestígios de virtude, lapidando o eu na paciência do gesto.

Fala pouco; quando fala, suas palavras são ritos que desembocam em dever, cada sílaba um fio que prende o homem à sua promessa.

Ensina pelo exemplo, mostrando que autoridade sem serviço é sombra; o manto que veste é feito de tarefas anônimas.

Na sua mesa repousa o compasso e a régua, não como símbolos mortos, mas como instrumentos de medida para o caráter.

Sabe que a verdadeira hierarquia é interior: quem governa a si mesmo tem a chave do templo.

Ama como quem entende a fragilidade humana, com disciplina e ternura entrelaçadas, postura e perdão em igual medida.

Quando a noite pesa, lê o livro da consciência, ecoando memórias de erros convertidos em lições.

Não busca aplausos; cultiva a oblação diária, sacramento discreto de presença e fidelidade.

É guardião do silêncio sagrado e do riso contido, porque a gravidade moral não exclui a leveza do espírito.

No calor das reuniões, suas mãos orientam o trabalho coletivo, lembrando que a construção comum exige paciência e sacrifício.

Recusa o excesso de vaidade; prefere o labor oculto que fortalece o templo mais que as colunas visíveis.

Sabe que autoridade sem humildade é ruína, e que o poder bem usado se dissolve em serviço.

Educa, não por imposição, mas mostrando a arte de ouvir e transformar o erro em direção.

Seu amor pela ordem é amor pela liberdade: disciplina que liberta o homem de suas prisões interiores.

Quando parte, deixa rastros de silêncio e coragem, sementes plantadas no solo fértil do semelhante.

Os jovens o seguem não por título, mas por coerência; encontram nele um espelho onde aprender a forjar o próprio ser.

E quando o edifício do tempo o reclama, parte sereno, sabendo que o ofício continua em mãos renovadas.

Assim viveu: Pai Maçom em essência — uma lâmpada que acende outras lâmpadas, não para brilhar, mas para iluminar. Nossa homenagem à todos os Pais Maçons que Ainda Orbitam esse Plano e aos que já partiram para o Oriente Eterno, aqui referenciamos o saudoso Irmão e líder Ítalo Natali, da querida Estrela do Mucuri. Nanuque Minas Gerais




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