“Mulher, Vida, Liberdade”: As mulheres iranianas enfrentam a noite… Sempre!

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Por Pierre d'Allergia

 

Desde a morte de Jina Mahsa Amini, as mulheres iranianas transformaram três palavras em uma revolta universal: “ Mulher, Vida, Liberdade ”. Ao removerem seus véus, mostrarem seus rostos e publicarem suas imagens, elas não estão simplesmente desafiando um código de vestimenta; estão reivindicando a soberania de sua consciência e de seus corpos. Em resposta, o regime está transformando a tecnologia digital em um instrumento de vigilância e repressão. Sua luta nos comove.

Três palavras que destroem um regime.

“Mulher, Vida, Liberdade” – “Jin, Jiyan, Azadî” – carrega uma arquitetura política.

 

Mulher, porque nenhuma sociedade é livre enquanto metade da humanidade permanecer sob tutela. Vida, porque existir não pode significar obedecer nem mesmo nos detalhes mais íntimos da própria aparência. Liberdade, porque pertence a toda consciência.

Jina Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana presa pela polícia da moralidade por usar um véu considerado "incorreto", morreu em Teera. Jina significa "vida". Uma jovem chamada Vida morreu porque um poder ousou ditar como ela deveria

viver. Seu nome se tornou um farol.

Quando o refúgio digital se torna uma armadilha

Na ausência de uma imprensa livre, as redes sociais inicialmente ofereceram às mulheres iranianas um espaço para se expressarem. Postar uma fotografia com a cabeça descoberta significava: "Eu existo e eu escolho".

A investigação publicada em 23 de julho de 2026 por Matthieu Eugène no Blog du Modérateur mostra como essas plataformas foram usadas contra eles: publicações monitoradas, rostos identificados, contas bloqueadas, conteúdo utilizado em tribunal. A tela, antes um refúgio, tornou-se um centro de controle.

O telefone se torna um dispositivo de rastreamento, a fotografia, uma prova. O regime não se contenta mais em simplesmente proibir: observa, registra, classifica e processa.

Câmeras estão sendo usadas para identificar mulheres sem véu. Motoristas estão sendo parados e seus veículos confiscados. A Anistia Internacional descreve uma vigilância em massa, acompanhada de prisões arbitrárias, violência e processos judiciais com o objetivo de impor o uso obrigatório do véu.

A repressão digital está longe de ser virtual. Por trás do algoritmo, existem intimações, tribunais, prisões e até mesmo açoites. A Anistia Internacional relatou, em 2025, detenções arbitrárias, açoites e ameaças de pena de morte contra ativistas, jornalistas e cantores.

Quando um Estado teme uma mecha de cabelo, uma canção ou uma fotografia, revela menos a sua força do que o seu medo. Um poder que treme diante do rosto descoberto de uma mulher já sabe que a sua dominação se baseia numa ficção.

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Em janeiro de 2026, a Missão Internacional Independente das Nações Unidas solicitou o restabelecimento imediato da internet no Irã, uma vez que as interrupções impediam a comunicação entre famílias e dificultavam a coleta de provas sobre a repressão.

Um apagão digital não é uma falha. É um toque de recolher imposto à verdade. É uma tentativa de atacar sem testemunhas, de prender sem imagens, de matar sem memória.

Maçons, nossos princípios nos obrigam a isso.

Apoiar as mulheres iranianas não significa atacar uma religião. Devemos distinguir entre a fé livremente praticada e sua manipulação autoritária. Deus não precisa de cassetetes, câmeras ou prisões para ser defendido.

A Maçonaria não pode invocar a liberdade de consciência dentro de seus Templos e esquecer aqueles que morrem por ela fora deles. Não pode celebrar a Luz enquanto fecha os olhos para a realidade.

Liberdade de consciência absoluta significa que nenhuma autoridade pode ditar a uma mulher como ela deve dispor do seu corpo. Igualdade significa que nenhuma lei pode torná-la uma cidadã inferior. Fraternidade significa que o seu sofrimento não nos é estranho.

As mulheres iranianas não pedem nossa piedade. Elas pedem nossa lealdade: que transmitamos suas palavras, que nos lembremos de seus nomes, que apoiemos jornalistas e ativistas, que nos recusemos a deixar que a repressão a elas seja encoberta pelo silêncio.

O regime pode fechar contas, lotar prisões e cortar a internet. Mas não pode apagar o que já foi compreendido: uma mulher reconheceu sua liberdade, outra a olhou, e então uma multidão se levantou.

Às nossas irmãs iranianas, dizemos: a vossa luta transcende muros, a vossa coragem ilumina as nossas consciências e as vossas palavras nos comovem.

Esse artigo foi publicado originalmente na revista 450.fm



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