O calendário maçônico, embora marcado por
inúmeros acontecimentos discretos, guarda datas que remetem a personagens e
momentos decisivos para a formação do pensamento simbólico da Ordem. O 17 de março
é lembrado principalmente pela morte de um dos mais influentes pensadores do
Rito Escocês Antigo e Aceito: Albert Pike.
Mais do que um simples dirigente maçônico, Pike
foi um intelectual de vasta cultura, cuja obra marcou profundamente a
interpretação filosófica da Maçonaria moderna.
O homem que reinterpretou o simbolismo do Rito
Escocês
Nascido em 1809, nos Estados Unidos, Albert
Pike foi advogado, escritor, jornalista e também general durante a Guerra Civil
Americana. Contudo, foi na Maçonaria que seu nome se tornou verdadeiramente
marcante.
Ele ocupou por mais de trinta anos o cargo de Soberano Grande
Comendador do Supremo Conselho do Grau 33º da Jurisdição Sul do Rito Escocês,
uma das mais influentes organizações maçônicas do mundo.
Durante sua gestão, Pike realizou uma profunda
revisão dos rituais e da interpretação simbólica dos graus do Rito Escocês,
buscando dar-lhes maior coerência filosófica e histórica.
A obra que se tornou um clássico maçônico
Em 1871, Pike publicou aquela que se tornaria a
obra mais famosa da literatura maçônica:
Morals and Dogma of the Ancient and Accepted
Scottish Rite of Freemasonry.
O livro não é apenas um manual ritualístico.
Trata-se de um vasto tratado de filosofia comparada, no qual Pike relaciona os
símbolos maçônicos com:
tradições da antiguidade
mitologias clássicas
ensinamentos filosóficos
religiões antigas e medievais
A obra se tornou uma das referências mais
citadas entre estudiosos da Maçonaria, embora também seja frequentemente mal
interpretada por críticos que desconhecem seu caráter simbólico e alegórico.
A influência irlandesa e a expansão da
Maçonaria
O 17 de março coincide também com o dia
dedicado a Saint Patrick, figura central da tradição irlandesa.
A coincidência da data lembra outro aspecto
importante da história maçônica: a forte atuação da Grand Lodge of Ireland na
expansão da Ordem pelo mundo.
Desde o século XVIII, a Maçonaria irlandesa
teve papel fundamental na criação das chamadas lojas militares itinerantes,
que acompanhavam regimentos do exército britânico. Essas lojas foram
responsáveis por levar a Maçonaria para regiões distantes do globo, incluindo:
América do Norte
Caribe
África
Índia
colônias do Império Britânico.
Graças a esse sistema, a Maçonaria deixou de
ser apenas uma fraternidade europeia e passou a assumir um caráter
verdadeiramente internacional.
Um legado que atravessa os séculos
Ao recordar o 17 de março, a tradição maçônica
rememora não apenas a figura de Albert Pike, mas também uma fase em que a Ordem
consolidou sua dimensão filosófica e intelectual.
Foi nesse período que muitos estudiosos
procuraram interpretar os símbolos da Maçonaria como instrumentos de reflexão
moral, espiritual e humanista.
Assim, a data permanece como um marco que
simboliza a
busca incessante pelo conhecimento, pela sabedoria e pela compreensão dos
mistérios da tradição iniciática.
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