Da Redação
A Revolução Francesa não
poupou nem mesmo aqueles que acreditaram poder sobreviver ao seu furor aderindo
aos seus ideais. Um dos episódios mais emblemáticos desse período turbulento
foi a trajetória do Duque de Orléans, Grão-Mestre do Grande Oriente da França,
que, tomado pelo medo, renunciou à Maçonaria, adotou o nome Citoyen Égalité,
mas, ainda assim, acabou perecendo na guilhotina no ano de 1793.
O Príncipe Maçom
Louis-Philippe Joseph
d’Orléans (1747–1793), conhecido como Duque de Orléans, era primo do rei Luís
XVI e membro da alta nobreza francesa. Sua relação com a Maçonaria foi
profunda: tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente da França, a principal
obediência maçônica do país, em um período em que a Ordem era um espaço de
debate intelectual, político e filosófico.
A Maçonaria francesa,
fortemente influenciada pelo Iluminismo, reunia aristocratas, burgueses,
cientistas e pensadores que discutiam ideias de liberdade, igualdade e
fraternidade — princípios que, ironicamente, seriam depois apropriados pela
própria Revolução.
A Revolução e o Medo
Com a eclosão da Revolução
Francesa em 1789 e, sobretudo, com a radicalização jacobina nos anos seguintes,
a posição de Orléans tornou-se delicada. Embora tivesse apoiado certas reformas
e até votado pela execução de Luís XVI na Convenção Nacional, sua origem
aristocrática tornava-o suspeito aos olhos dos revolucionários mais radicais.
Em um gesto de sobrevivência
política, renunciou à Maçonaria e passou a se apresentar como Citoyen Égalité
(Cidadão Igualdade), numa tentativa de demonstrar alinhamento com os ideais
revolucionários e afastar-se de sua imagem de príncipe aristocrata e líder
maçônico.
A Guilhotina Não Perdoa
Apesar de seus esforços, o
Terror Revolucionário não fez distinções. Em 1793, o antigo Grão-Mestre foi
acusado de conspiração e traição, preso e condenado. Sua execução na guilhotina
simbolizou a tragédia de muitos aristocratas que tentaram adaptar-se à nova
ordem, mas foram tragados pela lógica implacável da Revolução.
Maçonaria e Revolução: Um Encontro Ambíguo
A figura do Duque de Orléans
revela a complexa relação entre a Maçonaria e a Revolução Francesa. Embora
muitos revolucionários tenham sido maçons e as ideias maçônicas tenham
influenciado o pensamento revolucionário, a Revolução acabou perseguindo tanto a
nobreza quanto instituições associadas ao Antigo Regime — incluindo lojas
maçônicas, especialmente quando vistas como espaços aristocráticos.
A renúncia de Orléans à Ordem
e sua posterior execução mostram que, diante do radicalismo revolucionário, nem
títulos, nem renúncias, nem gestos simbólicos foram suficientes para garantir a
sobrevivência.
Conclusão
O episódio de 1793 permanece
como um dos mais dramáticos da história maçônica e política. O Duque de
Orléans, Grão-Mestre que se tornou “Cidadão Igualdade”, representa o paradoxo
de uma época em que os ideais de liberdade e igualdade se transformaram em instrumentos
de perseguição e morte.
Sua trajetória é um lembrete
de que as revoluções, quando perdem o equilíbrio e a tolerância, acabam
devorando até mesmo aqueles que acreditavam estar do seu lado.

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