Da Redação
O título pode ser chocante. Pode até ser irritante. No entanto, a expressão não é uma crítica gratuita: aparece na Enciclopédia Maçônica de Mackey e visa uma falha muito real. Refere-se a alguém que consegue recitar impecavelmente as perguntas e respostas, as fórmulas e as sequências do ritual… mas que não busca nem história, nem filosofia, nem significado. Repete sem compreender. “Fala corretamente”, sem “enxergar com clareza”.
No passado, esse perfil podia ser
impressionante. As pessoas aplaudiam a facilidade, a fluência, o desempenho. O
Irmão “brilhante” era aquele que passava pelas cerimônias sem falhas. Mas a
Maçonaria, quando aspira a ser uma escola e um método, não pode ser reduzida a
um mero exercício de memorização. Assim que se vê como um caminho para o
conhecimento, exige mais do que um catecismo dominado: exige uma compreensão do
simbolismo.
A questão é perturbadora porque toca no âmago da jornada iniciática: o que exatamente validamos quando "passamos" de ano? Por muito tempo, a resposta pareceu simples: a memorização provaria ser a preparação. Em um mundo ideal, memorizar significaria compreender. Na realidade, essa ligação é frágil. Pode-se aprender perfeitamente... e permanecer no limiar. Pode-se recitar, e ainda assim perder o ponto essencial.
E é aí que reside o perigo: ao confundirmos
progresso com recitação, formamos Irmãos bem treinados no texto, mas
insuficientemente despertos para o seu significado. Transformamos uma jornada
interior em uma lista de verificação. Substituímos a busca pela verdade pela
conformidade. Deixamos os membros avançarem sem as ferramentas para compreender
o que a Maçonaria afirma transmitir: autoaperfeiçoamento, rigor moral e uma
fraternidade vivida.
Mackey, implicitamente, nos lembra de uma
verdade óbvia: o ritual não é uma prova, é uma porta. E uma porta não se abre
apenas com a memória, mas com a compreensão.
Baseado em um texto de Robert H. Johnson
Fonte:Gadlu.info


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