Lemos na Bíblia, em Gênesis, 1, 27 que os
Elohim formaram o Homem à sua semelhança, isto é, fizeram-nos macho e fêmea
como Eles (os Elohim). Ali temos a descrição da nossa Época Atlante.
Quem eram esses Elohim? Eram, nada mais nada
menos, que as Hierarquias Criadoras que nesse primeiro capítulo do Gênesis
foram chamados de Elohim:
Eloh -> um nome feminino em que a letra
“h” indica o gênero
Im -> plural masculino
Portanto, trata-se de uma hoste de seres bissexuais,
masculino-femininos, expressões da energia dual criadora, positivo-negativa.
Pois Deus é um ser composto.
Jeová era e é uma dessas Hierarquias
Criadoras, portanto, um Elohim. Sua presença aparece mais explícita a partir do
segundo capítulo do Gênesis no texto hebraico. E não poderia ser de outra
maneira, pois sua parte especial no trabalho da Criação começa efetivamente a
partir dali. Jeová é o Guia dos Anjos, a humanidade do Período Lunar e é o
regente da Lua atual. O trabalho de Jeová é a construção de corpos ou formas
concretas, por meio das forças lunares cristalizantes e endurecentes. Seu
trabalho é multiplicar o que existe sobre o nosso planeta Terra. Portanto, Ele
é o dador de crianças e, os Anjos são os mensageiros nesta obra. Jeová também não
é somente o Deus dos Judeus. Ele é também o autor de todas as Religiões de Raça
que nos conduzem ao Cristianismo. Como Deus de Raça, tem características que o
faz ser um Deus ciumento e zeloso, como um feitor que nos obriga a fazer isto
ou aquilo, ou nos proíbe de fazer outras coisas.
Pela sua Lei, quem não obedece é expulso,
sofre e é abandonado. É a Lei do Olho por Olho, Dente por Dente. Assim, no
Velho Testamento temos: a história de toda a nossa descida até a esse Mundo
Físico,nossa transgressão as leis de Jeová, como Jeová nos guiou no passado e como
nos guiará no futuro até que alcancemos o Reino dos Céus.
E é justamente aqui que vamos buscar a origem
das duas tendências que operam atualmente no mundo: de um lado, a de buscar
compreender tudo e do outro, a de aceitar tudo como é.
Vamos começar dizendo que o relato bíblico
tem pontos coincidentes e pontos discrepantes com respeito à Lenda Maçônica.
No capítulo 1 de Gênesis, 22, diz-se que Deus
criou Eva, o ser feminino. A Lenda Maçônica diz que Jeová criou Eva. E que o
Espírito Lucífero Samael se uniu a ela. Mas este foi expulso por Jeová e
forçado a deixá-la antes do nascimento do fruto dessa união, Caim. Ora, Samael
é um dos espíritos marcianos que, liderados por Lucífer, ajudou a humanidade
incipiente a comer da Árvore do Conhecimento.
Aquele ensinamento relatado na Bíblia em
Gênesis 3, 1-8, nada mais era do que chamar a atenção da humanidade que ela
poderia procriar sozinha, sem a ajuda dos anjos ou de Jeová. Motivo pelo qual
foram expulsos do paraíso.
Voltando a Lenda Maçônica, temos que depois
Jeová criou Adão para ser companheiro de Eva. E dessa união nasceu Abel. Assim,
Caim ficou sendo filho de natureza semidivina, fruto da união de um espírito de
Lúcifer, Samael com um ser humano, Eva. Abel ficou sendo filho da união de dois
seres humanos: Adão e Eva.
Pelo fato de Samael ter que abandonar Eva,
mesmo antes do nascimento de Caim, este, então, ficou conhecido como Filho da
Viúva. Afinal, Samael nunca assumiu sua função de marido ou de pai, portanto, o
seu filho era, como já foi dito, o filho de uma viúva.
Já como Adão permaneceu com Eva mesmo após o
nascimento de Abel, este ficou conhecido como Filho do Homem. Afinal, Adão
assumiu sua função de marido e de pai, portanto, o seu filho era, como já foi
dito, o filho do homem.
Essa diferença desses dois seres tornou o
principal diferencial de toda a nossa evolução. Caim, por ser um produto semidivino,
tinha o impulso divino da criação. Abel, por ser um produto totalmente humano,
contentava em aceitar tudo como estava.
Como lemos na Bíblia, Gênesis 4, 2: “Abel
tornou-se pastor e Caim lavrador”. Abel contentava-se em guardar rebanhos,
criados também por Jeová. Abel e esses rebanhos se alimentavam do alimento
vegetal que crescia naturalmente, sem esforço nenhum de Abel, ou seja, uma
dádiva dos deuses. Caim, não. Tinha o desejo dominante de criar algo novo. Não
se sentia satisfeito enquanto não realizasse algo por iniciativa própria.
Portanto, ele: plantou as sementes que achou, fez crescer o grão e ofereceu a
Jeová o fruto do trabalho de suas mãos.
Mas, como lemos em Gênesis 4, 3-5: “...
ofereceu Caim frutos da Terra em oblação ao Senhor. Abel, de seu lado, ofereceu
dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou, com
agrado, para Abel e sua oblação, mas não olhou para Caim, nem os seus dons.”
Ora, Abel fazia tudo que Jeová dizia. Era
obediente e, portanto, harmonioso num regime de Leis. Estava satisfeito em
aceitar o seu modo de vida, cônscio de sua descendência divina, gerada sem
esforço e iniciativa própria.
Por outro lado, Caim não era obediente e,
portanto, desarmonioso num regime de Leis. Imbuído com a dinâmica energia marcial
herdada de seu divino antecessor, era: agressivo, progressista e possuidor de
grande iniciativa, mas impaciente à repressão ou autoridade, tanto humana como
divina. Reluta em aceitar idéias pela fé e inclina-se a provar tudo à luz da
razão.
Em consequência, criou-se uma animosidade
entre Caim e Abel, e como lemos em Gênesis 4, 8: “Caim disse então a Abel, seu
irmão: ‘Vamos ao campo’. Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu
irmão e matou-o”.
Ao saber do que Caim tinha feito Jeová o amaldiçoou,
como lemos em Gênesis 4, 11: “De ora em diante, serás maldito e expulso da
Terra... E tu serás peregrino e errante sobre a Terra... E o Senhor pôs em Caim
um sinal na sua fronte”.
Assim, Caim perdeu sua visão espiritual e foi
aprisionado no Corpo Físico, através do sinal em sua fronte, lugar onde se diz
que Caim foi marcado. Ele vagou como filho pródigo na relativa escuridão do
mundo material, esquecido do seu estado divino.
Então, Adão conheceu outra vez Eva e ela deu
à luz a Seth, como lemos em Gênesis 4, 25: “Deus deu-me uma posteridade para
substituir Abel, que Caim matou”. Seth tinha as mesmas características de Abel,
e as transmitiu aos seus descendentes, os Filhos de Seth, que continuavam a
confiar inteiramente em Jeová e viviam pela fé e não pelo trabalho.
Por outro lado, os descendentes de Caim, os
Filhos de Caim, através da árdua e enérgica diligência nos trabalhos do mundo,
adquiriram: a sabedoria mundana e o poder temporal. Tornaram-se mestres na arte
da política, governantes temporais.
Enquanto que os Filhos de Seth, tomando o
Senhor por guia, tornaram-se canais para a sabedoria divina e poder espiritual.
Tornaram-se mestres na arte do sacerdócio, guias espirituais.
A animosidade entre Caim e Abel perpetuou-se
de geração a geração entre seus respectivos descendentes. E não poderia ser de
outro modo, pois essas gerações deram origem a duas correntes de ações no
mundo: uma classe, como governantes temporais, aspirava elevar o bem-estar
físico da humanidade através da conquista do mundo material; enquanto que a
outra classe, como sacerdotes ou guia espiritual, estimulava seus seguidores a
abandonar o mundo perverso e a buscar consolo em Deus.
Assim, formaram-se duas escolas:
uma visa formar mestres trabalhadores,
peritos no uso de ferramentas com as quais possam tirar seu sustento da terra a
outra produz mestres mágicos, hábeis no uso da palavra para fazer invocações e,
dessa forma, ganham aqui o apoio daqueles que trabalham e rezam para que eles
alcancem o céu
Da progênie semidivina de Caim descendem
várias gerações de filhos que originaram todas as artes e ofícios e as cidades
e a habilidade para se trabalhar com fogo. Deve-se a eles: essa nossa indomável
coragem de ousar; essa nossa inquebrantável vontade de fazer e esse nosso
diplomático discernimento de saber calar.
Vejamos na Bíblia, em Gênesis 4, 19-22: “Ada
deu à luz a Jabel e Jubal. Jabel foi construtor das tendas. Jubal foi o pai de
todos aqueles que tocam a cítara e os instrumentos de sopro. Sela deu à luz
Tubal-Caim, o pai de todos aqueles que trabalham o cobre e o ferro”.
Já da progênie humana de Abel descendem
várias gerações de filhos que originaram todo tipo de sacerdócio e de guia
espiritual, tais como: Noé, Abraão, Isaac, Jacó, Davi, Salomão, Jesus.
Em Gênesis 4, 26, lemos: “Seth também teve um
filho a quem chamou de Enós. Foi então que se começou a invocar o nome do
Senhor”. Enós é considerado o iniciador da religião ou do culto a Deus.
Um exemplo da união dessas duas forças para a
construção de algo extremamente elevado e espiritual podemos achar na
construção do Templo do Rei Salomão (em 1Reis 5, 9-32 e 6,1-38),
O Rei Salomão era descendente dos Filhos de
Seth, Filho do Homem. Salomão era o mais sábio que existia no mundo. Nele se
concentrava toda a sabedoria divina de todos os Filhos de Seth que o
precederam. Como descendente dos filhos de Seth, Salomão não era especialista
na construção concreta do Templo. O seu papel foi o de instrumento realizador do
plano divino revelado a Davi por Jeová. Por isso, Salomão buscou a cooperação
do Rei Hiram de Tyro, descendente dos filhos de Caim, Filho da Viúva.
Esse por sua vez escolheu Hiram Abiff para
ser o mestre de todos que trabalhavam na construção. Hiram Abiff era o mais
habilidoso artífice no trabalho do mundo. Nele se concentrava toda a arte e
ofício de todos os Filhos de Caim que o precederam. Assim, a habilidade
material dos Filhos de Caim foi tão necessária para a construção deste Templo
como o era a concepção espiritual dos Filhos de Seth.
E, portanto, durante o período de construção,
as duas classes uniram forças, esqueceram a inimizade latente.
Essa foi de fato a primeira tentativa de unir
os Filhos de Caim e os Filhos de Seth. Se essa união tivesse alcançado sucesso,
nossa história teria sido provavelmente alterada substancialmente. E porque não
deu certo?
Porque quando Hiram Abiff, descendente dos
Filhos de Caim, Filho de uma viúva, estava perto de acabar a obra prima do
Templo, que seria o Mar Fundido, os Filhos de Seth, Filho do Homem, tentaram
apagar o fogo utilizado por Hiram Abiff, jogando água e por pouco não
conseguiram. Com isso frustrou o plano divino de reconciliação entre essas duas
classes.
Mas esses dois personagens, expoentes maiores
das duas classes hoje existentes - Filho do Homem e o Filho de uma viúva -
continuaram trabalhando nesse objetivo de reconciliação, renascendo de tempos
em tempos, trabalhando tanto de um lado como do outro.
Salomão renasceu como Jesus de Nazaré, o
Filho do Homem.
Hiram Abiff renasceu, nos tempos de Jesus de
Nazaré, como Lázaro e, depois como Christian Rosenkreuz.
Jesus, o Filho do Homem, trabalhou e trabalha
até hoje entre as igrejas, onde a religião é cultivada e o ser humano é
conduzido de volta a Deus através do caminho sincero da Devoção.
Christian Rosenkreuz, o Filho da Viúva,
trabalha com todas as potências do mundo, as indústrias e a ciência, a fim de
efetuar a união das forças temporais e espirituais, a cabeça e o coração, que
deve ser realizada antes que o Cristo, Filho de Deus, possa vir novamente.
Pois, na época que isso ocorrer, no Reino do
Cristo, só haverá um regente. Cristo será ambos: Rei e Sacerdote ou como fala
São Paulo na sua Epístola aos Hebreus 5,6-10 e 7, 1-18: Sumo Sacerdote da Ordem
de Melquisedec, desempenhando o duplo ofício de cabeça espiritual e temporal.
Enquanto isso, nós estamos sendo educados
para alcançar essa união. Nossos dirigentes devem se aproximar cada vez mais
desse ideal: sendo sábios o suficiente para governar um estado e bons o
bastante para guiar o coração dos seres humanos.
E é essa a condição que Christian Rosenkreuz,
o Filho de uma Viúva e Jesus, o Filho do Homem, se esforçam por trazer ao
estado e as igrejas atuais.
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