WASHINGTON SECRETA DOS ILLUMINATI E MAÇONS

(*) Por Vitor Manuel Adrião

Significado iniciático do grande selo dos E.U.A.
O Grande Selo dos Estados Unidos da América foi aprovado por Ato do Congresso no dia 20 de Junho de 1782, passando a ser o seu Brasão de Armas desde 4 de Fevereiro de 1790. Os movimentos carismáticos evangélicos norte-americanos consideram os símbolos do Grande Selo como sinais encriptados da presença de “Satan e da sua corte demoníaca” neste país através de uma misteriosa “Ordem de Illuminatis” que secretamente domina o Mundo, dentre outras teorias mórbidas revelando óbvia impuberdade mental orbitando entre o puritano e o ingênuo.
Os símbolos do Grande Selo têm origem na própria Maçonaria através daqueles maçons ilustres (Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, William Churchill Houston e William Barton) que ajudaram a esboçá-lo, nada tendo de sinistro nem diabólico ao contrário das tentativas de poluição do símbolo nacional que alguns têm tentado impor-lhe. No timbre, um halo dourado rompe de uma nuvem da sua cor envolvendo uma constelação de treze estrelas prateadas num campo azul, sendo o suporte uma água calva disposta de asas abertas segurando na garra direita um ramo de oliveira e na garra esquerda treze flechas, enquanto no bico segura o listel ondulante com o lema latino E pluribus unum (“De muitos, um”), evocativo da unidade nacional representada nas treze estrelas figurativas dos treze Estados originais da União. Esse halo de glória expressa o Grande Arquiteto do Universo abençoando e protegendo os Estados Unidos, e é por isso que se pode desenhar perfeitamente o hexalfa ou estrela de seis pontas sobre a disposição das estrelas, símbolo geométrico esse indicativo da própria Divindade Suprema que assiste a todos os povos e religiões, independentemente do nome que Lhe dêem. Imposto sobre o centro da águia tem-se o escudo palado de treze peças, alternadamente de prata e vermelho, com a banda chefe de azul. Trata-se da repetição alegórica dos treze Estados originais em guisa de materializados na Terra após projetados desde as estrelas do céu. Tal acaba sendo uma evocação velada do tema bíblico Jerusalém Celeste e Jerusalém Terrestre, no sentido de Paraíso Celestial e Paraíso Terreal como era crença inicial ao considerar-se a América do Norte como a Terra Prometida, a Nova Jerusalém dos movimentos carismáticos e também maçônicos. Por este motivo, a águia imperial não é unicamente símbolo evocativo do antigo império romano mas também e sobretudo da águia Kadosh ou dos “Perfeitos”, em hebreu, os verdadeiros Iluminados Espirituais (Illuminatis) que as antigas tradições cabalísticas representavam por uma águia, por ser simbólica do Sol cujos raios, aliás, carrega na garra esquerda, enquanto a direita com o ramo de oliva expressa a Paz dos Justos que participam da Essência de Deus na Terra Prometida, o Éden que é onde se manifesta a Luz de Glória (halo estrelado) e a Paz de Imortalidade (águia heráldica).


As cores do escudo imposto sobre o peito da águia são evocativas das virtudes cardinais que todo o maçom deve possuir e fazer com que a Humanidade também as possua: o vermelho de Marte expressa o valor, o branco da Lua revela a pureza, e o azul de Vénus transmite a justiça. Em Geometria ou Cabala Fonética, o valor dessas cores é 103 que é o valor da frase hebraica Ehben Ha-Adam, “A Pedra de Adão”, sugerindo o Ashlar perfeito ou a Pedra Cúbica do Mestre Maçom indicativa da sua perfeição espiritual, sendo também 103 o valor do substantivo Bonain, palavra rabínica significando “construtor, mestre arquiteto”, isto é, o próprio Mestre Maçom. Nisto, a divisa E pluribus unum lembra ao maçom a unidade que o fez irmão de muitos.

No reverso do Grande Selo configura-se uma pirâmide cujo zénite está cortado de maneira a configurar um triângulo com o Olho da Divina Providência ao centro, circundado por uma auréola da sua cor dourada. Acima dele lê-se a frase latina Annuit Coeptis, “Ele (Deus) favorece-nos”, e abaixo da pirâmide lê-se a outra frase latina Novus Ordo Seclorum, “Nova Ordem dos Séculos”. Símbolo de força e perenidade, a pirâmide tanto evoca a origem egípcia da Tradição Iniciática do Ocidente como igualmente a Montanha da Iniciação que todo o Iniciado deve subir gradual ou paulatinamente até defrontar-se com com Deus no zénite ou cume da mesma e unir-se a Ele, assinalado no Triângulo com o Olho Esplendente. Símbolo cristão herdado pelos primitivos cristãos de Alexandria do Olho de Horus do Antigo Egito, tem-se que os maçons norte-americanos eram originalmente todos católicos, luteranos ou calvinistas ligados à Igreja de Inglaterra, e por essa influência cultural e religiosa eles conhecessem e interiorizassem os símbolos cristãos, incluindo o caríssimo Olho da Divina Providência no centro do Triângulo figurativo da Santíssima Trindade, assim revelando Deus Uno-Trino, Um como Essência e Três como Hipóstases ou “Pessoas” na Sua manifestação. A primeira aparição do Olho da Divina Providência na iconografia maçónica surge apenas em 1797 com a publicação de Freemasons Monitor, por Thomas Smith Webb, como forma de recordar a todos os maçons que os seus pensamentos, sentimentos e atos são permanentemente observados por Deus, o Grande Arquiteto do Universo, e desde então esse símbolo ficou nos meios maçónicos como expressivo da Divindade Absoluta. Por isso inscreve-se no topo a frase Annuit Coeptis, por se atribuir a Deus o favorecimento da fundação dos Estados Unidos da América segundo a mística nacional, atendendo a que tal frase foi retirada do livro IX da Eneida de Virgílio, no momento em Acanius, filho de Eneias, reza ao Pai dos Deuses, o “poderoso Júpiter, pelo favorecimento da sua empresa”.

Sendo a pirâmide algo a escalar através dos seus treze degraus rumo à Luz de Deus, a esse sentido de trasladação de um espaço para outro não deixa de enquadrar-se a ideia de translatio imperii, “trasladação de impérios”, subjacente à frase Novus Ordo Seclorum, expressão retomada a partir da IV Écloga de Virgílio, que os cristãos medievais interpretaram como uma profecia da vinda de Cristo inaugurando uma nova Idade de Ouro no Mundo, motivo que serviu aos maçons construtores do Grande Selo para disporem o centro secular ou temporal dessa Idade de Ouro ou Satya-Yuga, em sânscrito, precisamente no norte do continente americano, como era sua crença aplicando propositadamente o nominativo plural possessivo seclorum latino, significando “da Idade”. Tal proposição partiu de Charles Thomson, perito latinista, em 1782, para significar “o início da Nova Era americana” a partir da data da Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). Essa transladação de Oriente para Ocidente igualmente viria a ficar marcada pela marcha e conquista do Oeste durante o período aurífero norte-americano. A partir de 1935, esta alegoria iniciática do reverso do Grande Selo passou a figurar no reverso das notas de um dólar por aprovação do Presidente Franklin Delano Roosevelt, que também era maçom destacado.


Segundo os cabalistas versados em Gemetria, o conjunto alegórico de todas essas figuras tem o valor cabalístico 273, que é o valor da frase hebraica Ehben Mosu Habonim (“A pedra que o construtor recusou”), referência à chave perdida dos Mistérios Iniciáticos cuja origem recua ao primitivo culto de Melki-Tsedek, o Rei do Mundo, em que assentam todas as tradições confessionais e iniciáticas do Ocidente e do Oriente, parcialmente recuperadas pela Maçonaria Simbólica. Essa frase hebraica é familiar de todos os maçons do Rito de York ou do Arco Real, comumente chamado Rito Americano. O seu valor 273 é também o do substantivo próprio Hiram Abiff, o arquiteto do Templo de Salomão e o personagem principal da lenda afim ao 3.º Grau de Mestre Maçom.

Finalmente, a presença dominante do valor 13 no verso e reverso do Grande Selo: reflete o sentido de Morte profana e social para poder haver Ressurreição espiritual e com esta o ressurgimento de uma nova sociedade humana mais justa e perfeita que dentre as muitas existentes fosse única (E pluribus unum), o que deixa o subentendido da Sinarquia ou Concórdia Universal, acaso o principal motivo oculto da fundação dos Estados Unidos e por descaso do mesmo caído no esquecimento secular, tendo como consequência fatal até hoje viverem apartados dos deuses e assim em contínuas pelejas apesar de fustigados pelos avisos severos da Natureza que é Deus manifestado.

(*) Vítor Manuel Adrião, renomado escritor esotérico português, é consultor de investigação filosófica e histórica, formado em História e Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa, tendo feito especialização na área medieval pela Universidade de Coimbra. Presidente-Fundador da Comunidade Teúrgica Portuguesa e Director da Revista de Estudos Teúrgicos Pax, Adrião é profundo conhecedor da História Medieval do Sagrado, sendo conferencista de diversos temas relacionados ao esoterismo, às religiões oficiais, aos mitos e tradições portuguesas, às Ordens de Kurat (em Sintra) e do Santo Graal, das quais também faz parte.




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Editor Luiz Sergio Castro