Haiti: só 2% escombros retirados da capital após 8 meses


Fonte: O Globo

Oito meses após o terremoto que devastou o Haiti, o cenário na capital Porto Príncipe ainda é de colapso total. Do Palácio Nacional à Catedral de Notre Dame, escombros se acumulam nas ruas.

Segundo estimativas não oficiais, apenas 2% dos cerca de 25 milhões de metros cúbicos de entulho foram removidos até agora, por motivos que vão desde a falta de equipamento e dinheiro a dificuldades com o sistema de registro de propriedade dos terrenos.

Enquanto isso, a maioria dos haitianos aprendem a conviver com a ruína na qual a cidade se transformou.

O governo e as organizações de ajuda internacional afirmam que a remoção dos detritos é uma prioridade antes de começar a reconstrução, mas diz que entender as razões pelas quais nada foi feito é difícil é exasperante.

Equipamentos pesados, necessários para a tarefa, chegam apenas por mar. Caminhões que transportam os restos de pedras e tijolos têm dificuldade em circular pelas ruas de terra, estreitas e sinuosas, e há poucos lugares para armazenar o entulho, que, muitas vezes, se mistura a restos humanos.

Além disso, é uma missão difícil encontrar o proprietário de cada parcela de terra, devido ao péssimo sistema de registro de propriedade de Porto Príncipe.

Como nenhum funcionário do governo do Haiti foi diretamente encarregado da tarefa de retomar a ordem na capital, organizações estrangeiras e não-governamentais começaram a agir por conta própria. O resultado é um trabalho descoordenado, onde impera a disputa pelos escassos recursos.

O Departamento de Defesa e a Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, por exemplo, gastaram mais de US$ 98,5 milhões com a remoção de 882 mil metros cúbicos de escombros.

- Não há um plano mestre. Depois do terremoto, a prioridade era limpar as ruas - confessa o diretor local do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, Eric Overvest.

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